Ajeito a bolsa pesada no ombro, que agora resolve doer , celular apitando os 26 novos e-mails, 102 mensagens no Whats..trabalho me esperando , e transito tudo parado...aí e se pergunto “que raio de
vida é essa ?
Chego cansada no
trabalho porque já dei uma “ripa” na casa cedo para que a noite não tenha que
fazer muito....
Talvez se eu fosse mais
delicada… Não falasse palavrão. Talvez se eu tivesse me subordinado, se não tivesse
filhos ou dirigisse... Não dirigir virou
então um pecado mortal...Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se
dissesse que não me importo em lavar.... que não me importo com corações nas
mensagens do celular, talvez se eu fosse alta e tivesse as pernas do iguais a
Gisele Talvez…”A sabe de uma coisa cansada,
chata, quase insuportável...
Mas não, não posso
reclamar , sou uma mulher moderna ... a
grande falácia machista é que podemos fazer tudo, dar conta de tudo , e homem
só resolve uma coisa de cada vez... Essa sou eu, mulher moderna...
Na verdade dentro de
toda essa modernidade eu quero um
companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos
sim. Eu tive. Mas não ficar só com eles,
que os filhos também sejam divididos... Eu quero aprender a fazer um risoto, mas se não der
tudo bem faço um arroz simples.
Eu quero contar como foi meu dia. Mas não vou
admitir que alguém questione minha rotina... Ai mulher moderna...
Ensinaram-me esportes, mas não faço tenho opção . Aprendi a construir um bom
currículo, a trabalhar sem medo, a resistir . Ahh mulher moderna.
Sobre estas questões estou de saco cheio... cansada ,
quase insuportável...
Ensinaram-me a ser livre a voar com asas próprias, mas
não ensinaram os homens a ser companheiros de voo... O
fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar
uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no
fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do
seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração
da parceria e não da dependência?...
Sobre estas questões estou de saco cheio... cansada ,
quase insuportável...