Hoje passei algumas horas no ônibus, mobilidade em São Paulo me faz
perder muito tempo mas, hoje revisitei Clarice
...
Guimarães Rosa ( meu DIVO) que perdoe , mas hoje eu estou com Clarice .
Quem me apresentou Clarice foi um professor de colegial que
exigia pro vestibular.
O livro era A hora da
estrela .Eu li e me senti burra , não entendi porque Macabéia não poderia ter
um final feliz. Foi então depois de
muito ler, percebi que eu queria que
Clarice fosse igual aos outros com finais iguais aos outros . Ai veio a Clarice
e me dilacerou. E eu mesma matei Macabéia .
Sinto que Clarice me permite ser inadequada , de modo que
quando a leio estou lá , querendo me afastar das explicações , das nuances da
normalidade da forca que me arrasta pra
um cotidiano rotineiro.
A Clarice devo uma
alegria e espanto. A mulher dos paradoxos e antíteses. Nada e só uma coisa .
Ela me alivia , me liberta .
Clarice me fez descobrir o mundo por dentro , não querer o
mundo que se perde na superfície. Ela harmoniza minha rara felicidade com a
minha breve tristeza e me tornar uma lúcida sensível que aprendeu a sorrir sozinha .
Bjos meus .
Neide Ponzoni
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