Falar sobre saúde mental é importante , mas viver isso dentro de casa é outra realidade. Como mãe, posso dizer com dor no coração que já vivencio essa situação. Ver uma filha lutando contra a própria mente, enfrentando crises profundas e até mesmo tentando desistir da própria vida… é algo que não se deseja a ninguém.
E o que mais machuca, além da dor de ver quem você ama sofrendo, é o julgamento. Ouvir de outras pessoas que é "falta de Deus", "drama", ou que "é só pra chamar atenção" é devastador. As pessoas falam como se soubessem da minha luta. Mas não sabem.
Não sabem das noites em claro, do medo constante, das palavras que tentamos usar e das que tentamos evitar. Não sabem o que é carregar essa angústia no peito e ainda ter que sorrir por fora.
Ninguém tenta tirar a própria vida para “chamar atenção”. Quem diz isso não entende o tamanho do desespero que alguém precisa estar vivendo para chegar a esse ponto. E se alguém está “chamando atenção”, é porque precisa ser visto, ouvido, acolhido.
Como sociedade, precisamos aprender a ter responsabilidade emocional. Precisamos parar de julgar e começar a ouvir. Começar a perguntar: “como posso ajudar?” em vez de “por que está fazendo isso?”.
Eu falo como mãe, mas também como mulher que está cansada do silêncio e do preconceito. Que essa conversa chegue a mais corações, antes que seja tarde. Saúde mental é coisa séria. E amor, empatia e escuta podem salvar vidas.Neide Ponzoni
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