Entre sons e letras.
Naquela manhã como sempre ela tomava café assistindo o jornal matinal, antes de seguir pro trabalho.
Os filhos já tinham saído pra escola e ela ficava , se preparando pra mais um dia estressante, quando ouviu falar o nome dele.Apresentação de mais famoso pianista brasileiro na sala São Paulo no próximo final de semana.
Ela sentiu um frio na barriga, lá estava ele depois de vinte cinco anos.A apresentadora falava de sua trajetória , a saída de Minas para conquistar o mundo . Ela sabia a historia de cor, cada passo na Europa e na America do Norte , cada apresentação , acompanhada a distância.
A vida dos dois se cruzaram , ela ao tomar o café lembrou do cheiro da lavoura onde se conheceram.Ele filho de fazendeiro rico do sul de minas ela uma bóia fria da fazenda.
Seus cabelos não eram mais negros o tom cinza predominava, mas os olhos verdes brilhavam, a televisão o mostra chegando ao aeroporto acompanhado por uma linda mulher e um adolescente. Ela não sabia quem eram, sua vida não era expostas em tablóide, ela nunca soube nada sobre a sua intimidade ,apesar de muitas vezes procurar no google nada encontrou.
A vida era muito difícil na lavoura de café ainda mais pra uma menina de 17 anos. Acordar cedo, enfrentar um caminhão cheio de gente , e puxar galhos e galhos do cafeeiro, ganhar a vida era dura. Foi assim que ela o conheceu. Ele estava de férias , e ia para fazenda e no fim da tarde , dirigia o trator que apanhava o café, junto com o administrador, parecia uma grande diversão .
Certa tarde, ela estava sentada esperando a contagem das sacas quando ele se aproximou, ela nem se quer levantou a cabeça, a vergonha a dominava.
Ele sorriu, ela o reconheceu já tinha o visto na cidade, rodeado de meninas na praça principal da cidade, além de vê-lo tocar piano na casa de cultura, onde ela trabalhava de voluntaria na biblioteca aos sábados.
Com uma voz rouca a cumprimentou, ela sorriu.
Ele veio pra perto e perguntou se ele o conhecia de algum lugar, ela riu. Uma maneira muito comum de iniciar uma conversa pensou ela, ele era o inatingível agora ali, ela sem óculos, suja, cansada ele estava tão perto. Não sei respondeu ela.
Me parece familiar trabalha a muitos anos aqui com o papai, disse ele caminhando pra mais perto.
Não , sem saber o que dizer disse ela baixinho.
Ah já sei você trabalha na biblioteca. Você é a expert em Drummond, Pessoa que tanto a professora de literatura falav.
Ela sorriu sem graça , adorando o jeito falar, respondeu baixo pra não demonstrar a tensão,sim sou eu que trabalho na biblioteca, mas não sou exeprt sou apenas uma leitora.
Por que trabalha aqui ?Qual seu nome? Onde mora você? Estuda?Ele falava rápido.
Ela respondeu tudo devagar, para não demonstrar o nervosismo. Para ele. ela nada perguntou sabia de tudo, ele era menino prodígio, pianista da terra, excursionada pelo Brasil com apenas 19 anos já era conhecido , e estava se preparando para ir embora , iria estudar fora, ela ouvia as meninas comentarem no final dos recitais. Ela sabia tudo, mas não sabia que ele era tão simples.
Ela tomou o café e foi trabalhar , resignada que iria a apresentação.
O dia passou rápido e quente, a imagem dele não saia da sua cabeça, agora a vista na televisão.
Ela agora lembrava , foram meses de colheita de café e encontros na casa de cultura, meses de troca de saberes , ela leu pra ele Pessoa, Gabriel Garcia, Bandeira e Drummond e tocou Bach,Mozart,Brahms,Chopin .
A amizade gerou comentário preconceituosos e classista, Minas mostrava o lado sombrio e frio. Enquanto eles conheciam a palavra cumplicidade.
No final de Outubro ele contou a ela que iria para o Rio estudar e depois iria para Europa. Naquela noite ela chorou muito.
