sexta-feira, 5 de dezembro de 2014


 

La vem você de novo .

Mãos no bolso óculos de sol .

Peço nem chegue perto .

Não posso ver nada de  muito perto saia do  meu campo de visão .

Tenho astigmatismo meus olhos lagrimejam quando algo está muito perto .

Não se aproxime com esse cheiro , que  depois fica martelando no meu cérebro .

Não me toque tenho aversão a abraço , ainda mais quando o corpo encaixa perfeitamente no meu  e minha cabeça fica próximo ao  peito .

Não coloque suas mãos no meu rosto .  Sabe que gosto de mãos .

Por favor não  tire os óculos não quero ver seus olhos marrons .

Não ria , pois foi esse riso torto que me fez te beijar .

Não me chame de nega .

Afff la vou de novo .

Bjos meus ......

Neide Ponzoni

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014


Minha conversa com papai noel

-Então vamos começar. Como deseja que eu fale ou você começa.
-Pode falar papai Noel  . Fiz tudo certo este ano e mereço o que peço.
- Será ? Vamos começar pelo profissional. Onde esta sua compreensão? Eu vi você pensando em dar uns tapas naquela criança que se jogava , gritava e chutava a professora .
- Viu é ? Que bom então viu que a acalmei .
 - Mas por dentro queria mesmo e dar lhe uma surra .
- Mas não dei . Ponto pra mim .
- Não senhora menos um ponto vale o que sente .
Vi  seus vídeos pelo whats nada construtivos .
- Como assim nada construtivo . São vídeos pedagógicos ensinam muito. Ajudam ter compreensão do mundo.
- Sem palhaçada dona Neide . Menos um ponto você . Seus vide-os e textos desvirtuam suas amigas .
 - E no facebook suas postagem também são desconstrutoras .
- Que ? Acho que está com tempo de sobra pra ficar vigiando minhas redes sociais. Vejo tudo seu comportamento  e está inadequado
 -Tá bom , mas como mãe sou boa .
- Às vezes . Tem algumas ações improprias. Ama demais.
- Como esposa tô bem  , disso eu tenho certeza.  
- Precisa muito melhorar . Cade a paciência ? O que tem demais seu companheiro assistir tv , ver séries e futebol o tempo todo ? E outra coisa sentir desejo por outro é furnicaçao .
- Que ? Essa palavra nem existe mais .
- Eu sei . Eu vi .
- Viu o que ? Me poupe nem desejar posso . Se liga .
 - E as reclamações diárias ?  Reclama do transito, do calor, das burrices, da chuva , do trabalho .... . Você se queixa muito .
 - Certo,  vai você pegar a Av Guarapiranga todo dia . Você pelo que eu saiba anda num  treno que voa . Você voa cara , não me enche .Agora  gente burra me irrita sim . Afff não posso me queixar que esta frio, quente, do sol e da  chuva. Eu estou achando que você e um reacionário e um  porco chauvinista .
- Que isso ! Eu que vou te julgar e mostrar seus erros . Estou aqui para te orientar e  para ver se merece ou não o que pede .
 - Chega não quero nada seu me dá esse pedido ai . Eu me viro .
 - To lendo seus pensamento cuidado com os palavrões . Outro grande problema seu .
 - Olha aqui papai Noel você  só da presente pra quem e perfeito né . Vai se fuder .Outra coisa sua mulher e feliz ?
 - Sim muito .
- Então fica esperto,  ela deve estar dando para algum duende . Ninguém pode ser feliz junto com alguém tão chato . Deve estar sendo bem comida por outro . E outra enfia esse pedido e conselhos no .. -?
_ Olha a boca .
 - Passar bem ,  vou ao shopping ver se compro um pouco de paz .
 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ontem, R. chorou antes de dormir. Chorou por falta de qualquer emoção, o peito estava vazio e a conformidade a entristeceu. Ao olhar pela janela antes de dormir viu um céu sem estrelas , um abafamento que doía seu peito. As vezes seu coração fica ruminando o que o machucou ,fica descascando a ferida impedindo que a mesma cicatrize, fica lá contando os pontos e não deixa que forme nova pele. Após o choro miudo , sem grande alvoroço para despertar comentário ficou acordada pensando como disponibilizar um espaço dentro dela , como mudar , como deixar de ser subserviente a um sentimento gasto e roto. Como continuar vivendo tempo integral sentindo algo por aquele que a trata como algo descartável , como viver e conviver com coisas pela metade. Após o choro e a noite insônia era hora de levantar . R . respirou fundo era necessário investir no sossego do próprio coração sofrer, gritar, chorar, e para crescer...R. saiu o mundo la fora vivia , dentro dela ainda tinha um pedaço do outro. E mesmo assim foi....
        Bjos meus Neide Ponzoni

