quarta-feira, 21 de abril de 2010

Entre sons e letras.

Entre sons e letras.



Naquela manhã como sempre ela tomava café assistindo o jornal matinal, antes de seguir pro trabalho.

Os filhos já tinham saído pra escola e ela ficava , se preparando pra mais um dia estressante, quando ouviu falar o nome dele.Apresentação de mais famoso pianista brasileiro na sala São Paulo no próximo final de semana.

Ela sentiu um frio na barriga, lá estava ele depois de vinte cinco anos.A apresentadora falava de sua trajetória , a saída de Minas para conquistar o mundo . Ela sabia a historia de cor, cada passo na Europa e na America do Norte , cada apresentação , acompanhada a distância.

A vida dos dois se cruzaram , ela ao tomar o café lembrou do cheiro da lavoura onde se conheceram.Ele filho de fazendeiro rico do sul de minas ela uma bóia fria da fazenda.

Seus cabelos não eram mais negros o tom cinza predominava, mas os olhos verdes brilhavam, a televisão o mostra chegando ao aeroporto acompanhado por uma linda mulher e um adolescente. Ela não sabia quem eram, sua vida não era expostas em tablóide, ela nunca soube nada sobre a sua intimidade ,apesar de muitas vezes procurar no google nada encontrou.

A vida era muito difícil na lavoura de café ainda mais pra uma menina de 17 anos. Acordar cedo, enfrentar um caminhão cheio de gente , e puxar galhos e galhos do cafeeiro, ganhar a vida era dura. Foi assim que ela o conheceu. Ele estava de férias , e ia para fazenda e no fim da tarde , dirigia o trator que apanhava o café, junto com o administrador, parecia uma grande diversão .

Certa tarde, ela estava sentada esperando a contagem das sacas quando ele se aproximou, ela nem se quer levantou a cabeça, a vergonha a dominava.

Ele sorriu, ela o reconheceu já tinha o visto na cidade, rodeado de meninas na praça principal da cidade, além de vê-lo tocar piano na casa de cultura, onde ela trabalhava de voluntaria na biblioteca aos sábados.

Com uma voz rouca a cumprimentou, ela sorriu.

Ele veio pra perto e perguntou se ele o conhecia de algum lugar, ela riu. Uma maneira muito comum de iniciar uma conversa pensou ela, ele era o inatingível agora ali, ela sem óculos, suja, cansada ele estava tão perto. Não sei respondeu ela.

Me parece familiar trabalha a muitos anos aqui com o papai, disse ele caminhando pra mais perto.

Não , sem saber o que dizer disse ela baixinho.

Ah já sei você trabalha na biblioteca. Você é a expert em Drummond, Pessoa que tanto a professora de literatura falav.

Ela sorriu sem graça , adorando o jeito falar, respondeu baixo pra não demonstrar a tensão,sim sou eu que trabalho na biblioteca, mas não sou exeprt sou apenas uma leitora.

Por que trabalha aqui ?Qual seu nome? Onde mora você? Estuda?Ele falava rápido.

Ela respondeu tudo devagar, para não demonstrar o nervosismo. Para ele. ela nada perguntou sabia de tudo, ele era menino prodígio, pianista da terra, excursionada pelo Brasil com apenas 19 anos já era conhecido , e estava se preparando para ir embora , iria estudar fora, ela ouvia as meninas comentarem no final dos recitais. Ela sabia tudo, mas não sabia que ele era tão simples.

Ela tomou o café e foi trabalhar , resignada que iria a apresentação.

O dia passou rápido e quente, a imagem dele não saia da sua cabeça, agora a vista na televisão.

Ela agora lembrava , foram meses de colheita de café e encontros na casa de cultura, meses de troca de saberes , ela leu pra ele Pessoa, Gabriel Garcia, Bandeira e Drummond e tocou Bach,Mozart,Brahms,Chopin .

A amizade gerou comentário preconceituosos e classista, Minas mostrava o lado sombrio e frio. Enquanto eles conheciam a palavra cumplicidade.

No final de Outubro ele contou a ela que iria para o Rio estudar e depois iria para Europa. Naquela noite ela chorou muito.

Na partida ela lhe deu O Livro do desassossego de Fernando Pessoa era assim que o seu coração se sentia. Ele a beijou como se a vida fosse parar ali, ela retribuiu com todo desejo dos seus dezessete anos, assim foi o primeiro contato com o amor algo doído e quente.

O corpo dele estava junto ao dela todo aquele cheiro.Ela lembrava bem, mesmo depois de muitos anos.

Ele foi embora, depois foi a vez dela sair da sua cidade e veio pra São Paulo, a vida seguiu, estudou literatura, casou, teve filhos. Ele se tornou o que estava previsto , um grande pianista.

