sexta-feira, 12 de março de 2010

Recomeço.

Por que se casou? Ela sempre acordava com a mesma duvida.

Porque ele é um doce, companheiro, sensível, sempre ao lado dando apoio.

Depois de quatro anos, enfim, entraram na igreja.

Ela, de branco, ele, vestido de esperança.

Festa muito animadas todas as pessoas queridas lá dançando e felizes.

Ele, esfuziante; ela, bebendo, ele não bebia.

A vida a dois permanece um mistério até o primeiro dia de divisão de banheiro, de guarda -roupa, momento que funciona como um portal para uma dimensão paralela, a vida se enche de familiares, festas de criança, pagamentos de empregada, pasta apertada no lugar errado, tênis fora do lugar.

Isso é normal, já sabia ela, era segura, mas havia uma grande surpresa, tudo tremendamente monótono. Onde estavam aquelas cenas de filmes, das comédias românticas com suspiros e corpos suados.

Passaram-se 15 anos ......filhos não vieram , mas as conversas cada dia pareciam monólogos, não tinha mais o que falar.

Há seis meses, ele não usava mais aliança ficou larga tirou e tudo estava ajeitado, menos a vida. Clima calmo, ele via jogos na tv, ela filmes no DVD, conversar na cama antes de dormir viraram discussões infindáveis, sem solução todos os problemas jogados para baixo do tapete, esses começavam a fazer volume e provocar tropeços, quase tombos.

A maior ancora dentro de uma relação era o passado, uma relação que fora tão legal , acreditava que o já vivido seria a diferença e todos os problemas seriam resolvido com o tempo. Mas o tempo não resolve problemas ignorados; pobre de quem pensa que, ao virar o rosto, eles sumirão feito fumaça de cigarro. E a união de aparência tão sólida começou a rachar de dentro pra fora, começou a demolir. Continuava intacta para olhos menos atentos, mas a estrutura estava definitivamente condenada adestruição do sonho.

O problema é que ele a amava com um amor repleto de gratidão. Amor de irmão. Ele era tudo o que ela poderia querer, mas as noites traziam consigo a agonia da falta de tesão: qualquer outro provocava pensamentos inconfessáveis, exceto quem supostamente deveria causar. Ela gostava de estar ao lado dele, se sentia confortado e seguro, mas isso era uma chateação.

Ela prometeu fidelidade e devoção a alguém que deveria ter sido apenas seu ombro amigo - e fez isso pela mesma razão que faz tantas pessoas embarcarem (e se manterem) em relações frustrantes, falidas, mornas: medo de ficarem sozinhos.

Ela acorda , está de férias e sabe que sua vida tem que andar, pentea os cabelos pretos e longos, se olha no espelho não e mais uma menina, tem marcas no rosto .

Suspira, entra no quarto escolhe o vestido vermelho aquele que ela comprou para uma ocasião especial que nunca aconteceu. Se veste.

Pega maior mala que tem , ali coloca suas roupas preferidas , sapatos mais confortáveis, maiôs, chapéu, livros que esperam para serem lidos . Tudo pronto. Pensa na mãe e nas irmãs o que diriam????? Sai e bate a porta.

Entra no carro, pega a via expressa o vento refresca seu coração.

Ela está a caminho do mar , logo cruzaria para outro estado. Conheceria então o sul do país.

Sua vida vai mudar, ela sabe disto. O celular toca sem parar, ela manda mensagem

“ estou muito bem”. Ligo depois....... Sua vida passa diante do para -brisa e o velocímetro mostra a rapidez que é preciso seguir.

Ela sabe que toda mulher tem no seu íntimo uma magia própria de fazer acontecer, de dar um jeito, de fazer bem feito, ela faria.





Bjos Meus .

Neide Ponzoni

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