Rita subia a trilha que a levava a cachoeira, ofegante, não lembrava que era tão longe, tempos atrás era tão fácil vencer as pedras e solo escorregadio, estava com o coração aos pulos, estava velha, ria.
Quando avistou a queda d água suas pernas estavam tremendo e seu corpo cansado.
Sentou tirou o tênis, colocou os pés na água gelada. Sua vida passou lentamente,uma retrospectiva cheia de alegrias e dores, e não era só no pé. Rita subia a trilha que a levava a cachoeira, ofegante , não lembrava que era tão longe, tempos atrás era tão fácil vencer as pedras e solo escorregadio, estava com o coração aos pulos, estava velha ria.
Quando avistou a queda d água suas pernas estavam tremendo e seu corpo cansado.
Sentou tirou o tênis, colocou os pés na água gelada. Sua vida passou lentamente ,uma retrospectiva cheia de alegrias e também dores, e não era só no pé.
A infância no sitio, adolescência marcada de trabalho, a saída da cidade natal em direção a capital, sua formação, o casamento, o nascimento dos filhos, os ganhos e perdas de uma vida já estabilizada no trabalho e desestruturada no casamento.
Ela estava profundamente triste, sua cabeça estava confusa desde o momento que viu o marido com outra, diante de si viu surgir a personificação de seus medos, os mesmo que Othelo sentia.
Tomas sempre reclamava que ela não o acompanhava nas viagens, e nem se quer o levava até o aeroporto, reclamava que o trabalho dela sempre foi mais importante , primeiro o mestrado, depois o doutorado e nunca sobrava tempo pra ele. Então entendendo a queixa Rita preparou uma surpresa.
Recortou fotos deles e dos meninos montou um álbum colorido, o surpreenderia no aeroporto com uma despedida carinhosa.
Nada falou a Tomas. Como um dia comum se arrumou despediu-se dele desejou boa viajem e foi esperá-lo no aeroporto, com o presente.
Rita o avistou de longe, ele era um belo homem os cabelos já grisalhos mas desalinhados dava um ar de moleque.
Rita caminhou em sua direção, mas parou. Ele não estava sozinho, vinha de mãos dadas com uma garota, literalmente uma garota.
Ele não a viu, Rita sentiu seu estomago doer, sentiu se enjoada. Parada estava, parada ficou. Tomas passou entre os passageiros trocando afagos e beijinhos com a menina .
Lá ficou Rita com seu presente na mão, não sabia o que fazer. Sentou e desabou.
Ficou por mais de uma hora sem sentir. Levantou pegou o carro e voltou pra casa. Chorou muito, até dormir. Acordou com o telefonema de Tomas avisando que tinha chegado bem. Respondeu com monossilábicos. Sentiu raiva, deveria estar bem mesmo, patife.
Ficou no quarto, inventou um resfriado para que os meninos não a incomodasse.
Foram quinze dias de queda livre. Pensou em matar, em morrer, em fugir, chorou pelos seus vinte anos de casada.
Teria que enfrentar a situação Tomas estaria de volta no sábado.
Rita pediu antecipação de suas férias , iria confrontá-lo e depois viajaria para a cidade natal, descansaria e descasaria , iria pensar , precisava de colo .Ela nunca viajava sem os meninos iria levá-los, era período letivo mas não pediria o traidor para cuidar das crianças. Depois ela decidiria o que fazer, tinha que descobrir-se novamente
Tomas voltou.Como sempre cheio de presentes para os meninos, e pra ela. Rita agradeceu e disse que também tinha um presente pra ele, foi buscar o álbum e o entregou.
Rita viu Tomas se emocionar, os meninos estavam abrindo os presentes.
Rita então continuou ,eu fiz pra você, levei no Aeroporto mas não pude entregar você estava muito bem acompanhado. Bela namorada .
Os meninos nada percebiam. Tomas empalideceu, só murmurou desculpas.
Rita muito controlada resmungou que desculpas não bastavam. E com controle sobrenatural disse que queria passar uns dias no interior com a mãe e levaria os meninos juntos.
Tomas permaneceu mudo. Naquela noite ele não dormiu.
Na manhã seguinte Rita viajou.
Agora estava ali com os pés dentro da água no seu refugio de menina. Todos os indícios de traição vinham em sua mente, ela a doutora psicanalista conhecedora da alma humana não havia percebido. Casa de ferreiro espeto de pau, ou melhor, o dela era de vidro.