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

De ter amigos eu gosto porque preciso de ajuda pra sentir, embora quem se relacione comigo saiba que é por conta-própria e auto- risco. Tenho uns que sempre estão aqui e agradeço a Deus por tê-los .
Eu nunca fiz amigos tentando ser interessante. Todos os amigos mais íntimos que fiz foi porque me interessei verdadeiramente por eles: me interessei pelo que doía, pelo que o fazia gargalhar, pela forma como banalizava histórias tristes, pelo jeito que dramatizava fatos aparenteme...nte banais...
Tudo o que eu sou eu devo ao que fui, a minha criação, ao que me doeu longamente, às alegrias que tive, às pessoas que conviveram comigo, aos valores que me passaram e ao que transcendi.
Tenho tanta Consciência da importância do Outro na minha vida que digo que sou viciada em gente: com seus problemas, suas virtudes, sua simplicidade ou complexidade, com sua disposição pro amor ou a sua dificuldade de. Porque eu sempre vou encontrar casa numa característica, qualidade ou defeito do Outro_ tudo é instrumento para que eu me trabalhe quando me deixo vir à tona através das projeções que faço nele...
A honestidade sempre salvou as minhas relações e me permitiu ser amada sendo quem eu estava, porque somos o que estamos.
Depois descobri que a gente se desilude com amigos sim, mas que isto faz parte da vida e que a parte mais importante é o aprendizado e o espaço que fica para o perdão...

Bjos meus
Neide Ponzoni




Quando lembramos dos contos de fadas , o bem e o mal aparecem bem distintos , bruxas más e fadas boas .
Em Malévola isto se desmonta , o filme é infantil, sim, até mais do que eu esperava. Porém surpreendente. Ele conta a história da fada Malévola desde sua infância, passando pelo fatídico momento no qual ela amaldiçoa a princesa Aurora e continua um pouco após o famoso beijo do despertar. É inevitável torcer por ela durante a trama, olha que não gosto muito desse negócio... de humanizar personagens vilões , mas o filme mostra mesmo que superficial a vida da “fada” Malévola e nos faz compreender e descobrir novos relatos da relação entre ela e a Bela Adormecida.
Malévola é uma mulher forte que nega o amor idealizado, acredito que a síntese da obra refere a isso sim , ao poder que temos e muitas vezes nossas asas são cortadas .
O poder de Malévola não estava só em suas asas , ela é traída e descarrega todo poder numa vingança passional , claro depois se arrepende .
O filme me deixou pensativa , serve para discutir sobre a dualidade entre bem e mal, herói e vilão e ambos se confundirem.
Malévola me surpreendeu , exprime com alguma eficiência os conflitos internos da protagonista.
O misto de ódio e amor que habita a fada e como paixão pode conduzir ao mal e vice-versa. É muito bom ver a Disney desconstruindo estereótipos, trabalhando os velhos contos com uma abordagem feminina que transcende o “somos donzelas indefesas à espera de um homem para nos ajudar”. As mulheres desses novos trabalhos mostram que podem sim caminhar com as próprias pernas e que não precisam ser inimigas. O amor romântico cai do seu posto soberano, já que as relações entre os personagens não se focam mais exclusivamente nisso.
O final, sobretudo, me surpreendeu; Sim, foi lindo.

 

