domingo, 22 de dezembro de 2013

2013 ...2014

2013 ...2014
 Na transição de ano sempre deixamos algo  para trás levamos e levamos algo conosco é assim .
 Este 2013 não quero nem lembrar que existiu.Ano complicado , difícil  demais , tive pouquíssimos dias agradáveis . Conheci uma porção de gente  má e falsa  , que usa aquela velha frase " sou assim e não consigo mudar " vi a  maldade  escancarada nos olhos de adolescente inconsequentes que para ferir alguém não medem ações palavras .
 Vi como o preconceito machuca. Senti na pele o preconceito de um povo  sem informação .Senti na pele a discriminação escancarada , eu  não tinha me dado conta  do quanto é perversa a falta de aceitação e o preconceito das pessoas em relação a algumas doenças , me senti extremamente sozinha , portas fechadas para algo que doía  em mim .
  Sei que todo amanha e criado num hoje apesar de querer esquecer 2013 vou carregá-lo dentro de mim , sei que vai demorar pra esquecer os risos falsos e olhares maldosos estes ainda vão ressoar dentro de mim. A ferida ainda esta aberta ....
 Mas  apesar dos pesares .....em 2014 quero :
jogar no lixo a raiva,  andar mais , ler o que não li, escrever o que nao escrevi, continuar a andar descalço , deitar na grama, tirar mais fotos , cantar alto , chorar de rir , ler entre linhas , fazer piada da minha própria desgraça, mandar se foder uns que enchem meu saco,  bater papo ate tarde , fazer campanha de doação de sangue , enfiar o pé na jaca , sair pra beber com os amigos , ir a praia , ver quem tá longe , falar o que penso , pegar um atalho , ser simples , economizar dinheiro pra uma viagem , sambar , ir num show de rock , comprar cds , tentar esquecer alguém que não me dá a mínima  atenção, começar uma dieta , descansar , dormir mais , fazer uma nova tatuagem , estudar mais , ir até Copacabana , fazer as pazes  , aceita elogios , fazer elogios , transar mais , ver mais filmes, ter um jardim ..... 
Enfim viver e ser um pouco mais feliz ... Quem quiser  vem  comigo...
Beijos meus .


Neide Ponzoni 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Devaneio


Depois de dois dias de hospital seguidos me deixa um pouco abalada e me faz refletir . Quem vive como A Espada de Dâmocles, presa apenas por um fio de rabo de cavalo na cabeça sabe como e ruim . Não quero morrer sufocada de obrigações um pouquinho cada dia , quero ventilar . Nao quero me sentir responsável sobre tudo que acontece ao meu redor . Nao quero essa culpa e essas acusações que me oprime . Tenho que aceitar que nao tenho o controle , tem um limite onde posso atuar . Nao tenho controle sobre o desejo do outra e nem sobre a mudança que o outro precisa . Quero ser insignificante pra uns e imprescindível . Nao quero ser a esposa perfeita , nao quero ser a melhor mãe do mundo . Quero pensar em coisas nada abençoadas . Acordar mais tarde . Hoje quero mais um pouco . Quem sabe deveria ter viajado sozinha quando senti vontade . Quem sabe ter falado um belo palavrão pra aquela pessoa insurportavel que me enchendo saco . Quem saber deveria ter vivido uma paixão que transformei amizade . Quero sair sem dar explicações , poder conversar com estranhos mais vezes , conectar com outras possibilidades de existir . Nao sei se são as drogas injetadas pra dor ou se perceber que num momento desse posso nao sair andando . ... Quero sensações inéditas ...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013


Estações                        

Envio te a medida imensurável da dor                                                                                                    A dor  de nao saber das tuas luas e as marés no inverno .                                                                      Envio te a saudade longa e lenta por não saber do teu sol de verão .                                                 Envio te uma ventania de outono pois não vejo a face .                                                                                   Envio te o tempo que e dono de todas as coisas .                                                                               Envio te a transmutação e regeneração da primavera .                                                                          Bjos meus . Neide Ponzoni

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Tempo de recolhimento



Dizem que nossas escolhas que fazem sermos quem somos , ou melhor somos a soma dos nossas escolhas. Escolho sair de cena. Saio de cena com minhas  alegrias  intensas, minhas tristezas, absolutas. Tenho em mim alguns  sentimentos amarrotados  pelo tempo, outros recém-nascidos na angustia de não conseguir mudar . A palavra estabilizar me corrói.

 Ontem, chorei antes de dormir. Chorei por falta de qualquer emoção, o peito estava vazio e a conformidade me entristeceu.