Na partida ela lhe deu O Livro do desassossego de Fernando Pessoa era assim que o seu coração se sentia. Ele a beijou como se a vida fosse parar ali, ela retribuiu com todo desejo dos seus dezessete anos, assim foi o primeiro contato com o amor algo doído e quente.
O corpo dele estava junto ao dela todo aquele cheiro.Ela lembrava bem, mesmo depois de muitos anos.
Ele foi embora, depois foi a vez dela sair da sua cidade e veio pra São Paulo, a vida seguiu, estudou literatura, casou, teve filhos. Ele se tornou o que estava previsto , um grande pianista.
Agora ela estava ali na porta da sala São Paulo decida a vê-lo.Comprou um lugar próximo do palco, muito caro pra sua condição de professora, mas lá estava ela.
No final do espetáculo chorou ao ouvi-lo tocar Bossa Nova ,terminado a apresentação . ela como uma boa oratória conseguiu convencer os organizadores que era da cidade natal do artista , que lhe trouxera uma carta, mas necessitava ver se seria entregue. Quando isso aconteceu suas pernas tremiam .
Saiu dali com esperança de contato. Ela gostava muito de cartas e naquela ela escreveu o que viveu em vinte cinco anos e deixou o número do celular.
Ela contou para uma amiga de trabalho, que riu da sua inocência aos quarenta. Ela respondeu que era um fetiche, tensão atrasado e precisava concluir o começado.
A semana estava acabando e ela tinha desistido, quando recebeu a mensagem no celular, me encontre estou próximo ao endereço da carta. Seu coração parou, a respiração ofegante, ela respondeu com a palavra onde.
Nova mensagem trazia o local exato. Ela arrancou avental, deixou a escola e dirigiu ate o local onde estava parado um taxi. Antes de descer percebeu como estava vestida com simplicidade, jeans, camiseta e tênis. Sentiu vontade de recuar, mas ansiava por aquilo, estava adolescendo novamente.
Bateu no vidro. Ele abriu e sorriu , era o mesmo sorriso , só que agora um homem.
Ela entrou no taxi.Ele vestia como ela. O silêncio predominou, ambos ansiosos , ela começou.
-Leu a carta ?
- Você ainda parece a mesma moleca de Minas, respondeu ele.
_ Ela riu, e respondeu uma moleca velha....
--Que bom que me achou, você me lembra uma fase tranqüila da vida
Ela olhou pra mão e tinha uma aliança, a dela há um bom tempo que não usava, numa briga tirou e não colocou mais.
- Onde quer ir perguntou ele.
-Perto, tenho horários .Que se danem pensou.......
Saíram do táxi e entraram no carro dela , ela pegou a via expressa e entrou num motel.
Ele riu .
Ela riu também e explicou que seria o lugar ideal para uma conversa calma, ele concordou.
Ela tremia, só de pensar no que poderia acontecer, casada há quinze anos não tivera nenhum homem a não ser seu marido , o medo a e vontade a dominou.
Entram e sentaram na anti- sala. Ali permaneceram por horas conversando, leram os mesmos livros, viram os mesmo filmes e gostavam das mesmas comidas.
Vida e o tempo tinham separados, mas a afinidade permanecia intacta.
Ele descreveu os museus e todas as cidades que havia conhecido, os lugares que ela desejava , ele vivenciou.
De repente os pararam de falar , ele sorriu e a beijou, ela sem saber como agir retribuiu, seus lábios quentes e úmidos , foi então que ela sentiu-se desejada novamente, ele a nos tocou os seios, um arrepio despertando antigos devaneios, a cobriu de beijos longos e expôs anatomia nua, sem segredos, sem importar-se com seus defeitos a admirou como se fosse um quadro de célebre pintor . A mirou nos olhos, e a incendiou e a fez retomar seus profundos desejos, a vez explodir como uma mulher plena, o sentiu vibrar intensamente dentro dela . Suas pernas tremiam e seu corpo pulsava.
Deitaram um ao lado do outro, não sabiam que aconteceria em seguida.
Ficaram assim mudos , até que ela levantou , e riu ele retribuiu o riso, ela exclamou foi muito bom.
E rindo contou a ele que sexo na vida dela era ao se deitar quando o marido estava de muito bom humor, era difícil situações de prazer na sua vida , elas pouco existiam.
