terça-feira, 6 de abril de 2021

 #Escolhatexto1 acabou tão rápido que Ana se viu como uma página que ele arrancou, os suspiros que ele abafou, o prazer que ele omitiu, a transgressão, escondida entre as mensagens no meio dia .Era pra ter sido uma brincadeira de uma noite,de algo que começou na adolescência uma garrafa de vinho, apenas três cervejas , durou anos .Depois Ana teve que ser transformada num segredo,numa espécie de doença fatal.

Ana era pessoa pra quem ele ligava de madrugada, e pedia conselhos e quem ele visitava clandestinamente com tanto medo que ela sentia raiva . Ana era o motivo de todas as brigas que ele provocou internamente . Porém cedia Ao desejo e a concessão aos apelos sexuais . E a tentativa de salvar uma relação falida que vivia . Mas dizia amar. Ana ouvia . Ana se tornou um susto, um peso, o imprevisto pra quem tinha sua narrativa sob controle.
Ana aquele ponto e vírgula no lugar do ponto final de quem já tinha escrito o último capítulo do seu romance ideal. Ana nem imaginava que pudesse gostar , ir além, sentir saudade quando estivesse sóbria. Ana estava ali e sabia que poderia não estar.Ana era as metáforas novas, a reunião inventado , o carro quebrado .Ana era o orgasmo mais intenso, a febre entre os lençóis ,a dança dos travesseiros coloridos. Ana era o descanso na cama, o banho de duas horas, o beijo de vinte e cinco minutos. Era o poema que relata o encaixe dos nossos corpos e o beijo de todos os lábios. A história sobre musicas antigas, risos pueris sobre todas as aventuras antigas , os braços pro abraço mais longo.
Ana era as páginas que ele desistiu de publicar pra se proteger, se preservar.
Foi arrancada da história .Foi escondida entre juras de um falso aconchego ..Ana é tantas frases amassadas, descartadas da seleção dos capítulos. Mas foi poesia escrita, tatuada no corpo, a única digital que ele não conseguiu tirar no banho, será essa emoção que ele rasgou da narrativa pra que os holofotes se voltassem todos pra sua história de amor mais convencional_ Ana seria a quebra da linearidade, a falta de estrutura do texto, o capítulo independente do resto do livro, aquele que sobreviveu sozinho. Ana virou silêncio deitado nos quartos ,a cor do batom no retrovisor do carro. Ana é o final da espera de outras esferas.
Mas o que Ana sabe dele agora ? Vê as fotos cliques no face e ri .Ele está bem o sorriso lindo . Ana se desamassou e também está bem ... bjos meus Neide Ponzoni.

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