Foi numa noite de ventania,
e, na madrugada, veio a chuva.
Acordada, pedi ao vento
que levasse embora a tristeza
a dor de ouvir mentiras,
a dor que se aninha quieta no peito.
Que a chuva que batia na janela
lavasse este tempo sombrio,
purificasse o que restou em mim.
Dizem que a rasteira vem de perto,
que só fere quem já teve a tua confiança
e é verdade.
A alma sangra onde antes havia abrigo.
Amanhece, e a chuva insiste,
como se quisesse levar consigo
tudo o que ainda sinto.
O corpo dói,
mas é a alma que grita mais fundo.
Porque a mentira , essa sim
mata a esperança devagar.Neide Ponzoni
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