Histórias não estão prontas, são construídas. Elas não caem do céu no colo de alguém, mas começam com alguém. E começam do zero , significa que, no início, ninguém sabe como a história vai terminar. Não se sabe, de antemão, se aquilo é ou não o verdadeiro, mas vezes o que parece ser verdadeiro não é. Histórias estão lá prontas para serem contadas, já existem só precisam de letras para se tornarem reais , tudo tem começo , meio e fim . Vejo que os dois lados da moeda estão corretos.
Esta história eu ouvi e vou contar, duvidas surgem será de quem ouvi ou se ouvi mesmo , mas ela existe .
Estava próximo o aniversário de 80 anos de José e ele novamente foi questionado sobre o que queria de presente, como estavam todos os filhos reunidos em volta da mesa planejando a festa , calmamente ele respondeu :
_ Uma bola azul.
Todos riram . Seu filho caçula que agora era um engenheiro requintado , franziu o senho e queixou:
_ Papai todo ano a mesma história. Lá vem o senhor com esta historia de bola azul.
José movimentou o corpo e respondeu calmamente:
_Peço isto há muitos anos e porque ninguém realiza meu desejo. Eu quero uma bola azul.
Todos riram e voltaram a conversar deixando Jose absorto em suas lembranças.Logo ele levantou .
Ana sua nora , o observava . Há muito queria perguntar a seu José queria tanto uma bola azul.
Ao perceber que ele se afastou para o jardim e todos conversavam sobre como seria a festa, Ana o seguiu, aproximou calmamente e questionou sobre o a bola.
José sorriu e explicou :
_Trabalhei muito filha, desde que as crianças nasceram não tive tempo para ser um pai presente. Tenho saudades e sinto culpa por não ter tido tempo para as brincadeiras, corri de um lado a outro achando que era grande cumpridor de tarefas. Quando primeiro , deveria pelo menos de vez em quando parar e analisar: quem eu era e o que estava fazendo com a minha vida, o tempo, os amores, a família , minhas filhas e meu filho. Fiz na época o que achei correto , mas agora percebo o quanto fui omisso. Atrás de ter que manter a família a negligenciei. Eu com todas as obrigações para cumprir e manter não deixou que viver inteiramente com quem amava . Agora tenho tempo e não tenho mais idade, não tenho prioridades, ninguém me ouvi sinto um fantasma na vida de todos, necessito prosseguir, tenho um sonho afinal, apesar da minha idade ainda vivo . Tenho um sonho sim,e se eu desistir apagará a última claridade e nada mais valerá a pena quero uma bola azul para brincar com meu filho.
Ana o abraçou após consolá-lo, o deixou no jardim .
No caminho de volta para sua casa Ana estava decida iria comprar uma bola azul e dar ao sogro no dia do seu aniversário que ocorreria em poucas semanas.
Mas tudo tem seu momento e destino... seu José morreu antes de ganhar a bola, naquele não houve festa de aniversário.
Mesmo com a morte de José, Ana comprou uma bola azul e deu a seu marido. Contou –lhe tudo o que sabia , pois sábio não se senta para lamentar-se, mas se põe alegremente em sua tarefa de consertar o erro cometido.Seu marido ainda tinha tempo para brincar com o fllho.
Bjos meus.
Neide Ponzoni
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