sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Acordar .



Estava ali, deitada na cama e imóvel, já havia algum  tempo..

Amanhecia e eu não queria que fosse outro dia.

Era outro dia , o tempo senhor malévolo não parou para ouvir minhas inquietações Fica ali pensando nos meus dois mundos .

Sou dois universos.

O primeiro é composto por multidões de eus. Eus, para as várias pessoas que fazem parte dele. Inúmeros mundos. Milhares de números. Onde dias e  horas são cada vez mais breves.

Outro segundo mundo,   quieto me  observa. Um mundo visto por todos,  sou única., transparente ... certa do que quer.

Fico ali pensando o que vou ser neste dia.

La fora a vida começava .

Eu encaro  o teto, pensando em um milhão de coisas ao mesmo tempo sem se focar em nenhum pensamento em específico. Isso dava a contraditória sensação de que não estava pensando em nada.

Na verdade estou sufocada com um monte de nada embolado na sua garganta. Pedindo para sair em um grito ou em um jato de vômito, tanto faz. Minha mente inquieta pensava nada.

Pela fresta da janela o sol também surge. Era sexta-feira mais um dia para correr.

Não quero levantar,  quero ficar ali , olhando pro teto vendo os raios de sol formarem figuras estranhas  .
Naquela sexta-feira penso que,   o  mundo que vivi  até aquele então  não satisfaz  mais. E insuficiente. E pequeno . E limitado. E finito.

Sento  na cama . Me jogo par fora dela.  Entro no banheiro meu rosto meu rosto refletido traz  olheiras e os lábios um tanto descorados. Não aguento mais nem a mim mesma. Ouço o barulho de despertar .

Meu filho grita “mamãe ... meus olhos acordaram .”

 Aí meu mundo de ser única acorda também e respondo .. to indo amor...

Bjos meus.

Neide Ponzoni

 

 

 

Melancolia ..........



 Me ajuda que hoje eu tenho certeza absoluta que não sei quem sou .
To parecendo Pessoa e Virginia Woolf naquelas aflições infinitas .
To achando que em outras vidas fui um filósofo angustiado , ou talvez um cético enganado pelos búzios, pelas cartas, pelos astros, pelas fadas.
Me puxa para fora desse túnel, me mostra o caminho para baixo da quaresmeira em flor.
Livra me da minha cabeça tonta , livra me dos meus pensamentos inquietos , preciso sair de mim e respirar aliviada e por um instante não ser mais eu, porque hoje não me suporto , nem me perdoo de ser como sou, sem solução... ser aflito preso ....

Bjos meus .
 Neide Ponzoni