Pode-se ter saudades dos tempos bons, mas não se deve fugir ao presente disse Michel de Montegne .Penso ás vezes ter fuga da realidade pois sinto sim, saudades de algumas situações , uma saudade doida de alguns lugares.
Todos sabem que gosto de muito de árvores quando estava no primário no meio do pátio da minha escola tinha um flamboyant , enorme , grande demais, que no final do ano trazia cachos de um vermelho intenso.
Sentava embaixo da árvore e ficava lá observando o movimento, apareceu por uns meses um João de barro.Acompanhei sua alegre e rápida construção . Uma casa perfeita.
Certo dia percebi que o João de barro não estava mais freqüentando a casa construída , por semanas vigiei . Queria aquela casa para mim, mas como fugir da mira dos inspetores que ficam no pátio.
Planejei detalhadamente a minha arte , a subida no flanboyant. Pedi a professora para ir ao banheiro . Fui pro pátio e subi. Muito fácil tinha grande habilidade de escalada , hoje até subir escada é difícil é a idade , trinta e quatro fazem grande diferença.
Subi até o galho peguei a casinha do joão de barro , e desci. No meu plano detalhado terminava ali, não tinha pensado que onde esconderer a obra do pequeno pássaro engenheiro, feita com barro avermelhado misturado com argila , agora não tinha como devolver , não dava.
Não deu obra fui para na sala da diretora com a camisa branca marcada de argila, e os olhos cheios de água. O sermão foi grande e a casa tomada de minhas mãos.
Na saída minha mãe foi convidada a entrar na escola . Sabia que minha volta para casa seria longa. A diretora deu novos sermões , sobre o passarinho sem ninho , e o meu estrago enorme na natureza , não era primeira vez que estava ali e não seria a última , chorei não pela bronca mas porque eu queria casa . A diretora falava e eu balançava a cabeça concordando , mas eu queria casa.... expliquei que estava abandonada .... sobre muito suspiros intensos .
Minha mae toda constrangida com uma filha, pega casas de um pobre joao de barro .Eu sabia iria apanhar mesmo.
Enquanto minha mãe assinava a ocorrência no livro preto eu entre um soluço e outro pedi :
_ Me dá esta casa diretora...implorei.
Ela com os verdes brilhantes olhou pra mim e disse :
__ Leva já tirou mesmo.Levei.
Quando mudei pra São Paulo umas das poucas coisas que trouxe foi a casinha , fica num lugar especial na minha garagem.... Ela me lembra o grande flanboyant onde eu sentava na hora do recreio onde a única preocupação era observar a natureza.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada eu tenho uma casa de joão de barro.
Bjos meus .
Neide Ponzoni .
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