Outro dia ouvi uma fala : sempre que escolher o novo o velho vai tentar manter permanente “ Sempre que escolho o novo,
o velho faz cena.
Promete bolo no fim da festa,
Ou aumento no fim do mês,
viagem no fim do mundo .
“Fica”, ele sussurra,
com voz de conforto que prende.
“Pra que mudar, se já tem teto,
se já tem chão,
se já me tem aqui?”
Mas o teto pesa,
e o chão já não canta sob os pés.
É conforto de prisão,
é abraço de costume,
é amor que só te vê quando sangras
e chama isso de prova.
Por que só te valorizam
quando doer em ti mais do que neles?
Por que tua entrega precisa doer
para ser crida?
Como se o amor só fosse real
se fosse ferida aberta
e não escolha viva.
O velho insiste:
"Fica, prometo mudar."
Mas a promessa dele
nunca vem antes da tua partida.
Só depois.
Depois do "não aguento mais",
depois do silêncio,
depois do choro em segredo.
E ainda assim,
você quase volta.
Quase cede.
Quase crê.
Mas o novo não grita,
o novo sussurra.
É leve,
assusta pela paz.
É terra onde ninguém sangra pra ser visto,
é laço que não aperta,
é caminho que floresce.
E você vai.
Mesmo com medo.
Mesmo com o velho fazendo cena.
Porque aprendeu:
permanência sem alma
é só repetição com nome bonito.Bjos meus
Neide Ponzoni
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