Ele a olhou , a puxou de volta para a cama e novamente fez seu corpo vibrar.Nos seus 42 anos ela se sentiu feliz, aninhou se no seu ombro e ouvia uma forte chuva cair lá fora. Levantou tinha que ir. Tomaram banho juntos, se trocaram e ele a abraçou forte , beijou seu cabelo. Ela sentia tão pequena perto dele.
Ele sussurrando disse que na manhã seguinte voltaria para França, ela já sabia suspirou.
Tomaram banho se trocaram e deixaram o local.
Ela o deixou no mesmo lugar do ínicio da tarde. Ele a beijou e seu gosto ficou. Ela o esperou tomar o táxi e dirigiu de volta para casa.
Entrou encontrou o marido assistindo futebol.
-Problemas? Se atrasou, ele perguntou sem olhá-la, como sempre alheio a vida dela.
-Problemas? Não, soluções.
Ela subiu as crianças estavam dormindo , ela os beijos entrou no banho.
As imagens do dia passavam calmamente , enquanto a água caia sobre seu corpo cansado.
Ela se deitou , estranhamente não sentia culpa, sentia-se muito feliz e adormeceu.
Bjos meus.
Neide Ponzoni.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
O Perdão.
O Perdão.
Ao abrir a porta ela reconheceu aqueles olhos azuis, eles não tinha o mesmo brilho assim como a pele também estava envelhecida, passaram-se 40 anos.
Ela sentiu-se mal estar, lembrava da agora com toda nitidez o dia do abandono.
Após dias discutindo e repetidas agressões, seu pai foi embora , sua mãe chorou até os olhos secarem , e adquiriram um brilho estranho , depois pegou os 5 filhos fez uma mala para cada um e os levou para porteira da fazenda
Ali sem entender o que acontecia ficaram parados, cada pessoa que parava ela os oferecia, contava o drama que estava vivendo e repetia que não tinha condições de mantê-los, seus olhos azuis estavam vermelhos,ela era alta , magra, seus cabelos eram loiros e tinha um cheiro de flores, doá-los era a saída que ela dera.
Dos seus irmãos e irmãs ela foi separada, cada um foi doado para pessoas diferentes, até o bebezinho fora doado assim como doa um gatinho.
Ela um casal pegou, o medo a fez vomitar enquanto caminhava. A mulher a pegou no colo e disse que cuidaria dela. Ao chegar à casa do casal percebeu que ali já tinha três crianças as quais, ela com apenas oito anos cuidaria. Aprendeu logo a cozinhar, a passar e lavar. Era uma adulta em miniatura.
A mulher nunca a tratava mal, mas também não lhe agradecia. Ela sentia saudades da mãe ,e não entedia porque ela tinha os abandonado, do pai ela nada sentia , mas principalmente da sua irmã gêmea ela sentia uma saudade doída, a noite ela sonhava com a fazenda e as duas correndo juntas.
Quando iam á cidade ela ficava procurando, observando na ânsia de ver algum dos seus irmãos.
Nunca reclamava, aprendeu a ser silenciosa falava pouco, aprendeu ler junto com as crianças as quais ela amava, era somente cinco anos mais velha mas parecia mãe deles, sabia que a leitura a ajudaria encontrar seus irmãos.
O tempo passou quando fez 18 anos teve liberação para ir a cidade sozinha seria uma oportunidade de obter notícias da mãe ou quem sabe sobre dos irmãos.
Passou o dia perguntando ninguém nem ouvira falar , outros diziam que seu pai tinha ido embora com uma cigana , e a mãe nunca mais foi vista , já passara 10 anos. Voltou para a casa triste chorou naquela noite, também sonhou com um bebe chorando e a chamando, acordou angustiada. Ela encontraria a mãe e os irmãos.
Seus passeios pela cidade eram como buscas ao passado. Depois de longa procura descobriu que sua irmã foi doada para alguém da capital, e que dois dos seus irmãos moravam na cidade vizinha. Em pouco tempo os reencontrou-os já eram homens com família e a recebeu muito bem , não queria saber da mãe nem do pai mas ajudaria encontrar as duas irmãs que faltavam.
