quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Tempo de recolhimento



Dizem que nossas escolhas que fazem sermos quem somos , ou melhor somos a soma dos nossas escolhas. Escolho sair de cena. Saio de cena com minhas  alegrias  intensas, minhas tristezas, absolutas. Tenho em mim alguns  sentimentos amarrotados  pelo tempo, outros recém-nascidos na angustia de não conseguir mudar . A palavra estabilizar me corrói.

 Ontem, chorei antes de dormir. Chorei por falta de qualquer emoção, o peito estava vazio e a conformidade me entristeceu.

Hoje, apesar de todo céu azul,  continuo cinza. Não banalizo minhas angústias e sofro como qualquer ser humano por questões tão corriqueiras como rejeição e todas estas coisas que nos fazem olhar para a vida, por um instante, com certo cansaço e desânimo. O pior de tudo é falta de solidariedade. Sabe aquilo que espera que outro faça por você , porque você faria pelo outro: isso não ocorre . O julgamento é instantâneo.

O corre –corre da vida vai nos deixando só. Estou tão cansada. Estou tão, tão cansada!

 Minha vida tem sido um amontoado de coisas , tenho uma dor. Mas o que faz a dor? A dor quando bem vivida, percebida, acolhida, não passa de uma forte emoção, então me recolho para senti-la. Se  a vida fosse fácil ninguém sofreria, tem dias que não dá pra sorrir, mas engole o choro e segue enfrente . Não  ignoro o dia seguinte e isto me instiga quem sabe amanhã o cinza se desfaça e esperança se pinte de cores vibrantes como a primavera.

Bjos meus .

Neide Ponzoni