Outro
dia estávamos conversando sobre “ a espera” ou
“não encontro” . Citou o meu livro preferido aquele que o personagem
espera a vida toda.
Onde o amor só materializa cinquenta e
três anos depois, após quase toda uma vida de idealização, por parte de do
personagem Florentino, e de vivências
frustradas, por parte do amor de sua vida
Fermina.
Perguntou-me se esperaria tudo isso , eu
disse não.
Fiquei
horas pensando no que disse que então poderia ser em outra vida .
O
que levou –me pensar em encontros nesta vida. Puxa você pode não saber, mas, foi
importante para mim.
Sou
uma caipira, criada sobre forte dogmas cristãos e tive com você os primeiros desejos .Lembro bem
de cada momento. Uma coisa horrível em minha vida é boa lembrança. Eu
carrego comigo uma caixa mágica dentro da cabeça , onde eu guardo meus tesouros mais bonitos.
Tudo aquilo que eu aprendi com a vida, tudo que eu ganhei com o tempo e que
vento nenhum leva. Guardo as memórias que me trazem riso, as pessoas que
tocaram a minha alma e que, de alguma forma me mudaram para melhor, você esta
lá guardado . Você sempre foi, e será, uma conjugação impossível
, não o verei mais sei disso . Como disse não sou romântica , acho que viver
com um homem ogro me fez perder a capacidade de acreditar .Eu
sei que ao esbarrar em você depois de
anos eu senti uma pontada na boca do estômago. Conheço bem o diagnóstico.
Chama-se: falta do que não foi. Não, eu não sinto saudade do passado. Tenho
carinho , as vezes uma raiva doida , talvez, mas me lembro bem dos motivos que
me sentir sozinha.
Você era importante, era a novidade, eu era uma menina , eu era muito jovem cara. Não, não vou dizer
que te esqueci. Não gosto de mentiras . Pra que tudo isso? Pra que fingir que
você não foi nada , naquela época foi bastante .
Eu
tinha certeza que de alguma forma
euum dia te olharia com meus olhos vazios.
Sabia que um dia o veria novamente , também sabia que teu ritmo de vida nao seria igual ao meu,
engraçado tinha certeza disso. A vida é doida mesmo, com dezoito anos eu tinha tudo para falar e
fiquei absolutamente não-verbalizável.
Minha memoria é muito boa mas recusa ir até a data, maldita ou
bendita, não sei como definir, em que pela primeira vez o círculo
magnético da existência de um, por acaso banal ou pura magia, interceptou o
círculo do outro. Estava certa de que nosso circulo nao tinha brejas , nem
falhas , estaria fechado. Errei novamente, mas sei como reconhecer seus olhos ....nunca
os esqueci. Quando te reencontrei fiquei brava pois imediatamente meu cerebro
apagou a sua antiga imagem . Aquela que eu guardava em mim .... mas os olhos
são os mesmos .
A vida e mesmo engraçada acha que onde pode
deixar qualquer um entrar, e bagunçar
o que eu penso ser definitivo .
Só eu sei o buraco que nossa história deixou em mim. Só eu sei como tive que
respirar fundo, engolir em seco e seguir a vida. Seguir-a-vida. Não é pecado,
eu juro. Foi só o que me restou fazer. Mas esquecer você de vez? Em outra vida,
quem sabe ... sabe então a resposta.
Bjos
meus .
Neide
Ponzoni
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