domingo, 29 de janeiro de 2012

Paixao coisa descabida...

To aqui numa noite quente, uma lua imensa no céu, numa varanda de um quarto que não é meu. Sempre quis um quarto com varanda, aqui pensando na vida , e em você , penso que toda casa precisa de uma varanda para podermos respirar e olhar para a lua e fumar em paz. Eu não fumo mas ...
To aqui pensando como era a vida antes de você , como eu vivia , comia, dormia, , como vivi todos esses anos, toda essa vida , sem a sua imprescindível presença.Como pude viver todo esse tempo sem saber de você . È como se passado não existisse , como eu era , tento mas não consigo lembrar , se eu pudesse relembrar o que era eu poderia retomar a rotina dos meus dias.Parece não haver caminho antes de tudo, não tem rastros, só existe que vai trilhado .Estou condenado a sair da imobilidade, seguir.
Se não sei o que fui antes de ti, o que virá me deixa ainda mais angustiado , as coisas só se concretizam só se tornam definitivas depois de pronunciadas , então pronuncio seu nome espero a sua personificação, uma aproximação tão desejada e tão temida.
Todas as vezes que tento te dizer algo pareço piegas , frases quebradas que ficam pela metade, as vezes as conversas não tem sentido algum.
Sinto necessidade de ser sincero com você o tempo todo, sei que isto te confunde . Falo o que penso , e você pouco fala, fica muda ou ri. Muitas vezes seu riso também me confunde , pareço tolo demais, um tolo que não lembra quem foi, somente o desejo de ser .
Mergulho nos seus olhos castanhos, sempre me parece com uma voz rouca de quem esta sempre com sono, sinto um aprofunda falta de você , só sei que dói .
Às vezes não tenho a certeza do que sou , ou serei, essa duvida vem quando me perco no seu beijo , quando me comporto como um menino mimado e quero você perto de qualquer forma , ou quando fico indeciso diante de situação que resolveria a alguns meses atrás sem problemas, você me bagunça ...
Me perdi na seu riso jocoso e nos seus olhos e no mexer dos seus cabelos.
Sabe eu queria simplesmente agora estar com você aqui nesta varanda .
As paixões mais bonitas são aquelas que nunca são vividas. È ser sem estar . Uma paixao descabida ... que me desnorteia .
Bjos meus .
Neide Ponzoni

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Planejando

Boa Esperança — Toda vez que chego em Boa Esperança tenho um ritual particular, vou ate uma igrejinha acendo vela, rezo, fico olhando o altar cheio de santas com olhares tristes, não sei porque mas fico ali, quando saio tenho sempre a certeza que elas vão zelar por mim, um ritual católico para quem não é mais . Agora sou adulta não deveria estar presa a nenhum dogma, mas faço entre tantas coisas mais, depois ando ate uma escada de madeira que dá acesso ao lago de furnas, a madeira esta envelhecida debaixo de Jatobá resiste ao tempo, sento e penso na vida.
Sempre que paro ali , sinto uma profunda falta de alguma coisa que não sei o que é. Sei só que doi, doí. Algo parece não ter remédio.Existe sempre algo coisa ausente que me atormenta, e se torna nítido quando estou nesse lugar. Algo que não consigo pegar ou ter, mas não sei o que é, algo sempre me falta — o que as vezes eu penso ser Deus, amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sinto sede, faz parte da vontade de saber isto me atormenta, mas estranho sentir assim todas às vezes .
Ali olhando aquele mundaréu de água, penso na minha vida, na minha paixão pelo mundo e pelo tempo, algo naquele lugar me absorve .
Na capela rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois de caminhar sentei na escada, e inicia o ritual anual, analisei 2011,ano difícil quantas vezes quis expurgar as dores mais sombrias, os pensamentos mais imperfeitos, as saudades mais doloridas, estes sentimentos martelaram em minha mente como uma enxaqueca que chega sem aviso numa terça-feira de sol, quando você tinha planejado ser feliz.Tentei e procurei esquecer certo peso em meu peito, cenas e sensações que me torturaram. Em vão, por muitas vezes fechei os olhos tentei não sentir, mas como um flash, repetiam incessantemente diante de minhas retinas cansadas de chorar. Chorei muito em 2011 , mas a dor eu transformei em força , passei o terremoto mas não sai ilesa.
Consegui também em 2011 o meu polisipo , uma pausa na dor, vivi momentos belos e lúdicos.
Ali sentada na madeira velha, pensei nos meus desejos e vontades não realizadas e também realizações não planejadas, a vida não vem com manual de instrução , passo –passo não existe.
Após analisar os erros , claro os erros aparecem sempre primeiro martelando a mente , ai traço um ano desejado, tento não repetir as vontades, algumas gritam (eu vou estar não adianta fugir).
Lembrei dos desejos não realizados , é como remexer papéis, lá estão amassados mas consigo ler , no sei se quero tentar.
Mentalmente traço o ano, rio pois , algumas metas não vou lutar por elas, mas estarão lá. Faço uma lista mental, tento organizar, me concentro, ai vem uma música e rouba o pensamento , me perco no presente.
Tentei conferir o passado e organizar o futuro, mas o presente me chama , uma garoa fina começou a me molhar , uma garça me distraiu , me esforcei e planejei.
Levanto e caminho de volta para casa , ano iniciado.Sei que voltarei no janeiro próximo espero saber o que procuro.
Neide Ponzoni
Bjos meus.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A nova mulher e a moral sexual.