Resolveu nadar, tirou a roupa e se jogou na água .Entrou na cachoeira e deixou que a força água atingisse seus músculos , queria que todos os pensamento fossem embora rio abaixo. Chorou, gritou de raiva por todas as suas perdas, pela morte do pai, a saudades dos irmãos, a culpa de passar tanto tempo com a mãe e a patifaria do marido. Nadou até o corpo não aquentar mais. Estava saindo do rio quando viu na sua frente um homem, assustou e escorregou, caiu. Seu cotovelo abriu.
O homem abaixou para ajudá-la, desculpando-se.
_ Não queria assustá-la, me desculpe, deixa eu te ajudar.
_ Não foi nada, isso que dá invadir propriedade alheia.
_ Venha , você está sangrando, me deixa ver seu braço.
_ Rita não estava preocupada com o braço e sim com seu corpo estava nua, se a chamassem de gorda não seria nenhuma calúnia. Levantou segurou pela mão do homem e começou a se vestir rápido.O sangue não parava .
O homem que apresentava uns trinta e poucos anos, aproximou para ajudá-la.
_ Posso ver seu braço, examinou com calma.
__Acho que vai ter que ir ao pronto socorro suturar.
_ Rita o observava, o braço ardia.
_ Está sangrando muito, toma enrole minha camiseta até chegar ao hospital, afinal fui eu o culpado não deveria te- la assustado.Está de carro ?
¬¬¬¬__Não. Subi andando, mas consigo voltar.
__O meu carro está no começo da trilha, vamos juntos e te levo até o hospital.
__Certo.
__Rita entrou no carro. Permaneceu em silencio. Logo estavam na porta do hospital.
Entraram e ela foi atendida, sob os olhares desconfiados das enfermeiras, pois estava molhada, descabelada e machucada, percebeu que o homem foi chamado de Dr, e todos o olhavam com respeito.
Rita levou uns pontos, e depois foi para recepção, deu seus dados preencheu alguns papéis, antes de sair perguntou a recepcionista qual o nome do homem que a tinha trazido ao hospital, pois queria agradecê-lo e depois devolver a camiseta.
A recepcionista a olhou com desdém __é doutor Carlos .
Rita agradeceu e pediu um taxi. Que trágico mais um médico , ria.
Rita e Tomas se conheceram na faculdade, os dois eram do interior e dividiam quartos numa república no bairro próximo a UFMG, logo se tornaram amigos e depois namorados. No final do curso se casaram. Ele advogado , agora um alto executivo de uma multinacional,ela psiquiatra. Ele alimentava ego, ela consertava almas e estruturava o ego.
Ao chegar em casa , tranqüilizou a mãe que fora só um tombo, que estava distraída como sempre. Nenhuma novidade, já tinha várias cicatrizes, quando criança era um para-raio, só ela machucava, quebrava braço, perna e tudo o que tinha direito, alimentando a ira dos irmãos que morriam de vontade por gesso , ela era a menina hematoma , assim era chamada. Talvez por isso escolheu medicina, primeiro pensou em pediatria mas desistiu, decidiu pela área da psiquiatria, seus pontos não seriam dados no corpo.
Após um demorado banho, Rita sentou no velho banco de carvalho na varanda da casa da mãe e ali ficou, pensando e tentando intimamente resolver sua vida , os filhos andavam de bicicleta, dava pra vê-los longe junto aos primos.Se distraiu com seus pensamentos e desejos que assustou ao ver seu irmão sentado do seu lado.
_ E aí ? O que esta fazendo aqui em pleno mês de Maio, perguntou Ricardo seu irmão caçula.
_ Fugindo.....
_De quem ? Todo mundo sabe onde você está. Só se for de si mesma, pois é a única que parece não saber onde e o que procura, seus olhos estão cinza esta brava ?
E este braço caiu de novo? Vai dar nome para esta cicatriz também ?
__Sempre caio, mas levanto. Ainda não escolhi o nome , disse Rita rindo.
Ricardo era seu predileto, entre os quatro irmãos era o mais amado. Agora ali diante dela um homem feito, a diferença de idade deles era de cinco anos, ele parecia bem mais jovem, tinha olhos verdes , cabelos pretos, lembrava o pai. Ricardo tinha dois meninos quase da mesma idade dos de Rita, era agrônomo e morava ali no sítio dos pais junto da mãe. Ele tinha trocado os objetivos por sonhos. Sonhava em plantar e ali no sitio era o seu paraíso. Os outros irmãos mudaram para cidades distantes , só Ricardo permaneceu ali será seu ninho.