Bjos meus
Neide Ponzoni

quinta-feira, 13 de novembro de 2014


Alguns homens  pra mim são mulheres!
Máxima que aprendi , não deve,  não pode .....com alguns homens  não se mexe. Questão de honra. Fale mal dos outros, seja mal-educado, não respeite os mais velhos, mate, roube, não ame a Deus sobre todas as coisas, mas... nunca, nunca deseje o homens impossíveis.
Nunca fiz isso em toda minha vida. Nunca. Quando uma amiga  me apresenta seu namorado ou esposo, pra mim é como se ele fosse uma mulher gostosa. Pensar em algo íntimo me causa repugnância.
Mesmo quando é ele. Mesmo quando é aquele desgraçado. Mesmo quando me lembro daqueles olhos negros profundos e perturbadores. Mesmo quando vejo em minha frente aquela boca úmida, repleta de desejos e promessas proibidas. Mesmo quando ele surge com aquele perfume e faz com que todo o resto da existência não seja mais que um simples sopro. Mesmo quando ele diz meu nome com aquela voz que se prolonga meus sonhos adentro. Mesmo quando ele passa e me viro pra observar seu caminhar em movimentos .
Juro, nem olho pra homens impossiveis! Mesmo quando é aquele vagabundo. Que me diz com olhos doces coisas que uma boca nunca usaria dizer. Que me nocauteia com seu silêncio cheio de insinuações e convites. Que não olha pra mim enquanto sinto sua atração por mim me queimando em brasas. Nunca, nunca o desejei. Nem mesmo a olhei, juro por Deus.
É...
Homens impossíveis  pra mim são mulheres!
Bjos meus!

Neide Ponzoni

OBS: medicação não esta em dia kkkkk

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Acordar .



Estava ali, deitada na cama e imóvel, já havia algum  tempo..

Amanhecia e eu não queria que fosse outro dia.

Era outro dia , o tempo senhor malévolo não parou para ouvir minhas inquietações Fica ali pensando nos meus dois mundos .

Sou dois universos.

O primeiro é composto por multidões de eus. Eus, para as várias pessoas que fazem parte dele. Inúmeros mundos. Milhares de números. Onde dias e  horas são cada vez mais breves.

Outro segundo mundo,   quieto me  observa. Um mundo visto por todos,  sou única., transparente ... certa do que quer.

Fico ali pensando o que vou ser neste dia.

La fora a vida começava .

Eu encaro  o teto, pensando em um milhão de coisas ao mesmo tempo sem se focar em nenhum pensamento em específico. Isso dava a contraditória sensação de que não estava pensando em nada.

Na verdade estou sufocada com um monte de nada embolado na sua garganta. Pedindo para sair em um grito ou em um jato de vômito, tanto faz. Minha mente inquieta pensava nada.

Pela fresta da janela o sol também surge. Era sexta-feira mais um dia para correr.

Não quero levantar,  quero ficar ali , olhando pro teto vendo os raios de sol formarem figuras estranhas  .
Naquela sexta-feira penso que,   o  mundo que vivi  até aquele então  não satisfaz  mais. E insuficiente. E pequeno . E limitado. E finito.

Sento  na cama . Me jogo par fora dela.  Entro no banheiro meu rosto meu rosto refletido traz  olheiras e os lábios um tanto descorados. Não aguento mais nem a mim mesma. Ouço o barulho de despertar .

Meu filho grita “mamãe ... meus olhos acordaram .”

 Aí meu mundo de ser única acorda também e respondo .. to indo amor...

Bjos meus.

Neide Ponzoni

 

 

 

Melancolia ..........



 Me ajuda que hoje eu tenho certeza absoluta que não sei quem sou .
To parecendo Pessoa e Virginia Woolf naquelas aflições infinitas .
To achando que em outras vidas fui um filósofo angustiado , ou talvez um cético enganado pelos búzios, pelas cartas, pelos astros, pelas fadas.
Me puxa para fora desse túnel, me mostra o caminho para baixo da quaresmeira em flor.
Livra me da minha cabeça tonta , livra me dos meus pensamentos inquietos , preciso sair de mim e respirar aliviada e por um instante não ser mais eu, porque hoje não me suporto , nem me perdoo de ser como sou, sem solução... ser aflito preso ....

Bjos meus .
 Neide Ponzoni
 



 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Esse desejo espesso


 

Aprendendo ....

Com o tempo eu  aprendi sobre a dança da vida , mas precisamente sobre esse  jogo  que muitas não é limpo.
Aprendi a  enfrentar alguns  outonos de  manhãs indóceis, e tardes ensolaradas.
Aprendi a cair no choro e desatar o nó da  garganta e sentar na rua chorar cachoeiras enquanto todos passam pensando que você é louca.  

Entrei em noites escuras  apenas cm a esperança de fosse rápido e  adormecia minhas angústias cantarolando uma  música tão desbotada.

 
Acordei com ceu azul  e canto de pássaros na janela  inundando toda a casa e tudo  parecia tão sagrado que eu desviava o meu olhar da do
Aprendi sobre como a escuridão pode ser suave aos olhos e  de como certas chuvas podem ressecar por dentro
Então escrevia e compartilhava o  texto este que é o suor íntimo e fértil , e  fui me desapegando do desamparo pela primeira vez na vida eu via uma coisa bonita e palpável nascer.

