quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Velho .

 Vamos ficando mais calmos,

mais nossos,

mais sozinhos e tudo bem.

Não é ausência, é presença em outra forma.

É o silêncio onde antes havia risos altos,

é o cinema em uma poltrona só,

o show que agora assisto de olhos fechados,lugar escolhido sozinha 

porque a música toca mais dentro do que fora.

Vamos perdendo gente no caminho 

não por falta de amor,

mas por sermos  diferentes. Ideia distintas , 

Já não cabe todo mundo no mesmo brinde.

O vinho que antes passava de mão em mão hoje é taça única,

lembrança vaga de um amor que foi,

ou de uma amizade que, por um tempo,

foi casa.

A gente tenta manter, mas cansa.

Cansa explicar, cansa insistir.

E um dia, simplesmente, deixamos ir.

Os que ficam, ficam porque não exigem tradução.Sempre pergunto porque quanto tempo ficarão ? 

Porque ainda entendem no olhar cansado,

no silêncio confortável,

na ausência de performance.

As conversas diminuem,

mas ganham densidade.

Os encontros escasseiam,

mas são verdadeiros.

E quando bate a saudade 

daqueles tempos,

daquelas pessoas,

daquela versão de nós  não dói.

É só memória viva,

que nos visita com ternura, e parte em paz.

Porque mudamos, e que sorte a nossa

sermos seres capazes de se refazer,

de se respeitar, de seguir… Neide Ponzoni

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