quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Insônia

 Foi numa noite de ventania,

e, na madrugada, veio a chuva.

Acordada, pedi ao vento

que levasse embora a tristeza 

a dor de ouvir mentiras,

a dor que se aninha quieta no peito.

Que a chuva que batia na janela

lavasse este tempo sombrio,

purificasse o que restou em mim.

Dizem que a rasteira vem de perto,

que só fere quem já teve a tua confiança 

e é verdade.

A alma sangra onde antes havia abrigo.

Amanhece, e a chuva insiste,

como se quisesse levar consigo

tudo o que ainda sinto.

O corpo dói,

mas é a alma que grita mais fundo.

Porque a mentira , essa sim 

mata a esperança devagar.Neide Ponzoni

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