Aprendi a cuidar deste solo seco e a relatar sonhos enquanto abria as janelas da casa. Aprendi a dar outros nomes pro abandono.

 Aprendi que apesar de toda disposição para mudanças algumas são lentas e sofridas , mas vão ocorrer e  o que me mantem viva  é  esse  desejo espesso...
Bjos meus .
Neide Ponzoni

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Clarice no onibus ....


Hoje passei algumas horas  no ônibus, mobilidade em São Paulo me faz perder muito tempo mas,  hoje revisitei Clarice ...
Guimarães Rosa ( meu DIVO)  que perdoe , mas hoje eu estou com Clarice .
Quem me apresentou Clarice foi um professor de colegial que exigia pro vestibular.
O livro era  A hora da estrela .Eu li e me senti burra , não entendi porque Macabéia não poderia ter um final feliz.  Foi então depois de muito ler,  percebi que eu queria que Clarice fosse igual aos outros com finais iguais aos outros . Ai veio a Clarice e me dilacerou. E eu mesma matei Macabéia .  
Sinto que Clarice me permite ser inadequada , de modo que quando a leio estou lá , querendo me afastar das explicações , das nuances da normalidade  da forca que me arrasta pra um cotidiano rotineiro.
A Clarice  devo uma alegria e espanto. A mulher dos paradoxos e antíteses. Nada e só uma coisa . Ela me alivia , me liberta .
Clarice me fez descobrir o mundo por dentro , não querer o mundo que se perde na superfície. Ela harmoniza minha rara felicidade com a minha breve tristeza e me tornar uma lúcida sensível  que aprendeu a sorrir sozinha .
Bjos meus .
Neide Ponzoni


sexta-feira, 15 de agosto de 2014


 
Se no lugar de nuvens carregadas, o sol.
Se no lugar da ausência as tuas mãos.
Se no lugar dos lençóis, o teu corpo.
Talvez no lugar da distância, a tua presença...
Quem sabe assim as horas não se arrastassem tão devagar, nem eu sentisse os braços tão vazios e a alma desamparada.
Talvez no lugar do nada, o tudo...
 Quem sabe assim não te sentisse a falta... e o silêncio fosse preenchido com a tua voz.
Se no lugar da saudade...você .

 

sexta-feira, 18 de julho de 2014


Sobre Ipes .

                É inverno .

                Minha alma fria atravessa a neblina, empurrando meu corpo dolorido  numa rua longa. Estranho como a temperatura cai ao passar perto lado da represa.

                Entro no ônibus, gosto de olhar além da janela.  O interior do ônibus sempre é  fixa a paisagem, pessoas cansadas como eu .

                Daquela primeira  luz da manha, fixo meus olhos nas minhas mãos que tremem. Odeio os tremores. Eu aperto  minha mão uma  tontura , aperto novamente e solto mão , os tremores continuam.  Paro quieta, não me mexo , meu corpo dói. Olho para as pessoas que entram no ônibus a cada ponto . Fico imaginando que são...  

                Continuo observando a falta de organização, há um excesso de cores e de formas pelo mundo. E tudo vibra pulsátil, fremindo, mas naquele momento ao lado tudo parece parado, assim como trafego na pista ao lado... olho e vejo pessoas nos carros ... quem são?

Então tenho vontade de abrir todas as janelas do ônibus e gritar “ ei você pra onde vai? Já tomou café? Transou antes de sair ? Dou risada da” bobajada”   não abro a janela e nem grito .

                Eu fico então pensando. Me disseram que penso demais... olho pela janela algumas pessoas eu já reconheço , vejo uma mãe que leva o filho pela mão todas as amanhas  sempre entram numa igreja ... um cara com uma camiseta escrita “ eu sou o cara” uma jovem que usa roupas curtas e apesar do frio que dói , la esta ela com seu micro vestido .... Eu sei encontro com eles pela janela do ônibus toda dia. Rotina.

                Ver a rotina é muito chato , então eu levo meus olhos a passear. E como eles gostam!

Eles têm fome de ver. Encantam-se com tudo... E meus olhos encontram os ipes , eles que dão cores a toda aquela bagunça, todo aquele caos  periférico.