Hoje, apesar de todo céu azul,  continuo cinza. Não banalizo minhas angústias e sofro como qualquer ser humano por questões tão corriqueiras como rejeição e todas estas coisas que nos fazem olhar para a vida, por um instante, com certo cansaço e desânimo. O pior de tudo é falta de solidariedade. Sabe aquilo que espera que outro faça por você , porque você faria pelo outro: isso não ocorre . O julgamento é instantâneo.

O corre –corre da vida vai nos deixando só. Estou tão cansada. Estou tão, tão cansada!

 Minha vida tem sido um amontoado de coisas , tenho uma dor. Mas o que faz a dor? A dor quando bem vivida, percebida, acolhida, não passa de uma forte emoção, então me recolho para senti-la. Se  a vida fosse fácil ninguém sofreria, tem dias que não dá pra sorrir, mas engole o choro e segue enfrente . Não  ignoro o dia seguinte e isto me instiga quem sabe amanhã o cinza se desfaça e esperança se pinte de cores vibrantes como a primavera.

Bjos meus .

Neide Ponzoni

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Maria

Maria 
O choro de Maria secou. Com cuidado as feridas se curaram só vê a cicatriz pra lembrar que sobreviveu. A dor perdeu seu lugar na rotina e ela foi procurar outros rumos. 
Suavemente tudo mudou de ritmo e Maria começou um passo de cada vez o tempo sanou o a dor que incomodava . 
A princípio teve ansiedade, porque tudo parecia um turbilhão, mas de que adianta tentar pular aprendizados? Ela andou e viu o sol se pôr nas suas duvidas .
Iniciou novos sonhos.
Se é de vida que se precisa, ela foi viver e a aquela melancolia eterna esvaziou e sua incompletude se integrou a pele e a vontade de ser se aprimorou.
Chuva e sol, calor e frio , e o equilíbrio da vida se estabeleceu, nasceu o sorriso mais largo do mundo, seu olhar não entristeceu mais, encontrou outra maneira de ver . E viu.
Já era tempo de Maria prestar mais atenção em outras cores, engoliu a luz do sol e entrou no mar sem medo.
Nada ficou fragmentado. Saiu inteira e o amor agora nela transborda: sua pele aceita nova carícia, olhar brilha com a menor das delícias.
O toque da vida agora é novo , não mais um toque cego .
Importante agora é que o choro secou.
Maria agora olha longamente no espelho e sabe o que ainda há muito o que viver , não quis nada do que restou, quis um sorriso novo, quis portas abertas e pintadas de laranjas e sente vontade de saltar novamente no desconhecido.
E hoje ela chora mas de alegria ao sentir novamente seu olhos pousarem no corpo de quem a faz feliz . Chama o amor para simplificar.

domingo, 14 de julho de 2013

Como administrar nossos azedumes ? 
Como curar a carência afetiva , os traumas da infância ? 
Como sanar nossos ímpetos pueris ? Como ouvir os medos e questionar nossos sonhos ?
 Ou questionar nossos medos e ouvir nossos sonhos ? 
Como entender pais que viram filhos e filhos que nos cobram como se fossem pais ? 
O fato e que o verbo desejar muitas vezes fica travado e emoções e questionamento chegam sem rodeios . Como administrar a tal felicidade vendida pela t.v , onde todos tem a pretensão de decretar o que te faz bem ou mal . O que faz feliz ou nao . Como preencher os vácuos do nosso dia a dia ?
 Como trazer de volta aquele olhar que agora se perde no vazio ?
 Certamente para hoje o que tenho e seguir em frente . Quem sabe lá na frente eu encontre respostas ...

sábado, 22 de junho de 2013

Vai passar

 
 Eu gostaria soubesse que eu me apaixono quando alguém me inspira poesia . Que me enrosco toda pra dormir abraçada porque sinto frio o tempo inteiro.
Gostaria soubesse que fico amolecida no fim da tarde, sinto um sono mortal .
Que fotografo muros grafitados e subo em árvores, que ainda escrevo cartas manuscritas porque acho letra de gente erótica e mais bonita. Talvez um dia soubesse que muitas vezes estou acompanhada mas com o pensamento ausente, e que muitas e muitas vezes enquanto o outro fala minha imaginação já mudou o rumo da prosa, e deixo os outros falando sozinho saio andando . Que me e importo com o farfalhar das folhas ao vento e se faz a música em meus ouvidos, que adoro quando alguém beija meu umbigo.
Não gosto de abraçar quem não é meu amigo , que beijo na boca quem não é namorado, que tenho algumas exuberâncias , mas que não sou promíscua.
Gostaria que soubesse que eu tenho lá meu lado reservado e convencional, que todo ano eu consulto o trânsito do meu mapa astral e que faço orações todos os dias antes de dormir. Que gosto de mãos entrelaçadas para que corpo do outro receba a energia de uma doce sintonia.
Gostaria que soubesse que eu amanheço antes do dia para não ter sobressaltos com o despertador, e acordo de mal humor .Que eu subo pelas escadas porque detesto elevador. Sabe que eu planto arvores , mas presenteio com girassóis e que mergulho, munida no mar, com as bênçãos dos de todos os santos.
Que tomo sol ,  não gosto de chuva de forma alguma, gosto de ventos.
Eu sei que não se importa e nem saberá mais de mim pois nunca quis saber e nem estar em mim.... mas gostaria que soubesse que eu poderia ter ajudado você a se lapidar com a minha predisposição para o amor .... Chorei fiquei triste, senti saudades fundas... mas como dizem todos por ai .... vai passar eu sei que vai.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Odeio Chuva...