Quando ela fez 22 anos casou e no dia do seu casamento sua irmã gêmea estava lá, elas eram muito parecidas ate a voz era igual, cabelos pretos olhos verdes , pele branca. Foram quatro anos de busca , mas encontrou era como se olhasse no espelho. Ainda faltava saber onde estava o bebê e sua mãe, o pai ela desistiu de encontrar soube que vivia com um bando de ciganos.
Com a nova vida de casada pouco tempo sobrava para pensar no passado, teve filhos muitos, sete filhos em menos de 20 anos de casada.
O marido era um homem severo às vezes grosseiro, parecia muitas vezes com a lembrança que tinha do seu pai, não demonstrava sentimentos , era frio, rude, como podia ela ter se encantado por ele, sempre que podia a humilhava , mas os filhos eram tudo que ela queria.
Trabalhava duro como costureira para ajudar a mantê-los, passava por momentos difíceis já que o marido trabalhava no campo e o que ganhava não dava para terem luxo, as crianças cresciam educadas e estudiosas , ela nunca entendeu porque a mãe foi tão fraca e os abandonou, aquilo ainda a incomodava muito, e sempre sonhava com o bebê chorando.
Até que aquele dia ao abrir a porta da casa se de parou com aquela mulher, ela era sua mãe. Depois de 40 anos lá estava.
Ela a encarou , estava fraca , seu corpo magro , seus cabelos ralos, bem vestida mas com simplicidade, parecia alguém que estava preste a se quebrar.
Ela lhe ofereceu café, ficaram ali mudas olhando pro nada sem saber o que falar, até que ela tomou coragem e perguntou –onde esteve neste quarenta anos?
Perdida respondeu a mulher. Sofri muito , nunca tive paz. Todos os dias sofri, não há um só dia que não lamente por ter sido tão fraca de ter abandonado vocês. Minha vida é feita de sombras. Não me casei novamente , não tive mais filhos, vivi sozinha. Fui para muito longe para esquecer a tristeza da traição do seu pai, mais não foi ele que me destruiu foi a fraqueza de não saber lutar. Isto me matou um pouco a cada dia, soube que você me procurava , como vou morrer estou aqui. A voz saia fraca , falhava, o tom era quase inaudível. Sem saber mais o que dizer sem forças pronunciou perdão. Seu corpo caiu no chão.
Ela apoiou o corpo da sua mãe no colo, e sentiu o cheiro de flores vindo dos seus ralos cabelos. Eu a procurei toda minha vida e a perdôo de todo meu coração. Você é minha mãe, eu a quero viva, quero saber como é ter uma mãe , senti sua falta.
Perdão, repetia a mulher. Veja aqui esta o endereço da sua irmã mais nova. Ela é feliz , eu a vi.
Eu a perdôo mãe, fica comigo. Nessa hora o corpo da mulher ficou leve. Ela sabia que era o adeus. Chorou como nunca, sua procura tinha terminado ali.
Bjos meus.
Neide Ponzoni
Ao abrir a porta ela reconheceu aqueles olhos azuis, eles não tinha o mesmo brilho assim como a pele também estava envelhecida, passaram-se 40 anos.
Ela sentiu-se mal estar, lembrava da agora com toda nitidez o dia do abandono.
Após dias discutindo e repetidas agressões, seu pai foi embora , sua mãe chorou até os olhos secarem , e adquiriram um brilho estranho , depois pegou os 5 filhos fez uma mala para cada um e os levou para porteira da fazenda
Ali sem entender o que acontecia ficaram parados, cada pessoa que parava ela os oferecia, contava o drama que estava vivendo e repetia que não tinha condições de mantê-los, seus olhos azuis estavam vermelhos,ela era alta , magra, seus cabelos eram loiros e tinha um cheiro de flores, doá-los era a saída que ela dera.
Dos seus irmãos e irmãs ela foi separada, cada um foi doado para pessoas diferentes, até o bebezinho fora doado assim como doa um gatinho.
Ela um casal pegou, o medo a fez vomitar enquanto caminhava. A mulher a pegou no colo e disse que cuidaria dela. Ao chegar à casa do casal percebeu que ali já tinha três crianças as quais, ela com apenas oito anos cuidaria. Aprendeu logo a cozinhar, a passar e lavar. Era uma adulta em miniatura.