                Pela janela percebo sua  cor num amontoado de casas . São os pés de ipê coloridos misturam-se às paredes de concreto e as paredes de concreto às ruazinhas de casas desbotadas  que se desembocam na represa, e outra vez o roxo e o rosa dos ipês e o marrom da terra e o vermelho do bloco não cimentado passam depressa pela janela.

                Lembro que um escritor que adora Ipês , penso num verso ... será que alguém o conhecia...

                Os primeiros raios de sol aparecem e lá estão arvores frondosas  com seu rosa  mostrando para o  amarelo do sol  que existem. ...

                Pintaram tudo de cinza , mas os ipês do inverno trazem  o rosa para quebrar a rotina...

Bjos meus

Neide Ponzoni

quinta-feira, 17 de julho de 2014


Desejos impossíveis.

Tenho uma amiga que desejou  o amigo do marido.

 Um dia começou a pensar nele antes de dormir. Pouco depois, percebeu que não via a hora de encontrá-lo. Não que o cara fosse uma beldade, ela me disse. Era apenas um homem comum que tomava cerveja sem culpa diferente do marido malhado que ela tinha em casa .

 De tanto desejar o cara , ela começou a imaginar que ele também a queria. A facilidade virtual fez desse desejo um encontro diário . De minuto a minuto mensagens e bobagens eram trocadas , risos eram sentidos ... e textos apagados. E muita fantasia ali enroscada.

Ela achou então que o desejo pudesse se consumir, mas, como não era personagem do Nelson Rodrigues, nem a vida dela uma tragédia suburbana, num dado momento o surto passou, antes que ela tivesse tempo de fazer qualquer loucura. De alguma maneira, percebeu que, em vez paixão, o que estava sentindo era puro assanhamento - explicável, em boa medida, pelos problemas dela com o marido. Quando ela percebeu  o amigo do marido voltou a ser apenas um ícone no facebook. 

Por trás dessa história inofensiva existe algo que eu chamo de “desejos impossíveis”. O alvo desses sentimentos insolúveis pode ser qualquer pessoa, mas a situação é sempre a mesma: uma fantasia amorosa invade a nossa consciência e ocupa o espaço da vida real. Em vez de mandá-la para o ralo dos devaneios inconfessáveis, nós abraçamos a aberração. Nós queremos tudo, o tempo inteiro. Afeto, sexo, admiração, objetos. É um milagre de sanidade que a máquina de querer que somos nós consiga estabelecer com o mundo – e com outras pessoas transbordando de vontades – alguma relação civilizada. Na maior parte do tempo, mantemos sob controle o aparato desenfreado de querer. Aplicamos sobre ele o duro princípio da realidade.

Pois eu acho que os limites existem. Amigo do marido não pode. Nem tudo que desejamos é legítimo, afinal. Nem tudo pode. Um dia temos de aprender a dizer não para nós mesmos e olhar os erros de frente. Aprender com as decepções. Em vez de ilusão, realidade. Em vez de devaneio, mundo real. Os amores e desejos  impossíveis resultam em boas histórias do Nelson Rodrigues – mas são histórias que ninguém quer levar na própria biografia. e tenho certeza que essa minha amiga pode ate sentir desejo por outro novamente mas não será por amigo de marido.  

Bjos meus .

Neide Ponzoni

 

sábado, 5 de julho de 2014

Virtual ..

As frases estavam arrepiadas por causa do assunto.
E nada tinha sido dito ainda, só pensado.
Quando começou não sei .
Se bem que quase todos os comentários eram com conotação  sensual, quando sussurrante eu sentia , desamarra qualquer diálogo indecente: e apenas o cenário vestia os personagens, cenário não visto.
Era o suficiente. E o suficiente é tão preciso. Foi quando a fala desatou nas palavras: úmidas de língua.
E a voz do olhar emudeceu: fechados os olhos. Pensava ia ser agora iria ter.
 Tato, olfato, paladar.... não teve  ato.
Tudo refazia todos os sentidos. Era sentido derramando.
 Era tanto pra tudo que é lado.Tudo só no virtual .
Vamos nos ver ... medo paralisou ... desejo suspenso .... não foi realizado...
Bjos meus
Neide Ponzoni


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Passado...