Cheguei no ponto de ônibus meio esbaforida, passando as mãos pelo cabelo para ajeitar e secando a mochila com a manga da blusa. Troquei um olhar com o rapaz e acenamos em um cumprimento seco, que a situação de ambos estarem ilhados em um ponto de ônibus exigia. Embora intensa, a chuva caía estável. Permanecia constante e reta, sem vento nenhum. E um frio doía , meu tênis enxergado ... Ótimo, pensei sarcástica. Combinava perfeitamente com o meu tédio, naquele momento. Não estava interessada no livro dentro da bolsa, muito menos nas músicas no celular . O pior de tudo é que esse silêncio exterior e o ritmo cadenciado da chuva deixavam meus pensamentos em polvorosa, doidos para serem ouvidos. Vontade falar tudo o que pensava em relação ao dia vivido. Palavrões ressoavam em meu cérebro . Olhei novamente para o rapaz . Ele também parecia angustiado. Será que estava na mesma posição que eu??? Cheio de duvidas em relação ao que é viver. Será que ele tinha uma família e estava incerto de como leva-la adiante?? Olhei pra sua mão, não tinha aliança . É talvez ele fosse feliz e estivesse chateado por causada demora do ônibus ou por causa dos pés molhados. Fiquei juntando os riachos de água que escorriam pelo chão com a ponta do tênis, até que a voz do rapaz dispersou os pensamentos. _Tem horas? Pedi um momento, pois não costumo usar relógio. Fui olhar no celular que estava dentro da bolsa. _Sete e quinze. _ Obrigada . Que chuva né ! _ Forte , odeio chuva...faz tempo que ta aqui ? Viu se passou algum Vila Independência? _ Faz e tempo e não passou . Estou esperando.... __Ahhh tomara que venha logo. Realmente, meu ônibus estava atrasado. Mais quatro ônibus passaram, e nenhum deles era o meu. Talvez houvesse congestionamento no centro, por conta da chuva repentina. As pessoas ficam desesperadas quando chove e parece que a afobação pipoca em forma de carros. Outro ônibus . Achei irônico que até ônibus para outra cidade passasse em uma frequência maior do que o meu, que me levaria apenas até o outro bairro. Um carro passou correndo e, quando viu a poça d’água em frente ao ponto, desviou para passar sobre ela propositalmente, molhando a mim e ao meu companheiro de naufrágio. Ele xingou bastante. Eu senti um desânimo enorme e quis ter uma bazuca à mão. Ri do meu exagero, mas considerando que se as armas fossem de fácil acesso a qualquer um, pequenas crises de ira seriam a maior causa de homicídios. Com ou sem arrependimento depois. Talvez não precisaria ir tão longe. Quantas vezes eu cheguei a odiar uma pessoa sem motivo algum, sem mesmo conhecê-la direito e depois de alguns anos senti um remorso imenso por ter direcionado algum tipo de sentimento negativo a alguém que nunca tinha me feito mal. Pode soar novamente exagerado, mas já cheguei a pensar em pedir desculpas a essas pessoas. Imagine a cena, que ridícula: “Com licença. Você não me conhece e nunca me fez nada, mas eu te odiava muito e me arrependo demais desse sentimento. Poderia me desculpar e sermos grandes amigos a partir de agora?” Aí sim a pessoa teria mesmo um motivo para me mandar à puta que pariu. Além do mais, provavelmente o alvo do meu extinto ódio nunca imaginaria que em algum momento eu desejei o seu atropelamento, até o momento em que eu lhe contasse. Portanto além de ridículo, pedir desculpas seria burrice. Porém, mesmo convincentes, tais argumentos não diminuíram o meu remorso. Cada um carrega a culpa que merece, por mais óbvio que isso possa parecer.Xingo depois me arrependo . Mais um ônibus passa. Impressionante. Vinte para as oito da noite e eu aqui, a chuva aqui, o rapaz aqui. Qual seria seu nome? O pior é pensar que se eu pudesse voltar no tempo, não faria diferente. Pois voltando no tempo eu não teria a mesma percepção da situação, que tenho hoje. Talvez a minha única possibilidade seria não me recolher ao meu canto confortável, quando as oportunidades aparecessem. Me senti confortada ao tomar essa decisão, certa de que tivera uma epifania e seria uma pessoa melhor a partir dali. Seria uma mãe melhor, uma esposa mais dedicada . Deixaria de lado toda a minha frustação com o trabalho e ..... Estava ali fazendo promessas de melhoria e a chuva continuava constante, impassível, impávida. E o meu ônibus apontou na esquina. Demos sinal. Entramos e sentei no canto . O rapaz sentou ao meu lado. Tirou o boné. Ele era muito mais jovem do eu imaginei. Olhei e encostei a cabeça no vidro . Queria muito conversar, mas para manter minhas promessas de minutos atrás era melhor não... estava muito sensível...acabaria falando e falando . . Fiquei pensando como sou composta por multidões de eus. Eus, para as várias pessoas que fazem parte dele. Inúmeros mundos. Milhares de números. Os dias e as horas são cada vez mais breves. Neste, o tempo é um senhor malévolo poderia ali em algum minutos conhecer alguém especial ou não. Ele retirou um livro da mochila, olhei a capa não era tão ruim assim o autor. Fingi dormi. Perdida em pensamentos bons e maus percebi quando o rapaz desceu. Olhou pra mim de forma interrogativa. Senti um remorso grande dentro de mim . Dobrei mais esse remorso e guardei junto aos outros. Espalhei umas bolinhas de naftalina, para que não mofassem com toda umidade da minha chuva eterna. Respirei fundo e reclamei baixinho odeio chuva. Bjos meus . Neide Ponzoni


