Vamos ficando mais calmos,
mais nossos,
mais sozinhos e tudo bem.
Não é ausência, é presença em outra forma.
É o silêncio onde antes havia risos altos,
é o cinema em uma poltrona só,
o show que agora assisto de olhos fechados,lugar escolhido sozinha
porque a música toca mais dentro do que fora.
Vamos perdendo gente no caminho
não por falta de amor,
mas por sermos diferentes. Ideia distintas ,
Já não cabe todo mundo no mesmo brinde.
O vinho que antes passava de mão em mão hoje é taça única,
lembrança vaga de um amor que foi,
ou de uma amizade que, por um tempo,
foi casa.
A gente tenta manter, mas cansa.
Cansa explicar, cansa insistir.
E um dia, simplesmente, deixamos ir.
Os que ficam, ficam porque não exigem tradução.Sempre pergunto porque quanto tempo ficarão ?
Porque ainda entendem no olhar cansado,
no silêncio confortável,
na ausência de performance.
As conversas diminuem,
mas ganham densidade.
Os encontros escasseiam,
mas são verdadeiros.
E quando bate a saudade
daqueles tempos,
daquelas pessoas,
daquela versão de nós não dói.
É só memória viva,
que nos visita com ternura, e parte em paz.
Porque mudamos, e que sorte a nossa
sermos seres capazes de se refazer,
de se respeitar, de seguir… bjos meus . Neide Ponzoni