sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Planejando

Boa Esperança — Toda vez que chego em Boa Esperança tenho um ritual particular, vou ate uma igrejinha acendo vela, rezo, fico olhando o altar cheio de santas com olhares tristes, não sei porque mas fico ali, quando saio tenho sempre a certeza que elas vão zelar por mim, um ritual católico para quem não é mais . Agora sou adulta não deveria estar presa a nenhum dogma, mas faço entre tantas coisas mais, depois ando ate uma escada de madeira que dá acesso ao lago de furnas, a madeira esta envelhecida debaixo de Jatobá resiste ao tempo, sento e penso na vida.
Sempre que paro ali , sinto uma profunda falta de alguma coisa que não sei o que é. Sei só que doi, doí. Algo parece não ter remédio.Existe sempre algo coisa ausente que me atormenta, e se torna nítido quando estou nesse lugar. Algo que não consigo pegar ou ter, mas não sei o que é, algo sempre me falta — o que as vezes eu penso ser Deus, amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sinto sede, faz parte da vontade de saber isto me atormenta, mas estranho sentir assim todas às vezes .
Ali olhando aquele mundaréu de água, penso na minha vida, na minha paixão pelo mundo e pelo tempo, algo naquele lugar me absorve .
Na capela rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois de caminhar sentei na escada, e inicia o ritual anual, analisei 2011,ano difícil quantas vezes quis expurgar as dores mais sombrias, os pensamentos mais imperfeitos, as saudades mais doloridas, estes sentimentos martelaram em minha mente como uma enxaqueca que chega sem aviso numa terça-feira de sol, quando você tinha planejado ser feliz.Tentei e procurei esquecer certo peso em meu peito, cenas e sensações que me torturaram. Em vão, por muitas vezes fechei os olhos tentei não sentir, mas como um flash, repetiam incessantemente diante de minhas retinas cansadas de chorar. Chorei muito em 2011 , mas a dor eu transformei em força , passei o terremoto mas não sai ilesa.
Consegui também em 2011 o meu polisipo , uma pausa na dor, vivi momentos belos e lúdicos.
Ali sentada na madeira velha, pensei nos meus desejos e vontades não realizadas e também realizações não planejadas, a vida não vem com manual de instrução , passo –passo não existe.
Após analisar os erros , claro os erros aparecem sempre primeiro martelando a mente , ai traço um ano desejado, tento não repetir as vontades, algumas gritam (eu vou estar não adianta fugir).
Lembrei dos desejos não realizados , é como remexer papéis, lá estão amassados mas consigo ler , no sei se quero tentar.
Mentalmente traço o ano, rio pois , algumas metas não vou lutar por elas, mas estarão lá. Faço uma lista mental, tento organizar, me concentro, ai vem uma música e rouba o pensamento , me perco no presente.
Tentei conferir o passado e organizar o futuro, mas o presente me chama , uma garoa fina começou a me molhar , uma garça me distraiu , me esforcei e planejei.
Levanto e caminho de volta para casa , ano iniciado.Sei que voltarei no janeiro próximo espero saber o que procuro.
Neide Ponzoni
Bjos meus.

Um comentário:

  1. Por muitos anos fiz "listinha de início de ano". Em algum momento desisti... acho que porque essa reflexão doi... talvez eu seja mais feliz assim...

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