quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
O vôo de Ana .
Ansiosa Ana atravessou o estacionamento em direção ao carro . Sua vontade era simplesmente sumir , num desses rompantes onde durante o dia foi submetida aos testes que a vida oferece. Numa sexta a noite sair do trabalho aquele horário, ninguém merecia...
Estava exausta de tanta pressão por metas ....
Antes tão cheia de planos , agora tinha se tornado um poço de fúria.
Seus passos ecoavam no estacionamento quase vazio. Nem percebeu quando alguém cruzou seu caminho não o viu , mas bastou sentir o perfume para um turbilhão de sentimentos atormentar , lembranças que deveriam estar enterradas e esquecidas . Cérebro sem vergonha , pensou Ana , lembrar dos prazos das ações não lembra, mas trazer o que deve se esquecido trazia em segundos ....
Ana estava realmente cansada , além do trabalho ainda tinha que resolver uma vez por todas as questões de sua vida desamorosa ainda estava num vôo cego, mas deixaria pra outro dia....um dia .. .
Voltou pra casa , começou zapear a TV nada alem de tragédias ... pegou o computador tinha muitas planilhas pra fazer ....cansou .
Deitou no sofá ... e dormiu . Sonhou que beijava-o como se quisesse devorá-lo, engoli-lo inteiro até que ele fosse parte de si e assim pudesse guardá-lo para sempre. Perdia o fôlego e não respirava.
Acordou atordoada. Sonho são chatos pensou ela ... muitas vezes são. A sensação que tinha era de ter sido uma grandissima estúpida.
Uma estúpida que estranhamente trilhou o caminho do coração...
O que sentia iria passar um dia, então porque demorava tanto para sumir aquele desejo doido, que ainda a assombrava?
Tinha se segurado no pouco de lógica que ainda restava. A lógica não reteve de forma alguma o desejo estava lá, gritando .
Seria ela mesmo estúpida em sentir ? Por que não sonhar? Não são dos sonhos que vivemos a maior parte de nossa vida? São os sonhos que a alimentara e a impulsionara , não tinha porque reter os segredos mais latentes , ate sonhar ela estava se privando....
Era sábado e um sol quente estava lá fora, Ana se trocou rápido iria resolver de uma vez aquela situação .Sempre acreditou que cada instante deveria ser vivido intensamente, então onde enfiou a sua coragem, não tinha que ter medo , era livre , sempre foi. Já tinha perdido muito estava na hora de ganhar, era necessário voar
Fez uma pequena mala , jogou no banco de trás do carro , iria pro litoral, buscar .
Iria atrás daquele que tinha espalhando seu sorriso em forma nuvens, ela simplificaria o complicado, desnudaria o coração e deixaria que vibrasse no tom que desejasse.
Viveria aquele momento , buscaria a água para sua sede.
Bjos meus.
Neide Ponzoni
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