Rita deitou no colo de Ricardo e contou tudo o que aconteceu , ele era o primeiro a saber, Rita chorou. Ricardo só ouviu e falou
_Só possuímos na vida o que dela podemos levar ao partir, se possuir ódio levara consigo, penso que o perdão é o único que pode te curar, deixa passar, depois decida.
__Sumi pra não fazer besteira , fiquei muda quando deveria verbalizado minha raiva , nada falei, ausentar-me pode ser risco ou sapiência, ainda estou me reconstruindo , tenho medos , não sou de ferro , sou mulher e fui traída. Sabe lá com quantas e quantas vezes.
__Pode ser somente um casinho com uma cliente ou sei lá uma paixonite...nada sério, tenha calma, você é quem ele ama.
__ Casinho? ?Paixonite? Me ama , me poupe ele me traiu?
___Rita você sabe que fidelidade não é só de corpo, quantas vezes traímos ao não dar valor que o outro tem, ao pensar que um bom dia é o mesmo que te amo, que ao ver o outro triste ignorarmos, traímos quando não temos tempo para dedicar ao outro , ao substituirmos nossos sonhos por objetivos, esquecer detalhes importantes , isto também é traição.Nós traímos o nosso sentimento impondo um ritmo desenfreado a nossa vida e não nos dedicamos , somente vivemos, as nuances da traição envolvem os dois lados de igual medida , não há o certo e o errado.
Rita o ouvia, nesse caso também tinha traído seus sonhos e sentimentos. Sabia que Ricardo estava certo, depois do nascimento dos filhos , seu casamento tinha passado para o plano. Abraçou o irmão com força e chorou .
Ricardo ali ficou até quase o anoitecer , tomaram café juntos e combinaram que no dia seguinte iriam á cidade na quermesse que agitava as noites em Maio.
Estava há três dias no sitio como ainda não tinha entrado em contato com Tomas , havia recusado atender os seus recados, Rita ligou .Tomas atendeu ansioso, com uma voz tristonha e melancólica, desculpando em cada palavra ,insistiu em vê-la . Pediu perdão. Rita ouvia, perdoar bastaria?
Decidiram que ela voltaria e logo conversariam, mas Rita pediu pra ficar mais uns dias sozinha. Fuga ?
A noite Rita foi até a cidade , antes parecia tão longe agora a cidade já estava ali, quase dentro do sitio.
Era festa da padroeira da cidade, por causa dela Rita tinha recebido o seu nome, promessa feita pela mãe , se nascesse uma menina.
A quermesse estava animada , as crianças corriam de um lado para outro, enquanto Rita e Ricardo os observam e falavam da vida dos seus conterrâneos, um ou outro reconheciam Rita e a cumprimentavam. Entre um doce e outro Rita avistou o DR.
Ele veio em direção a ela que tentou disfarçar bem na hora que Ricardo tinha saído.O DR . a cumprimentou e perguntou sobre o braço.
Rita estava desconsertada , lembrava que ele havia visto nua, mas ele era médico deveria estar acostumado, tinha que relaxar.
___ Vou bem , já esta quase cicatrizado. Agradeço a gentileza . Iria ao hospital levar sua camiseta e agradecer .
____ Não se preocupe e desculpa-me fui o causador do seu ferimento, sou Carlos .
____Prazer . Me desculpe por ter invadido a cachoeira, quando criança ia junto com meus irmãos e nadava....
____ Ainda acontece com freqüência. Quase ninguém sabe que aquela área é particular e agora tem uma posada bem próxima a cachoeira.
___ Você é dono da pousada ?
____ Sou , herdei as terras do meu pai , então fiz da antiga casa um pequeno hotel, mas trabalho no hospital como clinico. Então faço o que gosto e me divirto na roça.
___ Agradeço mesmo.
____ Você não é daqui , veio a trabalho ?
____ Nascia aqui mas moro a muito tempo na capital, sou Rita de Cássia , assim como a santa.
___ É tem olhos verdes iguais aos dela. Esta de férias ?
Rita quase respondeu, que férias forçadas, fugia para não resolver uma questão crítica , mas a maneira dele a olhar estava incomodando, ainda parecia nua, ele a penetrava com os olhos a transpassava parecia que ele sabia o que Rita pensava.
____ Sim, descansando .
____ Bom , Aproveita e vai conhecer a pousada e nadar se quiser é claro.
Neste momento aproximou uma garotinha pulou no colo de Carlos chamando para brincar,ele que apresentou como sua bebe. A menina tinha seus traços cabelos pretos e olhos expressivos. Carlos reforçou o convite e disse que a esperava num final de tarde para um happy hours . Férias era merecido , e avisou que na pousada tinha boa música.
