domingo, 14 de setembro de 2025

 Vamos ficando mais calmos,

mais nossos,

mais sozinhos e tudo bem.

Não é ausência, é presença em outra forma.

É o silêncio onde antes havia risos altos,

é o cinema em uma poltrona só,

o show que agora assisto de olhos fechados,lugar escolhido sozinha 

porque a música toca mais dentro do que fora.

Vamos perdendo gente no caminho 

não por falta de amor,

mas por sermos  diferentes. Ideia distintas , 

Já não cabe todo mundo no mesmo brinde.

O vinho que antes passava de mão em mão hoje é taça única,

lembrança vaga de um amor que foi,

ou de uma amizade que, por um tempo,

foi casa.

A gente tenta manter, mas cansa.

Cansa explicar, cansa insistir.

E um dia, simplesmente, deixamos ir.

Os que ficam, ficam porque não exigem tradução.Sempre pergunto porque quanto tempo ficarão ? 

Porque ainda entendem no olhar cansado,

no silêncio confortável,

na ausência de performance.

As conversas diminuem,

mas ganham densidade.

Os encontros escasseiam,

mas são verdadeiros.

E quando bate a saudade 

daqueles tempos,

daquelas pessoas,

daquela versão de nós  não dói.

É só memória viva,

que nos visita com ternura, e parte em paz.

Porque mudamos, e que sorte a nossa

sermos seres capazes de se refazer,

de se respeitar, de seguir… bjos meus . Neide Ponzoni 

 Outro dia ouvi uma fala : sempre que escolher o novo o velho vai tentar manter permanente “ Sempre que escolho o novo,

o velho faz cena.

Promete bolo no fim da festa,

Ou aumento no fim do mês,

viagem no fim do mundo .

“Fica”, ele sussurra,

com voz de conforto que prende.

“Pra que mudar, se já tem teto,

se já tem chão,

se já me tem aqui?”

Mas o teto pesa,

e o chão já não canta sob os pés.

É conforto de prisão,

é abraço de costume,

é amor que só te vê quando sangras 

e chama isso de prova.

Por que só te valorizam

quando doer em ti mais do que neles?

Por que tua entrega precisa doer

para ser crida?

Como se o amor só fosse real

se fosse ferida aberta

e não escolha viva.

O velho insiste:

"Fica, prometo mudar."

Mas a promessa dele

nunca vem antes da tua partida.

Só depois.

Depois do "não aguento mais",

depois do silêncio,

depois do choro em segredo.

E ainda assim,

você quase volta.

Quase cede.

Quase crê.

Mas o novo não grita,

o novo sussurra.

É leve,

assusta pela paz.

É terra onde ninguém sangra pra ser visto,

é laço que não aperta,

é caminho que floresce.

E você vai.

Mesmo com medo.

Mesmo com o velho fazendo cena.

Porque aprendeu:

permanência sem alma

é só repetição com nome bonito.Bjos meus 

Neide Ponzoni 

sábado, 6 de setembro de 2025

 Assumir minha fé foi como abrir um portão antigo,de ferro batido e história esquecida.

Atrás dele, cantos que não sabia, cheiros de ervas que limpam a alma e 

 uma dança que gira o mundo no sentido certo.

Não entrei por acaso , nem por susto.

Entrei porque fui chamado e quando Exu chama,a alma reconhece o caminho antes dos pés.

Mas aqui fora…o preconceito se esconde, ofende rindo , se mascara de preocupação,de “cuidado com essas coisas”,

Ignoram que o tambor é coração batendo em terreiro,que o orixá não pede medo, mas respeito,que cada guia que me acompanha já viram mais do que mil livros poderiam contar.

Carrego no peito o axé dos meus,

e nos ombros a poeira de quem andou antes de mim.

Porque ser de religião de matriz africana

é rezar com os pés no chão e os olhos no infinito.

É falar com os mortos para viver melhor com os vivos.

Peço ao povo da encruzilhada: me fortaleça.

Firmem minha fé quando a dúvida for sombra.

Orixás da minha coroa,sejam olhos para aquilo que ainda não vejo.

Recolham os ataques escondidos em sorrisos,limpem com arruda as palavras travestidas de cuidado,

e me cubram com a força ancestral

que não se explica se sente.

Eu sou de onde o vento gira e leva embora a mentira.

Sou da força que vem do chão,

do canto que cura,

do silêncio que escuta.

Sou de fé preta, de raiz funda.

E se incomoda,

é porque ainda há muita ignorância se fazendo de luz. Neide Ponzoni