quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Ajeito a bolsa pesada  no ombro, que agora resolve doer , celular apitando os 26 novos e-mails, 102 mensagens no Whats..trabalho me esperando , e transito tudo parado...aí e se pergunto “que raio de vida é essa ?
Chego cansada no trabalho porque já dei uma “ripa” na casa cedo para que a noite não tenha que fazer muito....
Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Talvez se eu tivesse me subordinado, se não tivesse filhos ou dirigisse...  Não dirigir virou então um pecado mortal...Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar.... que não me importo com corações nas mensagens do celular, talvez se eu fosse alta e tivesse as pernas do iguais a Gisele Talvez…”A sabe de uma coisa  cansada, chata, quase insuportável...
Mas não, não posso reclamar , sou uma  mulher moderna ... a grande falácia machista é que podemos fazer tudo, dar conta de tudo , e homem só resolve uma coisa de cada vez... Essa sou eu, mulher moderna...
Na verdade dentro de toda essa modernidade eu  quero um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos sim. Eu tive.  Mas não ficar só com eles, que os filhos também sejam divididos...  Eu  quero aprender a fazer um risoto, mas se não der tudo bem faço um arroz simples.
 Eu quero contar como foi meu dia. Mas não vou admitir que alguém questione minha rotina... Ai mulher  moderna...
Ensinaram-me esportes, mas não faço  tenho opção . Aprendi a construir um bom currículo, a trabalhar sem medo, a resistir  . Ahh mulher moderna.
Sobre estas questões estou de saco cheio... cansada , quase insuportável...
Ensinaram-me a ser livre a voar com asas próprias, mas não ensinaram os homens a ser companheiros de voo...  O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?...
Sobre estas questões estou de saco cheio... cansada , quase insuportável...


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