Dentro de cada pessoa existe um lugar secreto. Não é um lugar que aparece nos dias leves, nas conversas fáceis ou nos momentos de riso. Ele surge quando algo nos fere, quando uma palavra pesa demais ou quando alguém que amamos nos atravessa sem perceber. É então que, quase sem perceber, recuamos para dentro de nós mesmos.
Esse esconderijo não tem paredes visíveis, mas é forte. É um espaço silencioso onde recolhemos os pedaços que ficaram espalhados depois da dor. Ali dentro, o mundo lá fora continua fazendo barulho, mas por um instante podemos respirar. É como se a alma se sentasse em um canto, em silêncio, esperando o coração se reorganizar.
Nem sempre esse lugar é triste. Às vezes ele é apenas necessário. É ali que aprendemos a sobreviver às pequenas e grandes feridas da vida. No esconderijo interior, lembramos quem somos antes das palavras duras, antes das decepções, antes daquilo que tentou nos diminuir.
Cada pessoa constrói o seu de um jeito diferente. Alguns encontram esse refúgio nas memórias, outros nos sonhos, outros ainda no simples ato de ficar em silêncio. Mas todos nós, em algum momento, precisamos voltar para esse lugar secreto.
Porque sobreviver também é isso: saber recolher-se quando o mundo pesa demais e, depois, pouco a pouco, encontrar coragem para sair de novo.Neide Ponzoni
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