Outro dia estávamos conversando sobre “ a espera” ou  “não encontro” . Citou o meu livro preferido aquele que o personagem espera a vida toda. Onde o amor só materializa  cinquenta e três anos depois, após quase toda uma vida de idealização, por parte de do personagem  Florentino, e de vivências frustradas, por parte do amor de sua vida   Fermina.  Perguntou-me se esperaria tudo isso ,  eu disse não.
Fiquei horas pensando no que disse que então  poderia ser em outra vida .
O que levou –me pensar em encontros nesta vida. Puxa você pode não saber, mas, foi importante para mim.
Sou uma caipira, criada sobre forte dogmas cristãos  e tive com você os primeiros desejos .Lembro bem de cada momento. Uma coisa horrível em minha vida é boa lembrança. Eu carrego comigo uma caixa mágica dentro da cabeça ,  onde eu guardo meus tesouros mais bonitos. Tudo aquilo que eu aprendi com a vida, tudo que eu ganhei com o tempo e que vento nenhum leva. Guardo as memórias que me trazem riso, as pessoas que tocaram a minha alma e que, de alguma forma me mudaram para melhor, você esta lá guardado .   Você  sempre foi, e será, uma conjugação impossível , não o verei mais sei disso . Como disse não sou romântica , acho que viver com um homem ogro me fez perder a capacidade de acreditar .Eu sei que ao esbarrar em  você depois de anos eu senti uma pontada na boca do estômago. Conheço bem o diagnóstico. Chama-se: falta do que não foi. Não, eu não sinto saudade do passado. Tenho carinho , as vezes uma raiva doida , talvez, mas me lembro bem dos motivos que me sentir sozinha.
 Você era importante, era  a novidade, eu era uma menina ,  eu era muito jovem cara. Não, não vou dizer que te esqueci. Não gosto de mentiras . Pra que tudo isso? Pra que fingir que você não foi nada , naquela época foi bastante .
Eu tinha certeza que de alguma forma euum dia  te olharia com meus  olhos vazios.
Sabia que um dia o veria novamente , também sabia que  teu ritmo de vida nao seria igual ao meu, engraçado tinha certeza disso. A vida é doida mesmo,  com dezoito anos eu tinha tudo para falar e fiquei absolutamente não-verbalizável.  
Minha memoria é muito boa mas  recusa ir até a data, maldita ou bendita,  não sei como  definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso banal ou pura magia, interceptou o círculo do outro. Estava certa de que nosso circulo nao tinha brejas , nem falhas , estaria fechado. Errei novamente,  mas sei como reconhecer seus olhos ....nunca os esqueci. Quando te reencontrei fiquei brava pois imediatamente meu cerebro apagou a sua antiga imagem . Aquela que eu guardava em mim .... mas os olhos são os mesmos .
 A vida e mesmo engraçada acha que onde pode deixar qualquer um  entrar,   e bagunçar  o que eu penso ser  definitivo . Só eu sei o buraco que nossa história deixou em mim. Só eu sei como tive que respirar fundo, engolir em seco e seguir a vida. Seguir-a-vida. Não é pecado, eu juro. Foi só o que me restou fazer. Mas esquecer você de vez? Em outra vida, quem sabe ... sabe então a resposta.
Bjos meus .

Neide Ponzoni 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Falar pra si mesmo...

  Hoje após passar horas numa fila entrei num ônibus cansada a vontade era dormir mas a moça que sentou ao meu lado estava muito inquieta . Suas mãos tremiam . Então puxei assunto . Perguntei se estava bem ? Se sentia mal ? Percebi que estava gravida . Era jovem e estava gravida . Ela me olhou . E começou a chorar baixinho tentando não... chamar atenção. Eu não dou abraço fico sem jeito . So encostei na mão dela e falei calma moca. Ela me olhou e disse terei um filho deficiente .
   Sem saber o que falar eu disse terá um filho o amara com todas suas forcas. Sofrera quando ele sofrer . E sorrira quando ele sorri . Sentira uma profunda angustia ao ve lo ser discriminado , mas defendera de tudo e o protegera com asas invisíveis . Vai procurar ciência pra te ajudar e as religiões para te amparar . Acordara e pedira forcas para que naquele dia ele viva. E a noite agradecera por vê lo vivo . Sera de difícil demais , com a família, a escola , com os amigos ....sentiras só . Mas o amara com todo seu coração .
     No fim percebi tudo dito a ela era pra mim .....eu sei . A menina - mae parou o choro , pois eu chorava . Eu ainda falei nenhuma deficiência impede o outro de amar .
    Ela me agradeceu tanto . Eu que deveria agradecer por ter oportunidade de pensar e sentir . O nome da menina mae e gabriela e mora no Embu . Logo serei amiga dela no face rsrsrs.
E no ônibus hoje eu chorei muito .

