segunda-feira, 12 de maio de 2014

Passado...

Outro dia estávamos conversando sobre “ a espera” ou  “não encontro” . Citou o meu livro preferido aquele que o personagem espera a vida toda. Onde o amor só materializa  cinquenta e três anos depois, após quase toda uma vida de idealização, por parte de do personagem  Florentino, e de vivências frustradas, por parte do amor de sua vida   Fermina.  Perguntou-me se esperaria tudo isso ,  eu disse não.
Fiquei horas pensando no que disse que então  poderia ser em outra vida .
O que levou –me pensar em encontros nesta vida. Puxa você pode não saber, mas, foi importante para mim.
Sou uma caipira, criada sobre forte dogmas cristãos  e tive com você os primeiros desejos .Lembro bem de cada momento. Uma coisa horrível em minha vida é boa lembrança. Eu carrego comigo uma caixa mágica dentro da cabeça ,  onde eu guardo meus tesouros mais bonitos. Tudo aquilo que eu aprendi com a vida, tudo que eu ganhei com o tempo e que vento nenhum leva. Guardo as memórias que me trazem riso, as pessoas que tocaram a minha alma e que, de alguma forma me mudaram para melhor, você esta lá guardado .   Você  sempre foi, e será, uma conjugação impossível , não o verei mais sei disso . Como disse não sou romântica , acho que viver com um homem ogro me fez perder a capacidade de acreditar .Eu sei que ao esbarrar em  você depois de anos eu senti uma pontada na boca do estômago. Conheço bem o diagnóstico. Chama-se: falta do que não foi. Não, eu não sinto saudade do passado. Tenho carinho , as vezes uma raiva doida , talvez, mas me lembro bem dos motivos que me sentir sozinha.
 Você era importante, era  a novidade, eu era uma menina ,  eu era muito jovem cara. Não, não vou dizer que te esqueci. Não gosto de mentiras . Pra que tudo isso? Pra que fingir que você não foi nada , naquela época foi bastante .
Eu tinha certeza que de alguma forma euum dia  te olharia com meus  olhos vazios.
Sabia que um dia o veria novamente , também sabia que  teu ritmo de vida nao seria igual ao meu, engraçado tinha certeza disso. A vida é doida mesmo,  com dezoito anos eu tinha tudo para falar e fiquei absolutamente não-verbalizável.  
Minha memoria é muito boa mas  recusa ir até a data, maldita ou bendita,  não sei como  definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso banal ou pura magia, interceptou o círculo do outro. Estava certa de que nosso circulo nao tinha brejas , nem falhas , estaria fechado. Errei novamente,  mas sei como reconhecer seus olhos ....nunca os esqueci. Quando te reencontrei fiquei brava pois imediatamente meu cerebro apagou a sua antiga imagem . Aquela que eu guardava em mim .... mas os olhos são os mesmos .
 A vida e mesmo engraçada acha que onde pode deixar qualquer um  entrar,   e bagunçar  o que eu penso ser  definitivo . Só eu sei o buraco que nossa história deixou em mim. Só eu sei como tive que respirar fundo, engolir em seco e seguir a vida. Seguir-a-vida. Não é pecado, eu juro. Foi só o que me restou fazer. Mas esquecer você de vez? Em outra vida, quem sabe ... sabe então a resposta.
Bjos meus .

Neide Ponzoni