A mulher nunca a tratava mal, mas também não lhe agradecia. Ela sentia saudades da mãe ,e não entedia porque ela tinha os abandonado, do pai ela nada sentia , mas principalmente da sua irmã gêmea ela sentia uma saudade doída, a noite ela sonhava com a fazenda e as duas correndo juntas.
Quando iam á cidade ela ficava procurando, observando na ânsia de ver algum dos seus irmãos.
Nunca reclamava, aprendeu a ser silenciosa falava pouco, aprendeu ler junto com as crianças as quais ela amava, era somente cinco anos mais velha mas parecia mãe deles, sabia que a leitura a ajudaria encontrar seus irmãos.
O tempo passou quando fez 18 anos teve liberação para ir a cidade sozinha seria uma oportunidade de obter notícias da mãe ou quem sabe sobre dos irmãos.
Passou o dia perguntando ninguém nem ouvira falar , outros diziam que seu pai tinha ido embora com uma cigana , e a mãe nunca mais foi vista , já passara 10 anos. Voltou para a casa triste chorou naquela noite, também sonhou com um bebe chorando e a chamando, acordou angustiada. Ela encontraria a mãe e os irmãos.
Seus passeios pela cidade eram como buscas ao passado. Depois de longa procura descobriu que sua irmã foi doada para alguém da capital, e que dois dos seus irmãos moravam na cidade vizinha. Em pouco tempo os reencontrou-os já eram homens com família e a recebeu muito bem , não queria saber da mãe nem do pai mas ajudaria encontrar as duas irmãs que faltavam.
Quando ela fez 22 anos casou e no dia do seu casamento sua irmã gêmea estava lá, elas eram muito parecidas ate a voz era igual, cabelos pretos olhos verdes , pele branca. Foram quatro anos de busca , mas encontrou era como se olhasse no espelho. Ainda faltava saber onde estava o bebê e sua mãe, o pai ela desistiu de encontrar soube que vivia com um bando de ciganos.
Com a nova vida de casada pouco tempo sobrava para pensar no passado, teve filhos muitos, sete filhos em menos de 20 anos de casada.
O marido era um homem severo às vezes grosseiro, parecia muitas vezes com a lembrança que tinha do seu pai, não demonstrava sentimentos , era frio, rude, como podia ela ter se encantado por ele, sempre que podia a humilhava , mas os filhos eram tudo que ela queria.
Trabalhava duro como costureira para ajudar a mantê-los, passava por momentos difíceis já que o marido trabalhava no campo e o que ganhava não dava para terem luxo, as crianças cresciam educadas e estudiosas , ela nunca entendeu porque a mãe foi tão fraca e os abandonou, aquilo ainda a incomodava muito, e sempre sonhava com o bebê chorando.
Até que aquele dia ao abrir a porta da casa se de parou com aquela mulher, ela era sua mãe. Depois de 40 anos lá estava.
Ela a encarou , estava fraca , seu corpo magro , seus cabelos ralos, bem vestida mas com simplicidade, parecia alguém que estava preste a se quebrar.
Ela lhe ofereceu café, ficaram ali mudas olhando pro nada sem saber o que falar, até que ela tomou coragem e perguntou –onde esteve neste quarenta anos?
Perdida respondeu a mulher. Sofri muito , nunca tive paz. Todos os dias sofri, não há um só dia que não lamente por ter sido tão fraca de ter abandonado vocês. Minha vida é feita de sombras. Não me casei novamente , não tive mais filhos, vivi sozinha. Fui para muito longe para esquecer a tristeza da traição do seu pai, mais não foi ele que me destruiu foi a fraqueza de não saber lutar. Isto me matou um pouco a cada dia, soube que você me procurava , como vou morrer estou aqui. A voz saia fraca , falhava, o tom era quase inaudível. Sem saber mais o que dizer sem forças pronunciou perdão. Seu corpo caiu no chão.
Ela apoiou o corpo da sua mãe no colo, e sentiu o cheiro de flores vindo dos seus ralos cabelos. Eu a procurei toda minha vida e a perdôo de todo meu coração. Você é minha mãe, eu a quero viva, quero saber como é ter uma mãe , senti sua falta.