Alexandra Kollontai
(1872-1952)
A mais destacada dirigente feminina da Revolução de Outubro de 1917, na Rússia, responsável pela elaboração da legislação revolucionária do Estado Soviético que, pela primeira vez na história, reconheceu e impôs a igualdade de direitos entre os sexos .

Ao ler A nova mulher e a moral sexual de Alexandra Kollontai percebo aprofunda critica á duplicidade de valores sobre os quais se estruturam ainda as relações pessoais tradicionais. Kollantai viveu o fôlego da revolução comunista e foi grande precursora das idéias feminista da década de 60, não é por acaso que seus escritos são inspiradores e de leitura obrigatória para as mulheres militantes até hoje.
Mulheres militantes, que buscam construir uma ética libertaria nas relações afetivas e pessoais. E que acreditam que transformar radicalmente o mundo só será possível se as mulheres forem, com igualdade, sujeitos legítimos desse processo.
Um processo de construções de novas relações , onde enfatiza a importância de se fazer todo o estofo sobre o qual se fundam as relações afetivas . Repensar o amor e a sexualidade sobre novas bases , fundados no respeito mutuo, no companheirismo, “na liberdade absoluta , por um lado de igualdade e verdadeira solidariedade comum entre companheiros, por outro’ , sabendo que a transição e a ruptura com a moral tradicional exigira um longo período e uma dedicação sincera a esse lado da transformação social.
A separação entre a vida publica e a vida privada é um dos elementos mais importantes na conformação dos valores, do modo de vida , em conflito com o projeto radical de igualdade entre os gêneros.O descaso pelas questões de transformação pessoal, a redução de visão do horizonte de luta política , sem incorporar um serio questionamento sobre os valores morais que são lhe impostos e não saber os porquês do reforço da dominação masculina e os privilégios que são dados na vida publica e pessoal.
È necessário considerar que apesar de toda modernidade não existe novas formas de revolução no amor e na sexualidade feminina, ainda se tem o padrão estabelecidos pela moral arraigada e castradora a séculos e alimentada por meios de comunicação, que cegam e punem , oprimindo o gênero e também por classes.
Faz se importante que o movimento seja de romper com a mentalidade ainda patriarcal , romper com o papel subordinado das mulheres , em particular no que se trata da sua sexualidade e abortar todas asa formas de dominação entre os sexos..
A uma nova mulher precisa criar novos valores morais e sexuais , destruir os velhos padrões e princípios nas almas daquelas que ainda não se aventuraram a empreender a marcha pelo novo caminho. São essas mulheres que devem romper com os dogmas que as escravizam.
Para que aconteça este movimento de ruptura, a mulher trabalhadora entende-se muito alem do própria existência . As mulheres trabalhadoras e militantes deve trazer ao debate sua criticidade e inteligência para destruir velhos mitos e ídolos que hasteiam o estandarte da subordinação , trazer verdades a luz dos olhos de suas companheiras contra o espírito da dependência que lhe é ofertado por séculos. Reintegrar da individualidade e ser capaz de superar as tendências herdadas por suas mães e avós.. que prendem e pesam muito sobre suas almas, estes pensamentos só poderão ser superados quando a mulher moderna converter-se como sujeito da sua própria historia.
È um desafio tentar convencer os companheiros de luta que as mudanças nas questões da vida privada, do comportamento , da sexualidade, do amor são partes imprescindível na busca de uma sociedade mais igualitária. , tenho esperança ainda de renovação nesse projeto de vida.
“Neste período de transição, a idéia moral que determina as relações entre os sexos não pode ser o brutal instinto sexual, mas sim as múltiplas sensações do amor-camaradagem experimentadas por homens e mulheres...... "
Alexandra Kolantai

domingo, 15 de janeiro de 2012

Desejo .

Vista-se de mim... Percorre meu corpo com meus lábios nus
Com o teus beijos,
Percorre a minha pele tecendo
as tuas mãos em cada recanto do meu corpo
Desliza no meu íntimo
Invadindo os meus segredos,
Neles guardarei um pedaço de ti
No meu intimo ainda há por revelar...
Adormece em meu sonhar
Sentindo o liquido do meu corpo
Percorre meu corpo com o marrom dos teus olhos
Soletro versos esquecidos
Na penumbra do teu sentir
Deito o meu corpo nu
Nesta espera infinita da sua vinda !

Neide Ponzoni
Bjos meus.

Rumo.

Rumo....
Era uma noite quente . Dessas noites em que não há vento , quente esta o corpo e a alma., uma lua imensa clareia a praia. Tudo esta deserto o som dor quebra o silencio o mar estava bravo.Caminhava pelo praia a procura de um porto seguro ou uma nova história. Um novo rumo, via as luzes da aldeia ficando cada vez mais longe estava só procuro novo porto, uma pagina nova . Caminhava, seus passos estavam cansados não seguiam a lugar algum.
Caminhava sem noção do distanciamento , a lua era a única companhia. O seu pensar pesava em minha alma. Alma solitária não era alma e sim algo solto no ar, como um balão de gás flutuando no azul aveludado do céu de verão, vagando sem importância. Caminho sem rumo, a caminho qualquer, sem passos, sem pressa, seguindo o ar.
Tinha que decidir sair ou ficar. O caminhar já se tornava cansado.
Sentou na areia a vida passava em câmera lenta....
As tristezas estavam estabelecidas ... caminhou em direção ao mar , as ondas lhe batiam forte no corpo muido .
Seria doce morrer no mar, mas nadou a ate a praia. Caminhou ate a aldeia iria recomeçar. Isso é o que faria.

Neide Ponzoni
Bjos meus .