domingo, 21 de agosto de 2011

O jardim.

O jardim.

Sempre vou caminhando para o trabalho tenho o privilégio de trabalhar próximo. Então vou passeando para desanuviar a cabeça de uma escola para outra .
Por ser perto sempre faço percursos diferentes, assim vou conhecendo cada rua e observando cada cantinho do bairro. Morar aqui tem suas vantagens, é um bairro arborizado com ruas largas e casas térreas com belos jardins, sinto as formas, o cheiro , as cores e as pessoas.
Estou sempre atenta ao que vejo, mas esta semana fui surpreendida por um destes jardins. Um jardim perfeito dentro do meu sonho , com cascata , carpas , aguapés e muitas plantas e orquídeas, muitas orquídeas, e no meio dele , um ipê amarelo em plena floração. O construtor daquele jardim deve ser um paisagista da alma , pois tinha troncos diversos , não cortados com serras elétricas , mas sim troncos que pareciam tirados da natureza , as pedras também gastas e belas. Fiquei um tempinho ali escutando a água que caia e seguia por um caminho que parecia um riozinho. Não era um jardim grande, mas era aquele do meu desejo. Fiquei observando , foi quando vi um senhor sentado na varanda da casa me observando também. Ele me acenou com a cabeça , senti invadindo o seu paraíso, virei-me e voltei a caminhar.
Meu mundo, um jardim, dizia Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso.., o meu paraíso se personifica com uma casa com jardim sem grades . Existiria neste jardim, algo para partilhar com todos , algo chamado de felicidade.
Cecília Meireles , mostra-nos como é nosso lugar chamado felicidade, pelo menos o meu com certeza é muito parecido com este.
"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."
Ontem passei lá de novo e joguei uma pedra perto da cascata, agora naquele jardim tem pedacinho de mim.

Bjos meus.
Neide Ponzoni

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cozinha mineira

Cozinha mineira

Outro dia recebi umas amigas em casa para uma noite de vinho quente , todas empoleiramos na cozinha , lá entramos e a prosa ficou aconchegante, lá ficamos tagarelando até tarde. Sempre há um lugar na casa que gostamos mais e ali ficamos, o local preferido da casa revela o lugar preferido da alma, minha alma mora numa cozinha. Calma aí , eu não sei cozinhar nada , uma vergonha para uma mulher mineira, mas sei contar causos ,assim já me safo da culpa.
Na casas que eu vivi em Minas Gerais , o lugar mais importante era a cozinha. Não era o mais chique e nem o mais arrumado. Lugar chique e arrumado na minha casa não tinha, lá não tinha espelhos e nem tapetes no chão .Era uma casa simples de chão de vermelhão que minhas irmãs lustravam com um escovão de ferro pesado.... e nós entramos com os pés sujos de poeira, era vassourada pra tudo que era lado.
Na cozinha da minha casa era diferente, a gente podia ser gente mesmo, podíamos falar , cantar e sentir. Lá tinha fogão de lenha enorme , um rabo também de vermelhão, lá matava fome e alimentava minha a alegria.
Na minha memória ficaram os fogões de lenha, cascas secas penduradas, para acender o fogo, bule de café , lenha crepitando no fogo, o cheiro bom da fumaça, toucinho secando, rostos vermelhos, briga no final do dia para ficar com o lugar melhor e as histórias de assombrações contadas pela minha mãe e as modas de violas cantadas por meu pai. As cozinhas lá em casa sempre ficavam no fim da casa, separadas , penso que para ser protegida da presença dos outros. Cozinha era intimidade da minha família lá nós tínhamos momentos de ternura, não íamos lá só pra comer, era onde quando meus pais estavam em casa nos ensinavam ver o mundo de uma forma ética.
A cozinha ficava afastada do resto casa penso também que era para ficar mais próxima do outro lugar a horta , os canteiros de hortaliças, o quiabo, abobrinhas, salsa, cebolinha , hortelã e uma laranjeira no meio do quintal e embaixo um tanque que no verão enchíamos de água e pulávamos .
Quando sonho com Minas sempre sonho com a cozinha da antiga casa , vivi minha infância com os crepitar da chama do fogão , sinto o cheiro da lenha queimando ao acordar.
Beijos meus.
Neide Ponzoni

sábado, 6 de agosto de 2011

Ímpeto adolescente , quero casar com o Zeca Baleiro.

Ímpeto adolescente , quero casar com o Zeca Baleiro.

Meu coração bate tresloucadamente, as mãos suam, a boca está seca , nervos a flor da pele e tudo para como se o mundo não existisse e lá estava ele, o sorriso na cara , e um sotaque perceptível na voz. Ele canta ...eu quero casar com ele ,quero dar cama , roupa lavada , comida não, pois não sei cozinhar mas o levaria nos melhores restaurantes... cantaria para ele Futuros Amantes de Chico , mesmo desafinando.... leria Pessoa e discutiria filosofia de buteco... o faria me desejar, e mostrar o que é mesmo bala na agulha.
Iria com ele na lojinha de doces e o encheria de jujubas ... e quando ele estivesse triste, tristinho traria a felicidade através de um telegrama ou uma mensagem no celular, que o meu desejo se confunde com a vontade de não ser ou ser sua menina.
Ahhh eu quero pedir o Zeca Baleiro em casamento, mesmo sabendo dele sei quase nada, mas quero ser sua mulher amada e ir com ele pra Babylon!
Viver a pão-de-ló!
Brincadeiras , mas vontade ter o Zeca só pra mim... suas músicas trazem sensações, difíceis de serem expressas...
Bjos meus.
Neide Ponzoni