Entre Serras e águas.
Eu nasci em Boa Esperança , cidade do sul de Minas cercada por serras azuis que se refletem no lago de Furnas.A serra cantada por Lamartine Babo em sua música algo que impressiona pela sua grandeza e cor.
O lago fica aos seus pés é um misto do maleável e o impenetrável .
A cidade é mera expectadora desta dualidade e descansa entre a água que flui continuamente, alheia ao fato de você estar feliz ou não , ser bom ou ruim, ser altruísta ou egoísta. Ela simplesmente continua a fluir e a Serra que permanece lá sem dar a mínima importância aos seus anseios.
A água do lago de Furnas e a Serra parecem é impessoais para os habitantes da pequena cidade, mas no fundo sempre achei que um complementa o outro. A Serra se vê refletida no lago e este pode contemplá-la nos seus diversos tons.
Cercavam-me as imponentes montanhas de Boa Esperança, afogava-me o lago que por muitas vezes recebeu minhas lágrimas adolescentes nas suas águas. Representações impossíveis de serem banidas da lembrança.
Sou um misto de rocha e água, herança dos anos passados na Princesa do Lago, carinhoso nome dado a minha cidade. Quem, em sã consciência, poderá dizer que a dor de uma saudade não seja absolutamente grandiosa, ocupando de maneira arrebatadora e sublime a alma de um ser mineiro, que sonha como Ícaro e tem a consciência pode voar,mas constrói suas asas nos elos do cotidiano e a costura com o aprendizado .
Sou transparente como água do lago em dias calmos, dá pra ver nos meus olhos o que sinto tenho a mania de me expressar conto pra todos o que sou. Também sou turva como água agitada pelos ventos e revirada pela chuva quando vejo injustiça burrice, tramóia, falta de ética, mas busco sempre a calmaria. Sou dura como pedra mineira e maleável como a pedra sabão trabalhada pelos artesões em seus ateliês , moldando formas, representando vidas.
Ao deixar Serra que me cercava e o Lago que me purificava , levei comigo um pouco de terra e água no barro do olaria do meu pai e da minha mãe , na mistura que eles transformavam em tijolos, sei moldar a vida, assim como meus pais faziam a argila. Meus tijolos hoje vão construindo sonhos.
Longe fui me acostumando com a nuances da alma, conheci outros lagos , outras serras, mas nenhuma se compara á Serra azul e o lago de Furnas de onde me contemplava, sou mineira uai.
Bjos meus .
Neide Ponzoni
Nenhum comentário:
Postar um comentário