Perdão, repetia a mulher. Veja aqui esta o endereço da sua irmã mais nova. Ela é feliz , eu a vi.
Eu a perdôo mãe, fica comigo. Nessa hora o corpo da mulher ficou leve. Ela sabia que era o adeus. Chorou como nunca, sua procura tinha terminado ali.
Bjos meus.
Neide Ponzoni
terça-feira, 20 de abril de 2010
Dar ou não dar foi a minha grande questão.
Dar ou não dar foi a minha grande questão.
Minha adolescência foi no final da década de 80 e década de 90. Época de abertura política, caras pintadas, fé no socialismo......e muita, muita paquera e rock nacional.
Não “ficávamos” como hoje, paquerávamos. Algo entre liberalismo de hoje e conservadorismo dos anos 20.Tudo podia, mas o advento da AIDS trouxe medo.
Como eu fazia colegial ( hoje Ens. Médio) e Magistério (hoje não existe mais.) ao mesmo tempo, convivia com dois seletos grupos, os das moças que queriam ser professoras e dos anarquistas que não sabiam o que queriam...Era uma confusão , eu queria os dois ser anarquista e ser professora.
Naquela década as meninas não transavam , elas davam.....e eu menina independente morava sozinha em São Paulo, tinha trabalho, salário , e não dava.
Era muito conflitante ouvir algumas amigas contar de suas paixões tórridas e outras me aconselharem ser direita, mas eu era de esquerda, petista algo estava errado comigo, nem Freud explicava ou melhor, Freud dizia que para você se tornar mulher, isto é ter relação sexual, tem que matar o pai.... Ah isso tava difícil, o meu era imortal.
E foi assim por muitos anos, namorava na hora h, saia fora inventava uma desculpa e nada.
Deixava os paqueras na mão, literalmente, agora entendo o que é deixar na mão.
Tive muitos paqueras: poetas, comunista, filósofos, roqueiros, engenheiros, cultos, bobos , imaturos, apolíticos , ateus, evangélicos...... e lá vem história; uma grande paixão foi um chileno conhecedor de Neruda e Gabriel Garcia , foi ele que leu pra mim Amor no tempo do cólera , como esquecê-lo, apaixonei mas não dei.
Outro foi um administrador de empresa, assinante do Círculo do livro, me mandava lindos exemplares , Drummond, Pessoa, com poesia na primeira folha, ele era lindo moreno, apaixonei, mas não dei. Outro loiro, olhos verdes... ah meus 19 anos...... não dei. Outro cantor, tinha uma banda , me cantava em suas músicas , tenho uma na memória, não dei.
Acho que os deixava com dores nos rins, suando frio e com raiva, mas...
Sou uma mulher dominada pelas palavras, alguns paqueras sabendo disso liam , aprendiam , acho que os ajudei bastante de forma cultural....
Até que conheci um ser meio estranho; era meio tudo roqueiro, atleta , estudante, falava pouco mas tinha senso de humor .
Oh raiva por esse eu não me apaixonei , era algo esquisito, o conheci num carnaval, então pensando bem , logo passaria como dizia o samba do Chico “vai passar...” e nada O cara era CDF , ia pra casa e ficava estudando , sério algo errado no ar... Nem uma tentativa sexual, era gay ?????? Não, ele não era gay , mas não podia pegar DP.
Eu ansiava pelas férias...conversávamos muito,ás vezes era mais um monólogo, ele ouvia, todos meus sonhos conflitos, raiva , questões políticas, filosóficas , partidárias....ele ouvia , ria e falava sempre ahhhh Neide.
Claro tinha uns “rala e rola”.... e eu deixando ir...
Certa noite fomos ver Telma e Louise , saimos do cinema e eu falando sem parar , gosto de ver os filmes comentá-los , fico horas analisando , assisto mais de uma vez, e o cara mudo, só ouvia , até que parei e perguntei:
_ O que achou do filme ???
Ele olhou nos meus olhos e disse:
-AHHHH Neide ,elas são mulheres como você. Com o destino de suas vidas nas mãos.
AH... Sou movida por palavras e aquelas me abriram minhas pernas....oppssss quero dizer abriram meu coração !!!!!!!
