Nem sempre o silêncio começa com o calar da voz. Muitas vezes, ele nasce da forma como uma opinião é recebida ou ignorada. Quando alguém ousa pensar diferente e expressa o que sente ou acredita, está oferecendo um pedaço de si. É um gesto de coragem, um convite à escuta mútua. Mas nem todos sabem acolher o que é diferente.
Frases como “é assim mesmo”, “não liga “ “gosta de discordar” parecem, à primeira vista, inofensivas. Às vezes ditas com um sorriso, às vezes com leveza. Mas carregam, em seu subtexto, a recusa. A recusa de ouvir de verdade, de reconhecer a legitimidade de um outro olhar. E essa recusa, quando repetida, vai desenhando um contorno claro de exclusão.
A pessoa que opina diferente começa a perceber: seu espaço para falar não é o mesmo. O que ela diz é constantemente diminuído, reduzido a um traço de personalidade como se pensar diferente fosse um defeito. E, com o tempo, o entusiasmo vai se retraindo, a voz vai perdendo força, e ela escolhe o silêncio, não porque não tenha o que dizer, mas porque entendeu que ali, suas palavras não encontram abrigo.
É um processo lento e invisível mas real. O silenciamento nem sempre é imposto de forma direta. Às vezes ele acontece na sutileza da negligência, no desprezo velado, no rótulo que cala mais do que escuta. E o mais doloroso é que, muitas vezes, quem cala o outro nem percebe. Acha que está apenas “evitando conflitos”, “levando na leveza”, “não dando importância”. Mas é justamente essa falta de importância que machuca.
Escutar alguém que pensa diferente é um exercício de presença, de empatia, de humildade. Não se trata de concordar, mas de acolher. De permitir que o outro exista com sua própria voz, mesmo quando essa voz não reflete a nossa.
Todos precisamos ser ouvidos de verdade. Porque quando o espaço de fala é negado, o espaço de ser também vai desaparecendo.
E ninguém deveria precisar gritar para ser reconhecido. Neide Ponzoni .
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