domingo, 13 de dezembro de 2020

Distanciamento ....

 Pandemia e distanciamento social...


E, de repente, senti uma saudade. Mas uma saudade tão frágil e delicada que vinha destituída de qualquer expectativa de encontro.
Era uma saudade seca, oca, sem necessidade de notícias. Notícias tinha era só entrar em suas redes sociais. Hoje em dia todo mundo posta tudo que faz.
Era uma saudade como se relembrasse uma infância que foi boa, mas algo doía ao lembrá-lo.
A saudade, ela mesma, a palavra toda preenchida pela sensação, com rostos, cenários, detalhes tão íntimos, mas sem voz, sem qualquer barulho. Intransitiva e estéril.
E, de repente, tentei organizar a sensação vaga e etérea como quem tenta segurar um raio de sol entre os dedos.
Mas parecia ter desaprendido a dizer coisas.
A saudade atirava em um outro abismo. E as palavras flácidas tentavam se equilibrar no único caminho pontilhado que se apresentava: estava repleta de reticências e não sabia como preencher tantas lacunas. Céu vazio de luas.
Vestido órfão de um corpo.
E, de repente, (...) ele virou saudades e já era março de novo. “Nem tudo pode ser perfeito” já dizia o poeta.
Saudade também às vezes é uma coisa besta viu...
Bjos meus.
Neide Ponzoni

Co

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