Assim que Carlos se afastou , Ricardo veio chegando com vinho num copinho fumegando.
__ Como foi o papo com o doutorzinho ali ?
__Foi ele que me ajudou quando cai, estava agradecendo a gentileza. Você o conhece
___Claro é filho do Seu Joaquim , dono da nossa cachoeira. Não lembra dele ?
___Nao. Ele deve ser bem mais novo que eu.
___Nao sei, mas depois que ficou viúvo voltou pra cá, ele morava de São Paulo, veio criar a filha aqui . Trabalha lá no hospital é o solteiro mais cobiçado da cidade.Preste atenção quantas garotas aproximam da pequena como desculpa.
___ Artifícios femininos. Resmungava Ricardo e ria alto.
Ficaram por ali um tempo enquanto as crianças brincavam. Rita observava Carlos e vez em quando seus olhares se cruzaram, ele a respondia com um a sorriso. Ela estava flertantando.... que coisa estranha.
Os dias passaram lentos, entre conversas com mãe e Ricardo e muitos passeios com os meninos .
Rita deveria voltar no fim de semana para Belo Horizonte, então como despedida resolveu ir até a pousada. Arrumou -se , escolheu diversas roupas mas acabou vestindo uma malha e jeans. Para quem estava se arrumando, que tolice o doutorzinho só estava sendo gentil.Saiu com vontade de tomar um bom vinho que a deixasse simpática.
Dirigiu até a pousada no alto da serra, anoitecia um friozinho tomava conta do ambiente,
Rita chegou a pousada e viu o carro de Carlos . Segurava a camiseta e a usaria como desculpas caso ele estivesse acompanhado, agora temia surpresas.
Entrou e o viu. Carlos levantou e a cumprimentou com um certo entusiasmo, Rita estranhou.
___Que bom que aceitou meu convite venha vou mostrar pra você a pousada. Fiquei esperando a semana toda para tirar os pontos você não apareceu.
___ Eu fui você não estava no hospital. Aqui esta a camiseta . Obrigada.
___ Venha . Você conhece os arredores ,mas a pousada não.
___Como sabe que eu conheço os arredores da pousada ?
___Eu me lembro de você e seus irmãos, você não se lembra de mim, né.
No impulso Rita o acompanhou. Carlos falava e mostrava cada canto do local. Rita só observava, sua voz, gestos e de vez em quando Carlos a segurava o braço ou a tocava despertava algo adormecido. Não ela não queria vingar-se de Tomas , pagar na mesma moeda, mas estava gostando de sentir especial, era assim que os olhos de Carlos a fazia sentir.
Ao voltarem para a pousada estava escuro e a pousada estava completamente fazia. Carlos explicou que só nos fins de semana apareciam turistas, e que após a festa da padroeira os que estavam hospedados tinham ido embora, mesmos sem hospede ele a mantinha aberta por causa das reservas, ele tinha aproveitado para dar folga aos funcionários por isso só poderia servi-la com vinhos e queijos. Rita relaxou ali não teria ninguém para julgá-la.Aceitou o vinho.
Depois da segunda taça Rita e Carlos conversavam animadamente, como se fossem velhos conhecidos. Ela revelou a ele que era médica e contou um pouco da vida . Carlos falou do seu curto casamento e a morte da esposa e as mudanças impostas pela vida. Ali ficaram conversando sobre tudo . Até que Carlos perguntou sobre o motivo real de Rita estar ali.
__ Motivo real de estar aqui, como assim ?
___Aqui na cidade é claro. O que te trouxe aqui ?
___ Já sabe minha mãe mora aqui.
___Sei. Por isso chorava e gritava na cachoeira aquele dia. Por causa da sua mãe insistiu Carlos.
___Chorava porque fui traída.
___È um bom motivo pra chorar, mas, me diga existe alguém que nunca foi traído na vida. Traições acontecem em todos os relacionamentos. São as provas da vida para quem ousa confiar em alguém. E todos nós precisamos confiar, mesmo sabendo que em muitas situações iremos nos decepcionar. Traições podem se transformar em fontes de angústias ou tornarem-se um meio de recomeçar.Você não foi a primeira a sofrer nem será a última. Quem foi traído tem que conseguir se reerguer, encontrar forças para buscar outras pessoas em quem confiar. E seguir por outros caminhos ou perdoar.
