sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Tempo!

Tempo.

Eu queria tanto
Que os dias
Passassem logo...
Que evaporassem como água
Que cai das montanhas
E tudo isso terminasse de uma vez
Por tudo
Assim eu não teria mais
Porque....
Nem senãos
Nem talvez ...
O acordar seria de primavera
O Sol dono de mim surgiria
As nuvens não se atreveriam
Aparecer para me aborrecer
Meu ser sedento estaria
Livre ... sem dedo em riste ...
Eu queria tanto
Que os dias
Passassem logo....

Bjos meus.

Neide Ponzoni

domingo, 25 de setembro de 2011

A casa de joao de barro.

Pode-se ter saudades dos tempos bons, mas não se deve fugir ao presente disse Michel de Montegne .Penso ás vezes ter fuga da realidade pois sinto sim, saudades de algumas situações , uma saudade doida de alguns lugares.
Todos sabem que gosto de muito de árvores quando estava no primário no meio do pátio da minha escola tinha um flamboyant , enorme , grande demais, que no final do ano trazia cachos de um vermelho intenso.
Sentava embaixo da árvore e ficava lá observando o movimento, apareceu por uns meses um João de barro.Acompanhei sua alegre e rápida construção . Uma casa perfeita.
Certo dia percebi que o João de barro não estava mais freqüentando a casa construída , por semanas vigiei . Queria aquela casa para mim, mas como fugir da mira dos inspetores que ficam no pátio.
Planejei detalhadamente a minha arte , a subida no flanboyant. Pedi a professora para ir ao banheiro . Fui pro pátio e subi. Muito fácil tinha grande habilidade de escalada , hoje até subir escada é difícil é a idade , trinta e quatro fazem grande diferença.
Subi até o galho peguei a casinha do joão de barro , e desci. No meu plano detalhado terminava ali, não tinha pensado que onde esconderer a obra do pequeno pássaro engenheiro, feita com barro avermelhado misturado com argila , agora não tinha como devolver , não dava.
Não deu obra fui para na sala da diretora com a camisa branca marcada de argila, e os olhos cheios de água. O sermão foi grande e a casa tomada de minhas mãos.
Na saída minha mãe foi convidada a entrar na escola . Sabia que minha volta para casa seria longa. A diretora deu novos sermões , sobre o passarinho sem ninho , e o meu estrago enorme na natureza , não era primeira vez que estava ali e não seria a última , chorei não pela bronca mas porque eu queria casa . A diretora falava e eu balançava a cabeça concordando , mas eu queria casa.... expliquei que estava abandonada .... sobre muito suspiros intensos .
Minha mae toda constrangida com uma filha, pega casas de um pobre joao de barro .Eu sabia iria apanhar mesmo.
Enquanto minha mãe assinava a ocorrência no livro preto eu entre um soluço e outro pedi :
_ Me dá esta casa diretora...implorei.
Ela com os verdes brilhantes olhou pra mim e disse :
__ Leva já tirou mesmo.Levei.
Quando mudei pra São Paulo umas das poucas coisas que trouxe foi a casinha , fica num lugar especial na minha garagem.... Ela me lembra o grande flanboyant onde eu sentava na hora do recreio onde a única preocupação era observar a natureza.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada eu tenho uma casa de joão de barro.
Bjos meus .
Neide Ponzoni .

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Novidades......

Novidades ........

Ela disse :
_ Venha até a borda.
Ele recuava.
Ela insistia venha até a borda. Por muitas vezes ela o chamou.
Um dia ele foi. Ela o empurrou do penhasco e ele voou.
Voaram juntos.
Voaram e pousaram.
Ao pousarem ele despertou. Sentiu o seu cheiro, a cor , o som , o gosto e carinho... ao se deitarem o encanto aconteceu .
Ele se viu nos desejos delas e ela refletida nos olhos dele.... eles foram felizes.
Ela queria a verdade, a mais nua que ave perdida... o desejo perdido ou sumido, o Tempus Fugit, "o tempo foge", viver era imediato, os sinos tangiam a idade no alta torre da vida , vida é breve.
Para ele o desejo descoberto, o inicio... então soube que o que existia diante e atrás da sua percepção , era quase nada comparado ao que existia dentro daquela sensação, quando ele conseguiu entender , aconteceu.
Bjos meus.
Neide Ponzoni