sexta-feira, 13 de maio de 2011

A caverna .

Se abrisse a porta ele seria arrancado de dentro da caverna que criara, onde somente via sombras daqueles que estavam fora , ouvia sons mas não os identificava, o medo era maior que seu desejo.
A luz insistia em inquietante em invadir seu nicho. Ela o fizera perder a convicção de viver ali. Aos poucos o desconhecido o chamava.
Encostado na parede ele ouvia o próprio coração pulsando angustiado e atribulado, pedia que ele corresse.
_ Vou, pensava. Não posso , decidia .
A dúvida de seguir caminhos não percorridos e enfrentar o que estava fora , o descontrolava. Ele acreditou numa vida perfeita , fazendo dela uma utopia que se tornou insuportável. Viver na caverna não o bastava ,queria voar.
A luz certa manhã estava mais forte , inebriante , ele levantou. Caminhou até a porta .
Seus olhos acostumados com o breu doeu. As cores do mundo o deslumbrou. Ele correu . Correu até cansar . Nunca mais voltou às sombras da caverna.
Ele compreendeu que era mortal e não iria durar para sempre , precisava voar.
Bjos meus .
Neide Ponzoni

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