Quem é o cara????? Todos os meus amigos sabem.
Bjos Meus.
Neide Ponzoni
Minha adolescência foi no final da década de 80 e década de 90. Época de abertura política, caras pintadas, fé no socialismo......e muita, muita paquera e rock nacional.
Não “ficávamos” como hoje, paquerávamos. Algo entre liberalismo de hoje e conservadorismo dos anos 20.Tudo podia, mas o advento da AIDS trouxe medo.
Como eu fazia colegial ( hoje Ens. Médio) e Magistério (hoje não existe mais.) ao mesmo tempo, convivia com dois seletos grupos, os das moças que queriam ser professoras e dos anarquistas que não sabiam o que queriam...Era uma confusão , eu queria os dois ser anarquista e ser professora.
Naquela década as meninas não transavam , elas davam.....e eu menina independente morava sozinha em São Paulo, tinha trabalho, salário , e não dava.
Era muito conflitante ouvir algumas amigas contar de suas paixões tórridas e outras me aconselharem ser direita, mas eu era de esquerda, petista algo estava errado comigo, nem Freud explicava ou melhor, Freud dizia que para você se tornar mulher, isto é ter relação sexual, tem que matar o pai.... Ah isso tava difícil, o meu era imortal.
E foi assim por muitos anos, namorava na hora h, saia fora inventava uma desculpa e nada.
Deixava os paqueras na mão, literalmente, agora entendo o que é deixar na mão.
Tive muitos paqueras: poetas, comunista, filósofos, roqueiros, engenheiros, cultos, bobos , imaturos, apolíticos , ateus, evangélicos...... e lá vem história; uma grande paixão foi um chileno conhecedor de Neruda e Gabriel Garcia , foi ele que leu pra mim Amor no tempo do cólera , como esquecê-lo, apaixonei mas não dei.
Outro foi um administrador de empresa, assinante do Círculo do livro, me mandava lindos exemplares , Drummond, Pessoa, com poesia na primeira folha, ele era lindo moreno, apaixonei, mas não dei. Outro loiro, olhos verdes... ah meus 19 anos...... não dei. Outro cantor, tinha uma banda , me cantava em suas músicas , tenho uma na memória, não dei.
Acho que os deixava com dores nos rins, suando frio e com raiva, mas...
Sou uma mulher dominada pelas palavras, alguns paqueras sabendo disso liam , aprendiam , acho que os ajudei bastante de forma cultural....
Até que conheci um ser meio estranho; era meio tudo roqueiro, atleta , estudante, falava pouco mas tinha senso de humor .
Oh raiva por esse eu não me apaixonei , era algo esquisito, o conheci num carnaval, então pensando bem , logo passaria como dizia o samba do Chico “vai passar...” e nada O cara era CDF , ia pra casa e ficava estudando , sério algo errado no ar... Nem uma tentativa sexual, era gay ?????? Não, ele não era gay , mas não podia pegar DP.
Eu ansiava pelas férias...conversávamos muito,ás vezes era mais um monólogo, ele ouvia, todos meus sonhos conflitos, raiva , questões políticas, filosóficas , partidárias....ele ouvia , ria e falava sempre ahhhh Neide.
Claro tinha uns “rala e rola”.... e eu deixando ir...
Certa noite fomos ver Telma e Louise , saimos do cinema e eu falando sem parar , gosto de ver os filmes comentá-los , fico horas analisando , assisto mais de uma vez, e o cara mudo, só ouvia , até que parei e perguntei:
_ O que achou do filme ???
Ele olhou nos meus olhos e disse:
-AHHHH Neide ,elas são mulheres como você. Com o destino de suas vidas nas mãos.
AH... Sou movida por palavras e aquelas me abriram minhas pernas....oppssss quero dizer abriram meu coração !!!!!!!
Quem é o cara????? Todos os meus amigos sabem.
Bjos Meus.
Neide Ponzoni
sábado, 3 de abril de 2010
Terapia para mulheres.
Terapia para mulheres.
Janeiro é um mês abençoado, pois tenho o privilégio de estar de férias.
