segunda-feira, 27 de junho de 2016
Como as folhas outonais que se caem das árvores, e as desnudam para o inverno. Meu corpo parece nu.Meus olhos só veem luzes ofuscadas, minha retina as acolhe, meu cansaço as abraça. O dia farto de frio imenso, e uma chuva fria molha meu rosto e meu tênis .
Tudo desnorteia o coração vai acelerando, liberando as emoções primatas que saem do cérebro e vai ate a boca. E volta como um nó para na garganta. A dúvida surge. Fico parada, vontade de não nadar. As pernas recusam a sair do lugar. Queria sair , andar , andar . Não atravesse a rua o cérebro manda.
Então desobedeço a ordem de manter tudo sempre igual. Só sei destes próximos minutos, atravessarei a rua e entrarei pelo portão. Deveria tudo ser novidade e página em branco, somente as palavras anseiam a dança dos dedos para escrever algo diferente e o pensamento ativo, vou ter que ir. É necessário ir
Tudo pede para anoitecer, tudo é garantia. O vento dói e atravessa a roupa. Mas o ignoro a roupa molhada agora gruda no corpo.
Abro a porta, escuto a voz do filho do meu ventre. Satisfeito a criança me sorri. E abraça mesmo toda molhada . “Vai logo tomar banho . Seu corpo ta frio.”
Penso não só corpo esta frio. Novamente as emoções primatas são colocadas numa caixa.
Talvez amanhã, amanheça um sol forte, talvez amanhã as emoções saem e dancem delicadas e convidativas e me levem para longe.
E, agora, tudo mora neste talvez.
Bjos meus . Neide Ponzoni
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