domingo, 29 de dezembro de 2019


Estabelecer limites, descondicionar, permitir-se mudar de narrativa, direção, respirar.
 Para isto escolher: ir embora ou ficar?
Antes de qualquer coisa, entender-se dentro do contexto ou do conflito. 
Perceber quão desconfortável ou aconchegante.
Se extrai luz ou esvazia. Se há troca é parceria. Saber receber para doar-se sem doer.
Estar tão completamente confortável na própria pele que o Outro jamais será uma invasão, mas uma possibilidade de ajuste ou a necessidade de dizer um doloroso ou convicto “não”.
 Preservar sua individualidade para respeitar a alheia. 
Desvencilhar-se da necessidade de controle para que se estabeleça a intimidade.
Descobrir se a relação é feita de reciprocidade.
Demarcar certos espaços para que duas pessoas inteiras se entrelacem.
Trabalhar-se arduamente para que haja independência, a que preza pela disponibilidade afetiva.
E não se acomodar na dependência da carência quando tudo o que se quer é, simplesmente, viver uma história bonita.
Bjos meus Neide Ponzoni


Eu estive um pouco retraída devido a algumas críticas a minha escrita ...mas to de férias é preciso escrever ... Então aí vai !!!!
Eu nunca precisei estar apaixonada para estar feliz.
 Sempre tive os amores alheios para pontuar os meus textos, minhas histórias meio tortas pra humanizar minha solidão e aprendi que palavras também enfeitam silêncios.
E estava mais que conformada com a vida sendo assim: dias úteis, feriados, sol e frio, chuva e vento, um breve amor trazido pela brisa.
E uma dose de esperança para iluminar o meu rosto, mas quando o meu corpo encontrou esse amparo que é o seu, pensei: em algum sonho eu já estive aqui.
 Eu sabia que era possível um amor assim, talvez porque tivesse lido em algum livro
.Eu sabia que era bonita uma história plena, talvez eu tenha visto no cinema.
Mas esse amor perfeito, sendo real e possível, talvez eu nunca tenha concebido.
Agora eu entendo as coisas que foram ficando pelo caminho, as frases que se atiraram dos meus versos, as dedicatórias só com as iniciais de algum nome perdido, os conflitos que encarei mesmo quando havia apenas um cansaço.
Agora entendo por que eu celebrava o que eu tinha e o que perdia.
O quanto eu me preocupei em me lapidar e viver em harmonia, o quanto eu precisei escutar pra entender quando era a hora errada ou pra poder saber dizer a coisa certa. 
É porque eu precisava estar pronta na sua chegada. Bjos meus . Neide Ponzoni




Tem dia o silêncio espetando por dentro.
E as emoções carcomidas pela falta de.
Fica um embrulho vazio na garganta, eu sei. Uma bolha de angústia.
 O corpo sem responder a qualquer resquício de otimismo.
Nenhuma palavra escorre pros dedos, mas a mente inquieta.
Silêncio...
Se tem dor dormida dentro, brasa acesa que não aquece.
Dormência fora, encontro de insônias.
Cansaço sem lugar pra encostar o corpo por causa do vazio atrás e dentro.
 Eu sei como é . Só se encontra amparo onde há-braços.
Bjos meus



Abundante


Abundante!

Falo alto.
Penso claro.
Digo palavrão.
Ponho mesa farta.
Amo com força.
Desamino com convicção.
Flores? Só se for natural.
As de plásticos não morrem, mas, também,  não sentem.
Há quem não entenda coisa simples :
Não sou mulher de mixaria!Só quero comigo pessoas simples e verdadeiras . 
Tá dentro ? Bjö meu

A passagem do tempo irá nos acalmar e nos fazer perceber com clareza que algumas pessoas passavam longe de ser quem nos merecia, quem nos acrescentaria, quem nos seria vital.
Ela foi importante somente para nos mostrar o que não podemos aceitar como amor. De início, lembremos aquele famigerado senso comum que nos diz para termos a consciência de que, muitas vezes, quem perde está ganhando.
Costumamos enxergar tudo no calor do momento, tendo o imediatismo do que nos acontece como a única forma possível de as coisas acontecerem. No entanto, isso é uma inverdade, porque o tempo acaba por nos mostrar que muita coisa era o oposto do que imaginávamos.
É assim com tudo, é assim também com o amor.
Quantos de nós não nos prendemos a um relacionamento sufocante, desgastante, com alguém que parecia ser um grande amigo, um parceiro perfeito, como se não pudéssemos encontrar nada melhor, como se viver sem aquela pessoa nos fosse inimaginável. E, passado um tempo sem aquela presença, percebemos que nossa vida ficou melhor, que perdíamos tempo à toa.
 Tudo tem uma razão de ser, o que nos acontece, o que nos fazem, o quanto sofremos, sorrimos, o tanto que lutamos, é tudo parte de nosso aprendizado, para que nos tornemos pessoas melhores e mais certas quanto ao que queremos ou não para nós.
O que é bom nos aponta a certeza do que e de quem teremos de manter junto. O que é ruim, por outro lado, serve como lição – embora dolorida – de tudo e de todos que deveremos evitar, que teremos de manter afastados, lá longe.
Por isso é que, muitas vezes, embora inevitável, sofrer por quem não nos quer mais, por quem já usou e abusou de nosso melhor, de quem nos teve e nos dispensou feito objetos em desuso, inevitavelmente se tornará algo de que acabaremos nos arrependendo.
 Não conseguiremos passar incólumes pelos términos de relacionamento que enfrentaremos, uma vez que, quando estamos ali dentro de tudo, de muito perto, é difícil enxergar com firmeza todos os vazios e machucados em que estamos inseridos.
No entanto, com o passar dos dias, conseguiremos nos libertar de quem já nem está junto, dando-lhe a devida importância: nenhuma. É assim que sobrevivemos, que nos fortalecemos e nos preparamos para o encontro arrebatador. Neide Ponzoni 


A canção distorcida pelo volume alto, não consigo distinguir qual seria.Parece conhecida mas não consigo saber qual lembrança traz.
Ouço crianças gritando e brincando longe. E vozes de mães ...
E em todo meu corpo esse mal-estar, apesar do sol meu quarto esta escuro. (Alguma coisa impronunciável dói em mim, bem sei).
Meus crepúsculos internos, tantas belezas e tristezas, e os caminhos se rasgando em dois como se tudo brotasse morto daquelas sementes abstratas que jogo todo dia na rua.
Eu tenho uma frase de impacto pra usar na hora que eu sair do quarto , mas ela não coube na minha voz.
Neide