terça-feira, 3 de abril de 2018
Saudades
Esta semana senti saudade . Dizem que tempo passa e cura , mas nao curou a ausência de quem amei. Lembrei muito de você de quando eu era criança e você usava um topete feito de " trim " um produto grudento e ouvia musica na vitrola da sala com calças boca se sino e camisa xadrez . Lembro de quando chegava em casa com a caminhão cheio de tijolos , ou quando trocava uma bicicleta nova por duas velhas e ainda achava que estava no lucro ... Lembro de entrar no ônibus que você di...rigia e você falar pra todos que eu era sua irmã e que era professora . Os passageiros me olhavam com uma cara " e dai ? " Lembro também dos seus últimos meses no hospital que pediu um bolinho ana maria e eu dei . Quase fui excomungada pelos médicos . E quando estava meio delirando que me fez prometer que eu compraria um caminhão para você trabalhar com o pai . Eu tinha dois empregos ia dar comprar sim repetia sem parar . Eu prometi . Lembro de fazer promessas e promessas para que seu transplante desse certo . E chorar ao sair do hospital com medo . Hoje sei que Deus tem seus planos mas doeu em mim cada minuto que passei ali no IML com você tentando ser a mais forte.... Sinto saudades do seu assobio das musicas irritantes que cantava logo de manha ... Sinto saudades de você Fabio . Sei que esta com os anjos e olha por nos mas ainda dói ...
Caminhos
Sigo pelos caminhos que a vida teceu: com todas as mudanças bruscas, algumas coisas sobreviveram, mas algo em mim morreu. Levo o amor por tudo, sempre.
Uma esperança entusiasmada. A gratidão que me acompanha. Eu vivo e muitas vezes sobrevivo às frustrações e me responsabilizo pelas minhas desistências.
A minha adaptabilidade foi conquistada através de uma profunda reflexão, o que não quer dizer que eu aja por conveniência se não estiver em consonância com a minha essência. ...Pode parecer arrogância: tantas coisas se parecem com o que não são. Não abrevio minhas emoções, não interrompo meus desejos, sou objetiva nas minhas querências. Não banalizo minhas angústias e sofro como qualquer ser humano por questões tão corriqueiras como rejeição e todas estas coisas que nos fazem olhar para a vida, por um instante, com certo cansaço e desânimo.
Mas corro os riscos e banco a minha história, pois a escrevo e reescrevo quantas vezes for preciso. Por isso, antes de me julgar, faça as pazes contigo.
Bjos meus ...
Uma esperança entusiasmada. A gratidão que me acompanha. Eu vivo e muitas vezes sobrevivo às frustrações e me responsabilizo pelas minhas desistências.
A minha adaptabilidade foi conquistada através de uma profunda reflexão, o que não quer dizer que eu aja por conveniência se não estiver em consonância com a minha essência. ...Pode parecer arrogância: tantas coisas se parecem com o que não são. Não abrevio minhas emoções, não interrompo meus desejos, sou objetiva nas minhas querências. Não banalizo minhas angústias e sofro como qualquer ser humano por questões tão corriqueiras como rejeição e todas estas coisas que nos fazem olhar para a vida, por um instante, com certo cansaço e desânimo.
Mas corro os riscos e banco a minha história, pois a escrevo e reescrevo quantas vezes for preciso. Por isso, antes de me julgar, faça as pazes contigo.
Bjos meus ...
Deitado ao meu lado, seus dedos deslizaram pelas minhas costas
abrindo fendas e poros, tecendo caminhos,amanhecendo desejos.
Afastou meus cabelos da nuca pra roçar o seu queixo.
Eu sentia a sua respiração no meu ouvido, seu sopro de vida entrando em mim.
Desajuizada e mansa, deixei que com um movimento de braço...
levasse meu corpo em posição de feto pra dentro da concha do corpo dele.
Naquele encaixe, com o nosso melhor calor, ficamos ali,
desabotoando fomes, desamarrando sentimentos.