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O vôo de Ana .

Ansiosa Ana atravessou o estacionamento em direção ao carro . Sua vontade era simplesmente sumir , num desses rompantes onde durante o dia foi submetida aos testes que a vida oferece. Numa sexta a noite sair do trabalho aquele horário, ninguém merecia... Estava exausta de tanta pressão por metas .... Antes tão cheia de planos , agora tinha se tornado um poço de fúria. Seus passos ecoavam no estacionamento quase vazio. Nem percebeu quando alguém cruzou seu caminho não o viu , mas bastou sentir o perfume para um turbilhão de sentimentos atormentar , lembranças que deveriam estar enterradas e esquecidas . Cérebro sem vergonha , pensou Ana , lembrar dos prazos das ações não lembra, mas trazer o que deve se esquecido trazia em segundos .... Ana estava realmente cansada , além do trabalho ainda tinha que resolver uma vez por todas as questões de sua vida desamorosa ainda estava num vôo cego, mas deixaria pra outro dia....um dia .. . Voltou pra casa , começou zapear a TV nada alem de tragédias ... pegou o computador tinha muitas planilhas pra fazer ....cansou . Deitou no sofá ... e dormiu . Sonhou que beijava-o como se quisesse devorá-lo, engoli-lo inteiro até que ele fosse parte de si e assim pudesse guardá-lo para sempre. Perdia o fôlego e não respirava. Acordou atordoada. Sonho são chatos pensou ela ... muitas vezes são. A sensação que tinha era de ter sido uma grandissima estúpida. Uma estúpida que estranhamente trilhou o caminho do coração... O que sentia iria passar um dia, então porque demorava tanto para sumir aquele desejo doido, que ainda a assombrava? Tinha se segurado no pouco de lógica que ainda restava. A lógica não reteve de forma alguma o desejo estava lá, gritando . Seria ela mesmo estúpida em sentir ? Por que não sonhar? Não são dos sonhos que vivemos a maior parte de nossa vida? São os sonhos que a alimentara e a impulsionara , não tinha porque reter os segredos mais latentes , ate sonhar ela estava se privando.... Era sábado e um sol quente estava lá fora, Ana se trocou rápido iria resolver de uma vez aquela situação .Sempre acreditou que cada instante deveria ser vivido intensamente, então onde enfiou a sua coragem, não tinha que ter medo , era livre , sempre foi. Já tinha perdido muito estava na hora de ganhar, era necessário voar Fez uma pequena mala , jogou no banco de trás do carro , iria pro litoral, buscar . Iria atrás daquele que tinha espalhando seu sorriso em forma nuvens, ela simplificaria o complicado, desnudaria o coração e deixaria que vibrasse no tom que desejasse. Viveria aquele momento , buscaria a água para sua sede. Bjos meus. Neide Ponzoni