domingo, 14 de setembro de 2025

 Outro dia ouvi uma fala : sempre que escolher o novo o velho vai tentar manter permanente “ Sempre que escolho o novo,

o velho faz cena.

Promete bolo no fim da festa,

Ou aumento no fim do mês,

viagem no fim do mundo .

“Fica”, ele sussurra,

com voz de conforto que prende.

“Pra que mudar, se já tem teto,

se já tem chão,

se já me tem aqui?”

Mas o teto pesa,

e o chão já não canta sob os pés.

É conforto de prisão,

é abraço de costume,

é amor que só te vê quando sangras 

e chama isso de prova.

Por que só te valorizam

quando doer em ti mais do que neles?

Por que tua entrega precisa doer

para ser crida?

Como se o amor só fosse real

se fosse ferida aberta

e não escolha viva.

O velho insiste:

"Fica, prometo mudar."

Mas a promessa dele

nunca vem antes da tua partida.

Só depois.

Depois do "não aguento mais",

depois do silêncio,

depois do choro em segredo.

E ainda assim,

você quase volta.

Quase cede.

Quase crê.

Mas o novo não grita,

o novo sussurra.

É leve,

assusta pela paz.

É terra onde ninguém sangra pra ser visto,

é laço que não aperta,

é caminho que floresce.

E você vai.

Mesmo com medo.

Mesmo com o velho fazendo cena.

Porque aprendeu:

permanência sem alma

é só repetição com nome bonito.Bjos meus 

Neide Ponzoni 

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