Meu coração estava na boca...pro beijo.
abrindo fendas e poros, tecendo caminhos,amanhecendo desejos.
Afastou meus cabelos da nuca pra roçar o seu queixo.
Eu sentia a sua respiração no meu ouvido, seu sopro de vida entrando em mim.
Desajuizada e mansa, deixei que com um movimento de braço...
levasse meu corpo em posição de feto pra dentro da concha do corpo dele.
Naquele encaixe, com o nosso melhor calor, ficamos ali,
desabotoando fomes, desamarrando sentimentos.
Meu coração estava na boca...pro beijo.
Ele não me acordou.
Ele entrou no meu sonho.bjos meus !
Ele entrou no meu sonho.bjos meus !
Sei que o dia será bonito quando me proponho a acordar mais cedo e vou andando tranqüilamente para o trabalho ,participando da paisagem acordada pelos dourados do sol ameno de outono -eu me aventurando pelas ruas como quem passeia dentro de um quadro de Miró.Ate o ponto de ônibus e quando entro e sento leio um poema do Manoel de Barros, sintoo cheiro de xampu nos cabelos de alguém que recém-tomou banho . E quando chego lá, mesmo meio enjoada daquilo tudo e faço aquela brincad...eira que faz todo mundo rir pra descontrair, sei que o resto do dia vai ser mais bonito. Na hora do almoço, daquela comida de sempre. De pe com o barulho das crianças. E aí penso que comerei alguma coisa que gosto no domingo ou nos dias em que recebo o salário, e penso uma tacinha de vinho pra relembrar como o proibido moderado pode ser gostoso e que faz toda a diferença, a beleza se revela gratuita. Penso que quando eu voltar pra casa, se eu me abandonar meia horinha na cama sem pensar em nada, olhando pro teto, sem tirar a roupa do trabalho, sem me preocupar com a arrumação do quarto ou qualquer coisa desse tipo só pra apertar o play naquela música que já estava rolando antes de sair cedo, o refrão pela metade, escutando atentamente, sentindo cada acorde daquela musiquinha que penetra todos os ambientes da minha alma, sei que a beleza do resto do dia está garantida às vezes isso não ocorre eu tenho que cozinhar , lavar e não sobra tempo pro descanso . Aí vou tomar aquele banho demorado e colocar meu moteton velho limpinho .... Ligar o computador , ter as palavras arreganhadas escorrendo pelos dedos no teclado até sentir que é isso, que tá pronto, ler aquele e-mail do amigo saudoso, mandar outro mais saudoso ainda e gostar tanto da minha vida assim, com meu coração sossegado, escolhendo minhas surpresas e sentindo aquele sono na hora em que sei que vai me permitir acordar super bem no dia seguinte... Penso que seria bom receber o telefonema convidando a transgredir e cair no teatro pra chegar de madrugada e acordar na mesma hora de sempre, ressaqueada, sonolenta e feliz...não importa.... Seria muito bom mas vou dormir . Sei que o dia será mais bonito quando lembro de determinar certas coisas, como fazer do cansaço um cantinho de silêncio e repouso pra dormir pesado.Quando me proponho a melhorar os ambientes por onde passo ou, pelo menos, me predisponho a estar bem dentro deles.Quando me permito transgredir sem culpas, sem dramas. Gosto de saber que a minha criatividade serve, principalmente, para arranjar outras alternativas e driblar meu fastio, minhas angústias, meus conflitos, meus problemas tão grandes que nem cabem em mim e tento amenizar minhas crises e fazer dos meus dias invejavelmente mais leves e desses que tornam uma autobiografia bem mais gostosa de ser escrita ou mais propensa à censura...
;-) Pode ate ser que meu dia nao seja assim mas eu escrevo o que quero ....Bjos meus
sábado, 13 de janeiro de 2018
Essa solidão enorme que me habita
agora no final de cada tarde , esse tempo derramado onde o segundo parece durar
horas. Voam as lembranças tão vivazes de um passado \presente, um agora que só
quer ser triste e oco.
