Sou multilpla. Mas dentro de mim tem Giovanna e Arthur .E eu estou dentro de outras vidas e outros nomes: venho depois de Neiva, já a carrego dentro e a simbiose existe , vim antes de Amarildo jeito rude e amoroso . Daí vivo compondo, compositora que sou. Composta pelo O ( negativo ) e persistência do Fabiano e os olhos inchados e pernas grossas da Nilda .Me revolto como a Nelma e o Carlos e sou pacífica como a Silvanea e o Fabio .Observo como o Rodrigo .Rezo e acredito na divindade como a Totonha . Outros também me compõem - sou composta pelos que estão e pelos já partiram .Bjos Meus Neide Ponzoni
quarta-feira, 19 de janeiro de 2022
terça-feira, 18 de janeiro de 2022
De 1990 para 2022
Existem situações absolutamente anormais que acontecem comigo .Estou de ferias e nesta época gosto de andar ideia genial para uma sedentária . Estou descendo Interlagos sem mascara ( não pode ) , bufando pois , pra ir até o Laginho foi fácil agora voltar ...Só por Hercules ... ouvi um grito no transito . Neide . Deveria estar entrando em coma, quem iria me gritar . - Neide , para . De repente , assim que atravessei faixa , um carro parou no posto . Eu conhecia aquele sorriso e aqueles olhos , apesar da barba e o cabelo grisalho . Meu cérebro fdp me levou pra 90. Como pode lembrar tão rápido . Fui acariciada com a lembrança de 90/91 enquanto ele vinha na minha direção. Ultimo dia do ano de 90 . Estava sozinha em casa . A luz acabou após uma forte chuva .Estava demorando muito pra voltar peguei uma vela uma taça , uma garrafa de vinho e sentei na calçada . Algumas vizinhos também fizeram isto em frente suas casas .Eu tinha “ fita cassete do The Smith e um WalkMan “ chique pra época “ coloquei e ali fiquei . De repente ele veio sentou e ali ficou ... ele um menino preocupado com vestibular e com a namorada e eu quase mulher preocupada com as contas de janeiro . Ouvimos , bebemos, rimos e parecia que algo ia acontecer .... mas ficou pra lá ... para depois e o depois não veio .Faltava pouco para 24 hs a namorada brava o gritou em alto e bom som que era para entrar e ele foi .... algo ali não foi completo . Eu e a minha solitude entrei meio bêbada em uma nova década . Agora ele estava ali . Não parecia tão mais jovem ... veio me abraçou e deixou seu cheiro em mim .E disse você ainda andava igualzinho .... Respondi rindo que desde que aprendi andar . Trocamos muitos anos de distancia em 30 mim . E percebi cada sentimento e reações nos olhos dele . Agora era um homem completo, família feliz , filhos , esposa , cachorro . Falei um pouco sobre os perrengues , minha incompletude , mas o que o que assustou e que era casada e tinha filhos quem podia imaginar, uma algo tão improvável ... cadê a nerd , sentimentos livres , sonho de amor libertário. Morreu .... Rimos e tentei explicar como fiquei babaca .Reclamei da dor na panturrilha de andar e da velhice aos 50 . Ofereceu carona mais estava a 500 m de casa ( dei a dica ) dava conta de andar. Nos despedimos ... Antes de ir ele disse que melhor vinho que tomou foi de 90/91. E que era o sonho de consumo . Eu dei gargalhada a nerd sonho de consumo ????? E mais que perdemos uma boa oportunidade com a falta luz . Ri de novo . O menino virou homem . E a mulher virou mãe . Pediu minhas redes sociais . Neide Neves né . Sorri que sim . E ele foi embora . Quando atravessei a portaria percebi que não era mais a Neide Neves há muitos anos . Gostei do encontro trouxe a lembrança boa , percebi somente o sossego ainda me cansa , clamo pelo dinamismo, pelas mudanças, pela sobriedade, pela esperança. O que há de irremediável não se cura com placebos. Se eu rejeito é porque não quero. Minhas ambições são apenas estar com a roupa adequada para quando eu sumir nesta estrada , nunca Mais sentir que minha intuição e o meu coração estão desagasalhados...Bjos Meus . Neide Ponzoni
sábado, 15 de janeiro de 2022
Alfabética
Eu tinha mais ou menos cinco anos e eu era toda felicidade: percebi que podia enrolar a segunda perninha do meu N num caracol de vertigem, uma boniteza sem fim. Enrolava bem fininho até onde minha coordenação de criança pequena dava, mordendo a língua de lado com o esforço bom. Desse dia em diante nunca mais larguei a escrita . Pedaços de telha , tijolo , adobro e carvão. Eu sabia escrever e ler . Virei pixadora , meu nome e palavras estavam nos muros perto de casa e meu pai me ensinou a contar as carreiras de tijolos nas pias cobertas por sapê. Ler , escrever SOMAR .E segui . Desse dia em diante o tempo passou tanto que eu descobri um monte de coisas, virei gente adulta, consegui emprego, filhos , dissabores. Mas ainda tenho aquela mesma felicidade escrevo meu nome a lápis. Bjos meus Neide Ponzoni
Escrever .