___ Você não tem idéia do que é ser traída .
___ Tenho sim, fui traído pela mãe da minha filha . Ela sofreu um acidente de carro junto com meu melhor amigo, os dois tinham um caso antigo apenas eu não sabia. O meu maior problema quando fui traído passei a não acreditar mais nos relacionamentos, fechei para o mundo e desse jeito não consegui ser feliz. Não podia nem perguntar por que, pois ela havia morrido, para mim foi traição dupla, foi sinônimo de dor. Pior ainda foi recordar a traição em si. Posso te dizer não vale à pena encontrar culpados, mesmo que eles existam. Já fomos prejudicados o bastante para ocupar nossa mente com planos de vingança, eu não tinha de quem me vingar. A atitude mais inteligente para quem sofreu uma decepção continua sendo o perdão.
___ Sinto no momento dificuldades para perdoar.
____ Você não pode se prender ao que a pessoa fez de errado, mas sim o que ela pode fazer com a experiência do erro. Quem erra sempre aprende uma lição. E quando existe alguém que compreenda seu erro, o erro pode deixar de existir e dar espaço para novas ações. Condenamos demais e amamos de menos. E assim vamos deixando de lado as pessoas que podem se transformar em seres humanos especiais. Quem traiu se for perdoado pôde experimentar os benefícios do verdadeiro amor. Nem conheço seu marido, mas ele deve te amar, pois você atraente e inteligente, qualidades difíceis de se encontrar hoje .
___ Estou muito mal para pensar desta maneira, em perdão.
____Você é a terapeuta aqui sabe que vai passar, mas posso garantir que ele está perdendo uma bela mulher.
Uma bela mulher eu?
___Infinitamente bela.
Neste momento o corpo de Carlos aproximou de Rita e longo beijo foi trocado. A cabeça de Rita mandava – a parar, mas seu corpo pedia. Rita deixou pela primeira vez o corpo falar primeiro e ali na pousada entre beijos e carinhos passou muitas horas daquela noite. Prometeu a Carlos que voltaria, um dia voltaria.
Antes do amanhecer Rita foi pra casa. Era um turbilhão de sensações, viveu vinte anos de tranqüilidade em relação aos seus sentimentos, tudo certo no lugar, agora estava ali sem saber que atitude tomar em relação ao casamento e a aquele gosto novo na boca.
Rita organizou as malas voltaria para casa não sabia direito o que fazer, mas logo descobriria , aqueles dias no sítio foram essenciais , acreditava que nada acontecia por acaso, ao se trocar olhou para a cicatriz no braço aquela daria o nome de A dois passos do Paraíso. ....Lembrava uma música dos anos 80 ,cantarolava baixinho.... estou a dois passos do paraíso e talvez eu , eu fique por lá , não sei por que eu fui dizer bye....bye...Rita ria .....
Neide Ponzoni
Bjos meus.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Alfabeto de uma professora de licença médica.
Alfabeto de uma professora de licença médica.
Aceita tudo menos ficar sem voz.
Brinca e passeia com os filhos.
Conta os dias para voltar.
Dá um tempo em planos de aula.
Envia email para aqueles que não vêem a muito tempos.
Faz faxina no material didático.
Gasta mais do que devia.
Humor oscila.
Inveja quem tem voz alta.
Julga os médicos, este está certo, este errado.
Livra-se da solidão, através dos livros.
Manda com ternura recadinhos pros amigos.
Nunca sente abandonado.
Organiza seus arquivos do PC.
Perdoa e compreende suas falhas humanas.
Quer falar e não consegue.
Ri e chora vendo uma dúzia de filmes.
Sente aflição na frente da TV .
Toma mais café do que deveria.
Um sorriso seu basta para fazê-lo feliz.
Vence os inimigos invencíveis.
Xinga e briga .
Zela, enfim, pela jóia que a família representa .
Aceita tudo menos ficar sem voz.
Brinca e passeia com os filhos.
Conta os dias para voltar.
Dá um tempo em planos de aula.
Envia email para aqueles que não vêem a muito tempos.
Faz faxina no material didático.
Gasta mais do que devia.
Humor oscila.
Inveja quem tem voz alta.
Julga os médicos, este está certo, este errado.
Livra-se da solidão, através dos livros.
Manda com ternura recadinhos pros amigos.
Nunca sente abandonado.
Organiza seus arquivos do PC.
Perdoa e compreende suas falhas humanas.
Quer falar e não consegue.
Ri e chora vendo uma dúzia de filmes.
Sente aflição na frente da TV .
Toma mais café do que deveria.
Um sorriso seu basta para fazê-lo feliz.
Vence os inimigos invencíveis.
Xinga e briga .
Zela, enfim, pela jóia que a família representa .
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