Essa angústia
sussurrada pros amigos, o meu corpo a tremer sem agasalhos, a tristeza elegeu
neste momento o meu olhar, que agora vive úmido.
E parece que jamais serei a mesma e que nada mais terá sentido como
antes, como é dura essa tristeza ao contrario
das lagrimas que são dinâmicas e fluidas.
Então tenho que deixar as coisas se renovem, e que as perdas tenham mais de um sentido, que
os vazios me ofereçam mais espaço, pra que a vida me compense com o impossível.
O possível parece se distanciar e meus passos não o alcança.
Queria permitir que a alegria se aproximasse, e que me
trouxesse mais calor para os meus dias, afinal
é verão...quando tudo me parece um desconsolo, é possível ainda assim, ser
poesia.
Serei forte, sigo em frente, respiro fundo, e percebo a
importância de se ter vazios, pra que eu possa ocupar os espaços com novidades . Preciso renascer. Preciso
renascer logo.
Bjos meus.
Neide Ponzoni
domingo, 7 de janeiro de 2018
Os estagios da dor
Os estágios da dor...
Escrevo sobre tudo , mas hoje quero falar sobre estar
doente. Ouvi durante os últimos anos “como assim tem câncer e não morre”... “nossa
você tem câncer e ri, bebe e sai”... “é mentira ela não tem nada” .,” quem está
doente não se comporta assim ...”
O pior e ouvir de quem você mais convive que “como assim
ta de novo com câncer ... “Vai operar de novo “. “Você vive com dor que saco...
“ “vê se opera no dia que não é do meu rodizio ... “ “não fala para ninguém que
é doente imagina o que os outros vão pensar...”
E por ouvir tudo isso faço “quase” tudo sozinha .
Dificilmente peço para alguém me acompanhar sei que estressante para todos.
Primeiro é verdade estou doente ha quase duas décadas...
fiz tantas cirurgias e terapias que sei
de cor qualquer nome de antibiótico e medicamento.
Vivo dentro de hospitais conheço cada sintoma e cada
reação do organismo. Falto algumas partes do corpo, mas que não fazem tanta
falta assim... tenho cérebro, pulmão e coração...vi muitos morrerem e sei o que pode acontecer ..
Passei por todos os estágios de uma doença grave . Não só
uma vez mais diversas. E quero falar deles para que todos entendam como é
difícil estar do lado de cá.
O primeiro estágio é a negação. “Não pode ser
verdade, comigo, não. Deve haver um engano”, de novo não ...declaro todas as
vezes que recebo direta ou indiretamente a notícia de apareceu mais um foco
de doença. A negação funciona como “um
pára-choque depois da notícias inesperadas( ou já esperada) e
chocantes, eu me recupero com o tempo”. Comumente, minha negação é uma defesa temporária, logo
substituída por uma aceitação parcial.
O segundo estágio é a raiva, a revolta de
admitir que sou “sorteada” com o mal que
dói. Esse é o momento é “difícil”, intransigente e com pouca paciência para me
submeter às terapias propostas viro um porco espinho.
O que estranho é que ninguém compreende. Se compreendessem
a dimensão do sofrimento desse estágio e de como a dor e o medo me tornam
irascível, mudariam a atitude em relação a mim, deveria ser um processo de mão dupla, a mudança provocaria
efeitos positivos tanto em mim como para
os que me cercam. Não acontece vira um território minado e eu me sinto culpada
por estar doente .
O estágio seguinte é o da barganha. É fácil
reconhecê-lo faça uma analogia simples
com o comportamento da criança que quer algo que é negado pelos pais. Primeiro
me revolto, bato o pé e faço birra. Quando não consigo nada dessa forma, busco
nova tática: trato de prometer ser boazinha para ser “recompensada”. Geralmente
a barganha é feita silenciosamente com Deus para receber a graça pretendida, o
milagre da cura. Que eu seja a primeira da fila ...Como pode eu ser boa como
estar assim ...prometo mundos e fundos a todos os santos.