Queria poder escrever sobre a casa que pintei de laranja que implodiu meu coração e não soterrou nela a crueldade disfarçada de amor de quem a comprou. Queria poder escrever sobre o amor desbotado que sobrevive às paredes pintadas e aos móveis caros porque os filhos são pequenos , ou sobre aqueles que pensam que amam e se acham perfeitos . Queria poder escrever sobre os olhos molhados de mar da menina que contempla a grandiosidade das águas salgadas em suas fotos guardadas. Queria poder escrever sobre a artista que borda delicadezas ao redor e quer ficar no silencio e os adorna suas pinturas com cores escuras , tem a melancolia como sua grande meta a ser vencida. Queria poder escrever sobre a separação desastrada de um casal que ainda se amava e precipitou uma bifurcação em suas novas estradas. Queria poder escrever sobre a menina que desabrochou da maneira mais pura e genuína e descobriu que o mundo machuca e quase enlouqueceu. Queria poder escrever sobre o abraço que eu não te dou pois tenho medo de toque.Queria poder escrever sobre a mensagem de desespero que pedia conselhos sábios e que não pude responder com meus conhecimentos flácidos sobre os amores que vão . Queria poder escrever sobre as saudades que invadem pensamentos e sinto até o cheiro .Queria poder descrever o prazer de ver sorrir quem eu gosto. Queria escrever sobre as mulheres que querem ser meninas .Queria poder escrever sobre a tentativa de esquecer que um novo ano começou e que ainda nada, absolutamente nada mudou. Queria poder escrever sobre a agonia de nunca ter apaixonado .Queria poder escrever a palavra escondida para desatar o nó que não deixa descomplicar a vida. Queria poder escrever até amenizar a vontade de ser outra em outro espaço. Queria poder escrever sobre o romance clandestino e virtual, sobre o aquele desejo de viver um sonho real uma amiga me contou e tem medo . Queria escrever sobre a capacidade de chorar nas entrelinhas de um bilhete colorido. Queria poder escrever a minha vontade de conhecer além do avatar de tantos e tantos amigos. Queria poder escrever sobre o que não pôde ser escrito. Queria poder consertar, encher de alegria e renovar tantos corações partidos .bjos meus Neide Ponzoni
Se eu fosse mais egoísta teria te pedido pra ficar mas deixei você livre .
Se você fosse mais indecisa teria voltado atrás , mas após apagar o contato o bloquei para não sentir.
Mas a vida me forjou a pedra e fogo ,e não sei simplesmente estar sem ser .
Se eu fosse mais possessiva teria tentado te bastar, enlaçaria em você , iria expor ao cantos que você me amou ... Se você fosse menos teimosa teria se deixado me levar o corpo , pois levou o sonho .
Estou de longe porque sei que está lá mesmo não o vendo sorrindo numa vida perfeita de comercial de férias .
E porque você sabe para onde voltar se um dia quisesse .
Mas nossos medos são outros , maiores que todos os monstros da felicidade e se ... E nos deixamos silenciar. Bjos Meus Neide Ponzoni
Tristeza
É impressionante como as pessoas só nos aceitam felizes .Certas tristezas são muito discretas. Seus hematomas são familiares, suas fraturas não são expostas. E, de tão explícitas, pouco se mostram, fica melancólica, distante, quase indiferente ao resto de tudo. Eu sei que não vai passar, mas naquele momento não acredita: de tão inapetente, apenas contempla saborear a escuridão cobrindo o mundo. É dor que dói em silêncio sem o alvoroço da aflição: espécie de tristeza concisa, o cansaço prematuramente perdoado. A vontade de se recolher . Afasto me para tornar o que os outros não desejam . Ninguém quer ninguém triste por perto a tristeza é solidão . Bjos meus . Neide Ponzoni
Afundar !!
Fiz do lugar onde me amava meu mar
E à nau do meu corpo dei tua mão como guia
Soltei velas e cabelos
A cabeça a flutuar
Não havia farol nessa aventura
E fui de peito aberto contra o rochedo
E você sorria
Enquanto me via afundar ... bjos meus . Neide Ponzoni
Poeira
Eu queria dizer que andei ausente
Porque andei ocupada e por isso não escrevi travei numa virgula há tempos.
Então aproveitei o tempo pra faxinar minha casa
Mas a poeira já rola como pequenas bolas de feno no deserto
Eu queria te contar das coisas que li
Mas as paredes ainda esperam pelos ganchos das plantas que queria ,
Eu queria te dizer que também senti saudades
Mas senti saudade de mim ... o blog parece abandonado mas , todos os dias venho visitá-lo na esperança de que
as palavras finalmente voltem do coma. Bjos meus . Neide Ponzoni