Agora ela estava ali na porta da sala São Paulo decida a vê-lo.Comprou um lugar próximo do palco, muito caro pra sua condição de professora, mas lá estava ela.

No final do espetáculo chorou ao ouvi-lo tocar Bossa Nova ,terminado a apresentação . ela como uma boa oratória conseguiu convencer os organizadores que era da cidade natal do artista , que lhe trouxera uma carta, mas necessitava ver se seria entregue. Quando isso aconteceu suas pernas tremiam .

Saiu dali com esperança de contato. Ela gostava muito de cartas e naquela ela escreveu o que viveu em vinte cinco anos e deixou o número do celular.

Ela contou para uma amiga de trabalho, que riu da sua inocência aos quarenta. Ela respondeu que era um fetiche, tensão atrasado e precisava concluir o começado.

A semana estava acabando e ela tinha desistido, quando recebeu a mensagem no celular, me encontre estou próximo ao endereço da carta. Seu coração parou, a respiração ofegante, ela respondeu com a palavra onde.

Nova mensagem trazia o local exato. Ela arrancou avental, deixou a escola e dirigiu ate o local onde estava parado um taxi. Antes de descer percebeu como estava vestida com simplicidade, jeans, camiseta e tênis. Sentiu vontade de recuar, mas ansiava por aquilo, estava adolescendo novamente.

Bateu no vidro. Ele abriu e sorriu , era o mesmo sorriso , só que agora um homem.

Ela entrou no taxi.Ele vestia como ela. O silêncio predominou, ambos ansiosos , ela começou.

-Leu a carta ?

- Você ainda parece a mesma moleca de Minas, respondeu ele.

_ Ela riu, e respondeu uma moleca velha....

--Que bom que me achou, você me lembra uma fase tranqüila da vida

Ela olhou pra mão e tinha uma aliança, a dela há um bom tempo que não usava, numa briga tirou e não colocou mais.

- Onde quer ir perguntou ele.

-Perto, tenho horários .Que se danem pensou.......

Saíram do táxi e entraram no carro dela , ela pegou a via expressa e entrou num motel.

Ele riu .

Ela riu também e explicou que seria o lugar ideal para uma conversa calma, ele concordou.

Ela tremia, só de pensar no que poderia acontecer, casada há quinze anos não tivera nenhum homem a não ser seu marido , o medo a e vontade a dominou.

Entram e sentaram na anti- sala. Ali permaneceram por horas conversando, leram os mesmos livros, viram os mesmo filmes e gostavam das mesmas comidas.

Vida e o tempo tinham separados, mas a afinidade permanecia intacta.

Ele descreveu os museus e todas as cidades que havia conhecido, os lugares que ela desejava , ele vivenciou.

De repente os pararam de falar , ele sorriu e a beijou, ela sem saber como agir retribuiu, seus lábios quentes e úmidos , foi então que ela sentiu-se desejada novamente, ele a nos tocou os seios, um arrepio despertando antigos devaneios, a cobriu de beijos longos e expôs anatomia nua, sem segredos, sem importar-se com seus defeitos a admirou como se fosse um quadro de célebre pintor . A mirou nos olhos, e a incendiou e a fez retomar seus profundos desejos, a vez explodir como uma mulher plena, o sentiu vibrar intensamente dentro dela . Suas pernas tremiam e seu corpo pulsava.

Deitaram um ao lado do outro, não sabiam que aconteceria em seguida.

Ficaram assim mudos , até que ela levantou , e riu ele retribuiu o riso, ela exclamou foi muito bom.

E rindo contou a ele que sexo na vida dela era ao se deitar quando o marido estava de muito bom humor, era difícil situações de prazer na sua vida , elas pouco existiam.

Ele a olhou , a puxou de volta para a cama e novamente fez seu corpo vibrar.Nos seus 42 anos ela se sentiu feliz, aninhou se no seu ombro e ouvia uma forte chuva cair lá fora. Levantou tinha que ir. Tomaram banho juntos, se trocaram e ele a abraçou forte , beijou seu cabelo. Ela sentia tão pequena perto dele.

Ele sussurrando disse que na manhã seguinte voltaria para França, ela já sabia suspirou.

Tomaram banho se trocaram e deixaram o local.

Ela o deixou no mesmo lugar do ínicio da tarde. Ele a beijou e seu gosto ficou. Ela o esperou tomar o táxi e dirigiu de volta para casa.

Entrou encontrou o marido assistindo futebol.

-Problemas? Se atrasou, ele perguntou sem olhá-la, como sempre alheio a vida dela.

-Problemas? Não, soluções.

Ela subiu as crianças estavam dormindo , ela os beijos entrou no banho.

As imagens do dia passavam calmamente , enquanto a água caia sobre seu corpo cansado.

Ela se deitou , estranhamente não sentia culpa, sentia-se muito feliz e adormeceu.



Bjos meus.

Neide Ponzoni.

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