Este ano foi especial porque foi uma TPM (terapia para mulheres), pude ver minhas amigas e foi uma maravilha, falar de sexo , sapato, roupas, amores , desilusão , compaixão ,política , filmes, e nada.
Há quem diga que mulheres, quando as mulheres são amigas, ficam insuportáveis , discordo .
Encontro de amigas é algo espiritual .
Tive mais tempo pra falar com minhas irmas, sem a correria do dia-a-dia.
Este mês encontrei com a intelectual, quem me ensina milhares de coisas numa conversa de dez minutos , saio assim com mil pensamentos e a cabeça em parafuso , me questiono , questiono o mundo e sinto uma vontade louca de assistir e ler os livros recomendados por ela
Encontrei com aquela que faz tudo que eu peço , me leva no Mac Donald s , paga sorvete , fala que eu não estou gorda me enche a bola e sorri com piadas dos pontinhos.
Encontrei aquela que está apaixonada e passou horas falando do mesmo assunto, esta adolescendo novamente, depois de sofrer de amor.
Encontrei com aquela que esta experimentando viver um novo amor e morre de medo, se puni, apesar do casamento ir mal ela acredita que pode recuperá-lo, ama o marido mas sua mente quer voar ,cansou da prisão.
Encontrei com as recentes e novatas balzaquianas, corpos sarados, mente ativa e hormônios em ebulição.
Encontrei com aquela que agora é de Jesus , graças a ele está feliz , tenho certeza que sim , não é que Jesus fez um bem danado pra ela, o visual está maravilhoso.
O mês de janeiro foi de sorrisos, suspiros e abraços, cheio de gotas de alegria,doei minha alma e coração, olhei nos olhos, deixei fluir a emoção , percebi que não perdi a paixão,matei o tempo , a saudade , Cronus o senhor do tempo nos devora, mas eu o enganei, fui mais rápida , ele não sabe que existe Janeiro.
O que sei é temos são apenas sentimentos, vontades, desejos e sonhos e dividi-los com as verdadeiras amigas é a melhor e mais válida terapia existente.
Viva Janeiro e que venha Julho.
Janeiro é um mês abençoado, pois tenho o privilégio de estar de férias.
Este ano foi especial porque foi uma TPM (terapia para mulheres), pude ver minhas amigas e foi uma maravilha, falar de sexo , sapato, roupas, amores , desilusão , compaixão ,política , filmes, e nada.
Há quem diga que mulheres, quando as mulheres são amigas, ficam insuportáveis , discordo .
Encontro de amigas é algo espiritual .
Tive mais tempo pra falar com minhas irmas, sem a correria do dia-a-dia.
Este mês encontrei com a intelectual, quem me ensina milhares de coisas numa conversa de dez minutos , saio assim com mil pensamentos e a cabeça em parafuso , me questiono , questiono o mundo e sinto uma vontade louca de assistir e ler os livros recomendados por ela
Encontrei com aquela que faz tudo que eu peço , me leva no Mac Donald s , paga sorvete , fala que eu não estou gorda me enche a bola e sorri com piadas dos pontinhos.
Encontrei aquela que está apaixonada e passou horas falando do mesmo assunto, esta adolescendo novamente, depois de sofrer de amor.
Encontrei com aquela que esta experimentando viver um novo amor e morre de medo, se puni, apesar do casamento ir mal ela acredita que pode recuperá-lo, ama o marido mas sua mente quer voar ,cansou da prisão.
Encontrei com as recentes e novatas balzaquianas, corpos sarados, mente ativa e hormônios em ebulição.
Encontrei com aquela que agora é de Jesus , graças a ele está feliz , tenho certeza que sim , não é que Jesus fez um bem danado pra ela, o visual está maravilhoso.
O mês de janeiro foi de sorrisos, suspiros e abraços, cheio de gotas de alegria,doei minha alma e coração, olhei nos olhos, deixei fluir a emoção , percebi que não perdi a paixão,matei o tempo , a saudade , Cronus o senhor do tempo nos devora, mas eu o enganei, fui mais rápida , ele não sabe que existe Janeiro.
O que sei é temos são apenas sentimentos, vontades, desejos e sonhos e dividi-los com as verdadeiras amigas é a melhor e mais válida terapia existente.
Viva Janeiro e que venha Julho.
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