Deus está em nos

 
 
   Como as religiões dividem as pessoas . Fui restringida por algumas pessoas . Fico assustada com isso pessoas que falam religião e só uma . Tenho que aceitar isso ? Como se Deus escolhesse seus filhos pelo templo que vai . Fiquei pensando no filme As aventuras de PI . La o personagem principal tem diversas crenças e nem por isso e julgado . Eu percebo que alguns amigos se assustam quando eu falo ...que sou espirita.
  Sou espirita a 25 anos .
  Nasci numa família católica. Achava lindo minha Irma ser filha de Maria . Todos aqueles cantos eram e sao lindos . Vejo espanto quando falo que tenho fe inabalável em Maria . Rezo o terço toda manha .
     Não vejo problema algum eu entrar numa igreja e rezar , faço isso com frequência aqui perto tem uma igreja de Santa Rita . Entro faço prece e saio em paz .
     Não vejo problema algum acordar de madrugada ( algo frequente neste dias onde a vida me testa com perversão) e ouvir um pastor evangélico falar das maravilhas de Jesus e da importância da fe . Não vejo problema algum ler sobre a Umbanda , um livro escrito por um amigo com tanta inteligência, fe, beleza e acredito em todas as divindades descritas ali .
      Não recuso o convite de uma amiga pra tomar um reike . Tenho uma crença , mas não vejo problemas em aceitar Jesus da maneira universal , sem o preconceito de que Ele e só de uma religião. Ser de uma ou de outra religião nao me faz melhor ou pior, a fe não e diferente.
   A diferença esta na forma que trato quem convive comigo . Queridos amigos acredito em tudo que me traga paz. Deus esta em nos ....eu creio nisso .

quarta-feira, 26 de março de 2014




 
Pescador de mim.”

Sabe esses textos que eu publico aqui, falando de nada sobre nada? Sabe esses textos falando que eu sei disso e sei daquilo? Eu não sei de nada. Eu só queria ser salva da dor , eu só queria aprender a pegar carona nas ondas. Eu só queria que isso que eu estou sentindo agora durasse menos. Eu só queria poder chegar em casa e ver tudo diferente. Ver tudo bonito. Ver tudo como é de fato  mas nem sempre é belo . Sabe quando  você quer alguém que lhe salve  a vida?

Foi então que fiquei pensando numa frase , “eu pescador  de mim”... na verdade seria “eu caçador de mim”  mas como não sou agressiva caçar a mim mesma me assusta então pensei em me pescar.

 Na verdade não queria nem me caçar e nem me pescar,  pensei que ficar parada onde estou. Queria  entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em minha vida, serem subitamente transformadas em pó,  mas essa atitude me trará um desgaste imenso, mesmo parada me cansaria.  Vejo muitos  amigos  encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e eu aqui parada , correndo em círculos , com problemas que estão crônicos e não querem sair de mim.

O mundo é  feio e como é horroroso,  mas não  tenho medo . Eu só queria que essa minha vontade de mudança  durasse tempo suficiente  para que de verdade a mudança acontecesse .

Hoje eu não odiei o Itau ,  nem a Tim, nem o motorista de ônibus ordinário que passa na poça de água e me molha, não odiei o meus problemas , o IPTU, a mulher que fala alto demais, a garota que fala como bebê, aquele cara que todo mundo sabe  quem é.

Hoje eu não odiei nada nem ninguém.

Eu apenas fiquei lembrando a cada coisa  que vivi e como superei cada problema que apareceu  , mas preciso descobri  como consegui  tirar  meu coração  do escuro que foi depositado. Preciso me pescar do fundo do lago  que me meti.   E na verdade eu queria  um salvador( poderia até ser o Malvino Salvador) mas   chego a conclusão que eu mesma tenho que salvar o dia, minha semana, meu mês e minha vida .  

Tenho que ser salvadora de mim mesma ou seja a pescadora de mim mesma .  Fecharei  a porta, moderei o disco, limparei a casa, sacudirei a poeira. Deixarei de ser quem era, e se transformarei em quem sou. Tornarei  uma pessoa melhor e asseguro de que saberei  bem quem eu sou .

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão então essa dor tem que sair .

Bjos meus       

Neide Ponzoni