Dizem que nossas escolhas que fazem sermos quem somos ,
ou melhor somos a soma dos nossas escolhas. Escolho sair de cena. Saio de cena
com minhas alegrias intensas, minhas tristezas, absolutas. Tenho em mim alguns
sentimentos amarrotados pelo
tempo, outros recém-nascidos na angustia de não conseguir mudar . A palavra
estabilizar me corrói.
Ontem, chorei
antes de dormir. Chorei por falta de qualquer emoção, o peito estava vazio e a
conformidade me entristeceu.
Hoje, apesar de todo céu azul, continuo cinza. Não banalizo minhas angústias e sofro como qualquer
ser humano por questões tão corriqueiras como rejeição e todas estas coisas que
nos fazem olhar para a vida, por um instante, com certo cansaço e desânimo. O
pior de tudo é falta de solidariedade. Sabe aquilo que espera que outro faça
por você , porque você faria pelo outro: isso não ocorre . O julgamento é instantâneo.
O corre –corre
da vida vai nos deixando só. Estou tão
cansada. Estou tão, tão cansada!
Minha vida tem sido um amontoado de coisas ,
tenho uma dor. Mas o que faz a dor? A dor quando bem vivida,
percebida, acolhida, não passa de uma forte emoção, então me recolho para senti-la. Se a vida fosse fácil ninguém sofreria, tem
dias que não dá pra sorrir, mas engole o choro e segue enfrente . Não ignoro o dia seguinte e isto me instiga
quem sabe amanhã o cinza se desfaça e esperança se pinte de cores vibrantes
como a primavera.
Bjos
meus .
Neide
Ponzoni