O quarto estágio vem a partir do insucesso da barganha e é
a depressão.
Existem nesse estágio dois tipos diferentes de depressão, já passei por
eles, merecem abordagens distintas. A primeira
envolve as preocupações naturais de quem acha que vai deixar a vida. Começo
organizar os armários , documentação e tudo. Falo que gosto das pessoas mando recado
etc...viro a organizada. Me preocupo com quem estou deixando, com os
filhos, com o tempo que resta e com o
que pode fazer com ele. Choro muito.
Nesse momento as vezes me
arrependo do que deixei de fazer e viver . No segundo tipo de depressão,
ao invés de ater as coisas que não fiz , levo em conta
perdas iminentes. E meus filhos e se a cirurgia der errado , e se eu morrer
....
Neste momento só quero ser ouvida. Não quero que mostrem o lado azul da vida Apenas deixe que eu
expresse meu pesar. Choro menos .
O quinto e último estágio é a aceitação,
encontrado, afinal, tive tempo para superar os estágios anteriores. Nesse
momento, descrevo como um certo grau de
“tranquila expectativa”, que não se deve confundir com um estágio de
felicidade. É quase uma fuga de sentimentos, um estado de profundo cansaço e
uma necessidade gradual de aumentar as horas de sono e de fugir. Combino com os
médicos o que fazer e aceito.
Quando passo por esses estágios ai sim necessito de
compreensão e apoio, pois é a hora de começar a lutar.
Neide Ponzoni
Você já reparou que ondas e lágrimas são feitas de água salgada? Sim, cada um de nós leva um mar dentro de si, entre tempestades e calmarias. Que eu consiga transformar tristeza em mar. E caso o caminho pareça longo (muitas vezes parece infinito) que eu tenha fôlego para continuar remando. O resto, o mar ensina.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Não quero compilar acontecimentos em palavras, relembrar cheiros e gostos
e promover o download de cada sensação equivalente apenas para
escrever.
Quero fazer uma pausa, às vezes, para escutar a vida além do olhar e ter no corpo o termômetro de todas as temperaturas possíveis. Saber que o calor dura algum tempo e que sensações frias virão e nada pode impedir.
Sentir as mudanças bruscas e perceber as sutis. E saber que tudo se transforma numa velocidade inédita sempre. As vezes a transformação é lenta quase imperceptível , outras vezes o baque é tão forte que quase derruba.
Acolher a calmaria como um afago da paz o que tanto quero e me permitir um recolhimento que não se pode publicar, pois é um descanso. Quero o silencio e poder ficar sem falar ....
Estar presente na rotina da vida real e arrumar as gavetas em vez de escrever poemas, mas escrever poemas enquanto arrumo as gavetas da alma. Viver . Sentir e querer ter o que posso ter .Bjos meus . Neide Ponzoni
Quero fazer uma pausa, às vezes, para escutar a vida além do olhar e ter no corpo o termômetro de todas as temperaturas possíveis. Saber que o calor dura algum tempo e que sensações frias virão e nada pode impedir.
Sentir as mudanças bruscas e perceber as sutis. E saber que tudo se transforma numa velocidade inédita sempre. As vezes a transformação é lenta quase imperceptível , outras vezes o baque é tão forte que quase derruba.
Acolher a calmaria como um afago da paz o que tanto quero e me permitir um recolhimento que não se pode publicar, pois é um descanso. Quero o silencio e poder ficar sem falar ....
Estar presente na rotina da vida real e arrumar as gavetas em vez de escrever poemas, mas escrever poemas enquanto arrumo as gavetas da alma. Viver . Sentir e querer ter o que posso ter .Bjos meus . Neide Ponzoni
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